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José Carlos Gasparin Pereira – (2019) Medicina – Curitiba – Paraná

Nasci em Curitiba, na maternidade Victor Ferreira do Amaral, no ano de 1945. Meu pai, Carlos Pereira Filho e minha mãe Angelina Gasparin Pereira. Meu pai era militar, formou-se em medicina, foi para Apucarana onde passei minha infância. Meus avós paternos, Carlos Cândido Pereira e Delfina Rodrigues Pereira. Meus avós maternos, Lucia de Santa Gasparin e Marcos Gasparin.

Casei com a Dulcy Vivan, filha de Olindo Vivan e de Irene Vivan, excelentes sogros e amigos. Tenho quatro filhos: Carlos, Rodrigo, Fernanda e Alexandre. O Carlos casou com Patrícia e meu deu um neto, o Miguel. O Rodrigo casou com a Andressa e me deu um casal de netos, o Gabriel e a Isabela. Da Fernanda, tenho um neto de 14 anos, que é o Bernardo. E o Alexandre, o mais novo estuda medicina e é solteiro. Meu filho Carlos, o mais velho, é médico, radioterapeuta, trabalhamos juntos no Hospital Erasto Gaertner e no Instituto Radion de Curitiba, que é o nosso serviço de radioterapia. Meu filho Rodrigo é engenheiro e mora em Florianópolis e Fernanda trabalha com Comércio Exterior.

Em 1946, fui morar em Apucarana e cresci lá. Fiz o primário na Escola Adventista e aí tem um fato curioso. Era uma escola adventista, por isso, eu frequentava o culto adventista no sábado. No domingo, como católico batizado, frequentava a igreja católica. E durante a semana, eu frequentava as reuniões espiritas que aconteciam na minha casa.

Foi uma fase muito boa da vida, porque eu morava numa cidade do interior, muito pequena e todo mundo se conhecia. Em Apucarana, eramos cercados de japoneses por todos os lados. Os brasileiros que conviviam com os meninos japoneses aprenderam a falar japonês. Isso na década 1950.

Em 1952, foi quando comecei a brincar com aeromodelismo. Tive vários aeromodelos, fabriquei e projetei. Vivia dentro da fábrica de motores de aeromodelo, que era a única fábrica na América do Sul, na época, para motores de aeromodelos, a WB, Wechelock e Baumann em Apucarana.

Tinha uns 10 anos quando comecei a guiar o jipe do meu pai, meu convivio com ele era muito próximo. Ele era médico e eu vivia junto com ele, nos hospitais, e nas consultas, Em função disso, eu sempre imaginei ser médico, de cidade de interior que atendia pediatria, clínica geral, pequenas cirurgias e fazia parto e etc. Sempre gostei da medicina. Tenho uma irmã cerca de quatro anos mais nova, a Vera Lúcia, e eu comecei, aos cinco ou seis anos, a fazer cirurgia nas bonecas dela. Fazia um corte no abdômen, enchia de pomada e colocavamos na cama para recuperação. Depois era aquela confusão, aquela gritaria toda porque eu havia estragado a boneca.

Fiz o ginásio em Apucarana, época fantástica, dos bailes e serenatas. Sempre gostei muito de dançar, ia em todos os bailes e festinhas de Apucarana e das cidades próximas dos 15 aos 18 anos, quando, então, mudei para Curitiba.

Embora meu pai quisesse que eu fizesse engenharia mecânica, por estar sempre envolvido com mecânica, minha mãe sugerindo o Direito, mas acabei fazendo medicina na Universidade Federal do Paraná. Na época que eu entrei na faculdade de medicina, eu já estava empregado na farmácia do Instituto de Medicina do Paraná. Onde fiquei trabalhando desde 1964, até após formado. Em 1970, comecei a trabalhar como acadêmico na radioterapia do Hospital Erasto Gaertner que estava iniciando. Depois de formado continuei com o mesmo grupo e estou lá, até hoje, 49 anos após.

Fui estudar, aprender radioterapia, fazer minha formação em São Paulo, no Hospital Oswaldo Cruz, nos anos de 74-75 onde tive o privilégio de conviver com os melhores médicos do Brasil na área de radioterapia, bem como os médicos americanos e franceses.

Trabalhando no Hospital Erasto Gaertner como acadêmico, aprendi muito com o Doutor Bogdano Nestor Kobylansky, com o Doutor Antero Sadi Pizzatto e com o Doutor Milton Pizzatto Zillioto, médicos titulares do serviço. Após o término do curso de medicina fui aprovado na Sociedade de Oncologia e na de Radioterapia e recebi meus títulos de especialista. Fui convidado para participar do Ministério da Saúde pelo Sr. Ministro Alceni Angelo Guerra, onde trabalhei na área de Oncologia/Radioterapia durante mais de um ano.

Fora da medicina, eu participava de tiro ao alvo. Permaneci no ranqing nacional e fui da equipe paranaense durante mais de 20 anos, tendo sido campeão sul brasileiro e campeão paranaense. Em função disso, trabalhei muito com o pessoal do exército, auxiliando-os na construção de seu stand de tiro do exército. O General Rui de Paula Couto ofereu-me apoio do exército e em conjunto montamos o melhor stand de tiro na época, que era do Santa Mônica Clube de Campo. Em função disso, acabei sendo homenageado com a Comenda da Ordem do Mérito Militar, no grau de Cavaleiro.

