Anita Zippin (2016) Direito – Curitiba – Paraná

Nasci em Curitiba, no dia 17 de outubro de 1952, nas mãos do aclamado médico Doutor Moisés Paciornik e sua bela gravata borboleta.

Sou filha do advogado Dálio Zippin, quem dedicou 50 anos de trabalho como advogado, em especial, aos menos favorecidos e de Lili Zippin, mãos de ouro, segundo amigas.

Cresci com alguns lemas da casa paterna e, juntamente com meus irmãos José, Dálio Filho, Sérgio, Diana e Marilu aprendemos e tentamos chegar perto: “quando só se pretende a prática do bem, sempre se triunfa”. Ou, “traga-me sempre dificuldades, as boas notícias me enfraquecem”. Ou, “Dignidade e Bondade, duas maiores moedas do mundo”. Ou,“Haja de tal forma, que mesmo quando falarem mal de ti, ninguém acredite”. E mais, “O Livro Livra”, este que virou carimbo nos mais de 5000 volumes de livros em nossa biblioteca no Palácio de Madeira, no Seminário

Minha avó, Anita, veio da Rússia pela Argentina e se instalou em São Paulo, fundando lá a primeira fábrica de colchões e acolchoados. Com o nascimento de meu pai, veio a Curitiba e abriu a fábrica na rua São Francisco. Conta Anália, quem com minha avó trabalhou desde os 14 anos e foi minha segunda mãe, ficando na família Zippin por 70 anos, até partir em minha casa, onde ela fazia acolchoados com monogramas para as noivas, criação de avó Anita. E para esta Anitinha, quando me casei com Marco Antonio Monteiro da Silva, também ganhei meu presente em monograma, de um lado azul e de outro amarelo, em lã de carneiro, guardo até hoje, como um encontro do passado com o presente.

Anita, minha avó, era de origem judaica, tendo os filhos Sarita Paciornik, José Zippin e Dálio Zippin, meu pai. Tia Sarita teve a Célia Paciornik Galbinski, minha prima querida e pediatra. Casada com o médico José Galbinski, nasceram Eliana, da minha idade, Yeda e Sandra, hoje médica, psicóloga e bioquímica, respectivamente.  Também avó, era espírita e por muitos anos funcionou na Travessa Olavo Bilac o Templo Espiritualista Anita Zippin. Ela partiu em 1949 e, anos depois eu vim e recebi o nome em homenagem a ela.

Minha mãe Lili era do Colégio Cajuru, uma dama e grande artista plástica, com ela aprendi a estar sempre atualizada. Mãe teve aulas de pintura até 84 anos, quando partiu, dizendo que a gente deve sempre aprender, cada dia mais e mais. E com ela veio minha paixão pelas belas mesas, como se em todas as noites existisse um banquete. Etiqueta e carinho, em primeiro lugar.

Desta família, de berço de brilhantes em noites de luar, vim. Estudei no Grupo Escolar D. Pedro II, no Seminário, perto de nossa casa de infância. Quase à frente, tinha o Cine Marajó que muito fez parte de minha vida, quer pelos amigos que tenho até hoje, quer como admiradora da Sétima Arte, podendo ser considerada, com o tempo crítica de cinema.

No Colégio Cajuru, eu ia com Diana, no ônibus azul e muitas de nossas colegas, até hoje nos encontramos e nos abraçamos. Mas, logo vim ao grande e belo Colégio Estadual do Paraná, com o Diretor Geral Ernani Costa Straube, hoje meu colega de Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, para meu orgulho.

De lá, prestei vestibular para Direito na Universidade Federal do Paraná, me formando em 1974. Até hoje, a turma se reúne e muitas vezes, parece que estamos na sala daquele prédio suntuoso, fundado em 19 de dezembro de 1912, com escadarias que poderiam contar muitas histórias do Paraná.

