Luiz Carlos Chacon de Oliveira (2015) Teatro – Malet – Paraná

Casado com Valquiria, tenho uma filha, Debora. Sou conhecido artisticamente como Chacon Jr, nascido em Mallet, interior do Paraná no dia 3 de julho de 1941, eram 3:30 da manhã, um trem apitou e ouve-se um choro de criança, era eu nascendo lá em Mallet, a parteira era Maria Rodrigues, minha mãe Elvira Godoy de Oliveira e meu pai Honorato Arcelino de Oliveira, ele trabalhava na Rede Ferroviária Federal.
Em 1946, em outra estação, a General Góes, vimos a passagem de um trem passageiro com os soldados voltando da guerra e jogando bombinhas pelas janelas. Por uma felicidade nossa uma bombinha dessas falhou e dissemos assustados: “Papai, papai!” A bombinha falhou e não estourou, era track como era chamada naquela época.
Depois, fomos para Rio das Antas, já em Santa Catarina, meu pai era telegrafista da Rede Ferroviária. Lá, eu comecei a ir para o colégio, me lembro tão bem daquele guarda-pozinho, da caixinha de papelão, do caderno, da caneta e do tinteiro. Estudávamos lá e todo sábado antes de começarmos as aulas, hasteávamos a bandeira e cantávamos o Hino da Bandeira e o Hino Nacional, era maravilhoso aquilo, era lindo. Após Rio da Antas, eu vim morar em Tingui, um vilarejo que tinha um Correio, a Igreja Nossa Senhora da Glória, um armazém, um campinho de futebol e quase só isso. No Rio Tingui, tinha uma balsa, a gente ia pescar no rio, era uma farra!
Em 1952, fomos para Rio Negro, em Mafra Santa Catarina, Era uma cidade bonita, conseguimos uma baita casa. Lá, eu terminei o primário e o ginásio. Eu estudei no grupo Duque de Caxias, que existe até hoje, mas parece que virou um grupo militar agora. Na cidade tinha um cinema bonito, tela grande o primeiro no padrão Cinemascope onde assisti um filme chamado Trapézio.
Em 1955, perdi meu pai, o seu Honorato Arcelino de Oliveira.
De Mafra- Rio Negro, vim para Curitiba, estudar no Instituto de Educação, no Lisímaco Ferreira da Costa, no João Cândido, assim foi minha vida, estudando, estudando. Em Curitiba, morei em pensão, hotel, e também num prédio atrás da Catedral.
Além do cinema, gostava de ir a parques, circo e imitar os personagens do circo, aí, eu já tinha no sangue essa veia artística. “Ai que bacana, você é artista!” me diziam, mas minha mãe sempre dizia que eu não podia parar de estudar, porque artista sem estudo, não é artista.
Após algum tempo, conversa vai, conversa vem, apareceu uma oportunidade para trabalhar no circo Picollo, da família Garcia, eu trabalhei lá, fazia um pouco de tudo, foi quando apareceu o Rubens Rolo e me sugeriu fazer um teste no Rádio Clube Paranaense. Fui aprovado pelo Sinval Martins e ganhava cachês fazendo radionovelas, adotando o pseudônimo de Chacon Jr. Como eu já trabalhava como expedidor de Carteiras de Trabalho em Mafra, ingressei no Ministério do Trabalho, também como expedidor, aqui em Curitiba.E por sugestão do dr. Dalton Leite, coloquei oficialmente Chacon no
meu nome.
Mais tarde, fui trabalhar no Teatro de Bolso na Praça Rui Barbosa, onde morava também e fazia alguns cachezinhos. O Ary Fontoura disse: “De vez em quando, dá uma varrida!” E do Teatro de Bolso fui para a Televisão, participei deuma novela e, por sorte, trabalhei na Praçada Alegria, com Manoel de Nóbrega, isso em meados de 1974, junto com a Catifunda, o Sinfrônio e também o hoje consagrado Ratinho. Mas continuava também nas novelas da PRB-2. Também passei pelo Canal 6, trabalhando ao lado do Juarez Machado, Jamaia e outros.
Foi em Telêmaco Borba, que começou a despertar em outros, meus gestos parecidos com Roberto Carlos, que eram notados por moradores da região, sem jamais ter tido essa intenção.