Trabalhando no Hospital Erasto Gaertner, eu atingi todos os postos possíveis dentro da instituição: fui chefe de serviço, diretor do hospital, superintendente da Liga Paranaense de Combate ao Câncer e hoje continuo sendo chefe do departamento de radioterapia.

Futebol. Eu moro bem pertinho da Arena do Clube Atlético Paranaense, que eu frequento desde os meus 12 anos de idade. O meu irmão, Ivan Pereira, que foi goleiro do Atlético, bastante conhecido, me levava a todos os jogos. Conservo até hoje a carteira de sócio aspirante que o presidente, da época, o Doutor Abilio Ribeiro me deu.

Como radioterapeuta tratei milhares de pacientes. E é uma coisa extremamente gratificante você encontrar pacientes 5, 10, 20, 40 anos depois, que lembram da gente. Lembram do tratamento que receberam e estão vivos apesar da gravidade da doença.

Essa experiência, essa vivência, os vários cursos que eu fiz nos Estados Unidos, na França, no Canadá, convivendo com os melhores radioterapeutas da época, esse aprendizado, esse ensinamento, me deu condições de montar, a pedido do Euclides Scalco, que era superintendente de Itaipu, o serviço de radioterapia do Hospital Costa Cavalcanti lá em Foz do Iguaçu. Montei também o serviço de radioterapia em Ponta Grossa, outro em Santa Maria no Rio Grande do Sul e outro em Blumenau e tenho o meu serviço que é o Radion – Instituto de Oncologia e Radioterapia de Curitiba, que está funcionando há dois anos.

Eu acho que posso dizer o seguinte: fui um beneficiado pela sorte, pelos amigos que tive, pelos médicos da turma de 72, onde temos as melhores referências médicas do Estado até hoje, e por poder trabalhar no Erasto Gaertner, ser médico radioterapeuta, onde estou há 49 anos; ter ocupado todos os cargos dentro da instituição; ter expandido os meus conhecimentos em várias cidades do Paraná, do Rio Grande e de Santa Catarina. Ter o privilégio de ter sido um atirador razoável, o que me deu condições de viajar pelo Brasil inteiro dando tiro. Sou piloto de avião; tenho carro de corrida antigo, minha vida é muito boa.

A propósito, eu convivi com os médicos formados em 1972, dos quais não posso deixar de citar, o doutor Cavalieri, que é o meu cardiologista. Um médico famoso e extremamente competente. Doutor Nelson do Rosário, que é conhecido mundialmente. Tenho o privilégio de dizer que sou amigo dele. Tem o doutor Lauro João Lobo Alcântara, que é meu amigo de infância desde Apucarana, que talvez eu tenha contribuído pra ele ser o médico competente, famoso hoje na área de otorrino infantil. Outro colega de turma é o doutor Randas Batista Vilela, famoso cirurgião cardíaco, conhecido mundialmente também. São vários não consigo citar todos.

Carros antigos, foi uma paixão a primeira vista. Eu deveria ter uns cinco ou sete anos, quando eu vi pela primeira vez um Citroen. Era um carro diferente, eu morava em Apucarana onde estava cheio de Ford e Chevrolet, mas Citroen não havia. O cara abriu a garagem e tirou o carro e eu me lembro nitidamente, do carro, do barulho do motor, da cor, aquilo foi paixão à primeira vista. Eu queria ter um Citroen desde então. Tentei que meu pai comprasse mas, meu pai nunca comprou, então comprou um Jipe. Os anos se passaram, até que eu consegui comprar um. Aliás, quem achou e comprou meu primeiro Citroen foi a minha mulher, a Dulcy, porque sabia que eu andava atrás. Era um carro complexo, que ninguém queria, os mecânicos já não mexiam mais nesse carro, porque era complicado, tinha que ter ferramentas especiais e aí eu comecei a estudar a sua mecânica. Meu Hobby, foi estudar sua mecânica. Então hoje, em Citroen posso dizer que sou professor de sua mecânica. Conheço todas as suas peças, monto, desmonto como agora mesmo acabei de reformar um. Na minha coleção, tenho hoje cerca de 40 carros fantásticos de épocas inesquecíveis. Uma longa e admirável história, da qual sou apaixonado e precisaria de um livro inteiro para descrever essa paixão.

Também sou motociclista e tenho algumas motos. A mais antiga é uma Honda 125 e quando saia com ela meus filhos diziam “o pai vai entregar pizza”.
Aí comprei uma moto grande, uma Shadow 750. Agora eles não podem falar isso.

Então, essas foram as minhas fases de Citroen, do tiro e do DKW e como sou piloto, chegava no aeroclube e dizia “vamos tomar um cafezinho?”. Pegava o avião e ia a Florianópolis, tomava um café e voltava, pelo prazer de voar. Fiz isso, para Blumenau, Apucarana e assim foi.

E como eu havia dito, a parte mais importante de toda essa história, foi graças a minha mulher, a Dulcy é uma pessoa fantástica! Tem um temperamento dócil e conseguiu me dominar. Eu fico manso na frente dela. Me deu quatro filhos espetaculares que me deram quatro netos. E a ela, na verdade, que é o esteio da família, e eu devo a minha gratidão.

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