Aí, eu voltei para Curitiba.Comprei roupa parecida com a dele, imitando-o no famoso programa do Mário Vendramel. Fazia televisão, saía “como ele”, viajando pelo interior do Paraná me fazendo de cover do Roberto Carlos. Começou essa onda de Roberto Carlos e o Ratinho, pai, cresceu na vida e eu fiquei como o Roberto Carlos. Está ótimo, adoro isso.
Fui conhecer Cachoeira do Itapemirim, na minha lua de mel. Cheguei no hotel e queria conhecer a casa onde Roberto Carlos nasceu. Aí telefonei, falei com o Sr. Gil Matos, ele perguntou se eu era parente dele, eu disse que não, era somente parecido com ele, então ele me disse:- “Espera um pouquinho!” Aí ele foi no hotel, pegou minha mala e disse: “hoje você vai dormir aqui, tá vendo esse quarto aqui é do Roberto Carlos, ele nasceu aqui, foi criado aqui, foi cuidado aqui, você vai dormir aqui”. E eu estava em lua de mel e de tanta emoção não aconteceu nada…
E quando estava morando no Teatro de Bolso, fui convidado para fazer teatro no Teatro Guaíra, dirigido pelo Cláudio Correia e Castro, a peça era “A MEGERA DOMADA” de Willian Shakespeare, com Paulo Goulart e Nicete Bruno. Tive a oportunidade de ir para o Rio de Janeiro, levar a peça “A MEGERA DOMADA”, às duas horas da manhã no Teatro Municipal. Vocês não acreditam, lotou o teatro.
Após o Teatro de Bolso, eu fui morar na Boca Maldita – já faz 47 anos
– lá eu fiquei conhecido, nos tempos dos cinemas Opera, Odeon, América, Curitiba. Depois do teatro, fui chamado para fazer televisão. Primeiro entrei no Canal 6. Depois fui para o Canal 4 do Dr. Paulo Pimentel. O JJ me convidou: “Olha vamos fazer um teste com você no Show de Jornal, para você fazer um boneco do tempo!” .Fizeram um hipopótamo, bem gordão, para dar o tempo, com Jamur Júnior, Laís Mann, JJ de Oliveira Arruda Neto, Haroldo Lopes, Delzi Captan e Raul Mazza do Nascimento. Eu fiquei conhecido como o “Homem das Mil Vozes”.
Trabalhei em muitas peças infantis também, me lembro da “MORTE DO CAMALEÃO ALFACE”, na qual a Odelair Rodrigues fazia o Patinho Feio, então, como eu imitava o patinho, resolveram fazer a peça e a Odelair era minha mãe. No Teatro Guaíra, foram várias peças infantis, era gostoso. O movimento do teatro em Curitiba, era muito grande, todo mês tinha uma peça nova, tanto no Teatro de Bolso quanto no Teatro Guaíra. Trabalhei com Lala Schneider, em várias peças, com Sinval Martins, Maurício Távora, Jane Martins, todos amigos meus e também muitos comerciais na TV.
Como Roberto Carlos fiz show, no Clube Curitibano, nos Parques, no Circo, fiz em cima de caminhão.Tinha feira no Parque Barigui, imploravam “Pelo amor de Deus: tragam o Chacon!” Quando estou pronto para entrar em cena, depois de me concentrar, porque eu encarno o Roberto Carlos no palco, mesmo ele estando na plateia e me cumprimentando eu encaro, pois sou muito profissional.
O caso que me emocionou no parque, onde eu estava fazendo show do Roberto Carlos, tinha um garotinho, bem na frente, eu jogava as flores como o Roberto faz, para lá e para cá e ele acompanhava com o olhar, aí chegou uma senhora e disse: “Aquele garotinho que fica lá é meu filho!” Eu disse: com o maior prazer.Ai joguei a flor aqui, ali ,olhando para ele, ai dei um beijo e entreguei para ele. Pegou o botão da rosa e saiu no meio da multidão. No outro dia, a mãe dele veio e falou: “O Sr. não imagina, ele chegou em casa, pegou a rosa, um copo com água, botou a rosa dentro, pôs na cabeceira da cama dele, rezou e disse:- Eu ganhei essa flor do Roberto Carlos.”.
Tenho mania, levanto e faço minhas orações lá em cima no prédio do Tijucas, onde moro há vários anos, onde foi o primeiro estúdio, em 1960 do Canal 12, do pioneiro Nagibe Chede.
Ainda estou na televisão, atuando no Programa Salada Mista, no Canal 4, Sbt – Rede Massa.

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