Minha formação é também em Jornalismo, atuando em diversos jornais e revistas do Paraná, Brasil e Argentina, onde consegui o marco de 3000 crônicas publicadas durante a carreira. Tenho como padrinhos e incentivadores, dentre tantos, Dr. Francisco Cunha Pereira Filho, quem pela primeira vez publicou matéria de minha autoria. Aceitava sempre minhas crônicas e com José Wanderlei Dias, eu ia caminhando quase que diariamente com uma matéria, lado a lado com meu exemplo maior este Wanderlei das 7000 crônicas que agora deve escrever para meu Dálio Pai, lá nas estrelas. Também Moisés Paciornik, Dino Almeida, Juril Carnasciali e tantos outros colegas de página e de belo jornal.

Escrevi também para o jornal Indústria e Comércio, de Odone Martins e, quem me cuidava com todo carinho era o Aroldo Murá. Também fui fundadora do Jornal A Folha da Imprensa, jornal vespertino e ajudava Dr. Francisco, quase todas as tardes a fechar a coluna da Gazeta do Povo denominada Entrelinhas. Era um grande momento, porque ficávamos reunidos e colocávamos desde avisos de cursos, programações culturais, muitas cenas pitorescas que assistíamos durante o dia. Exemplo, um cão que entrou no ônibus na praça Zacarias e escolheu a Vicente Machado para passear na janela. E assim seguia eu, depois de ter cumprido meu expediente como assessora jurídica por 37 anos, junto ao Poder Judiciário.

No Tribunal de Justiça, ingressei a convite do então Desembargador Presidente Armando Carneiro. Contou diversas histórias belas dele como assessor de meu Dálio Pai no escritório da rua XV, onde todos saíam felizes, porque nosso pai tinha sempre “resposta na ponta da língua”

Lá, tive participação na criação da Comissão Estadual Judiciária de Adoção, CEJA, através dos magistrados Moacir Guimarães, Tufi Maron, desembargador Jorge Andriguetto e José Wanderlei Resende, além de assessorar com muito orgulho, o Desembargador Joatan Marcos de Carvalho. Num belo dia de sol, o então deputado federal e amigo Airton Cordeiro me perguntou o que o Tribunal teria de bom para ele apresentar no Planalto. Eu falei da Comissão que cuida da Adoção, inclusive a internacional, para que não haja tráfico de crianças e de órgãos humanos. E lá fomos debater o tema e hoje está no Estatuto da Criança e do Adolescente: “todo Estado Brasileiro pode ter CEJA…”!  Nosso projeto era “deve ter CEJA” mas no debate, foram mais brandos. Atualmente, todos os Estados tem CEJA e coíbem o tráfico, além de melhor acompanhar a adoção internacional. Tudo fruto destes belos filhos do Paraná.

Um dos momentos marcantes também foi quando fui à Telepar, quando era Presidente o amigo Luiz Alberto Martins de Oliveira. Propus a ele me tornar Diretora de Cultura da Presidência da Telepar, e fiz com este grande administrador e com o Conselho de Cultura por nós dois criados, nove eventos culturais, em nove meses e o melhor… sem ônus para a empresa. Isto que é fazer Cultura, Anita! Sempre ele lembrava com carinho. Foi a primeira vez que fizemos concurso para a capa da lista telefônica, que o coral se apresentou nas escadarias e que consegui uma máquina mágica que projetava telas de autores internacionais em tamanho 12 por 18 metros, tudo acontecendo no grande Natal da Telepar. Logo… empresa privatizada. Mas, toda vez que olho para aquele enorme prédio, lembro dos artistas também do Paraná que tiveram suas obras expostas no paredão da Telepar e, na mesma noite, em coquetel no Solar do Rosário da incentivadora das artes Regina Casillo.

Fui Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes-Conen, hoje Conselho Antidrogas, quando secretário de Estado, o grande cavalheiro e competente administrador Pretextato Taborda Ribas. Além de tudo, nós dois tínhamos mais um ponto em comum, ele era dos que mais entendia de Cinema. E, no meio de tantas campanhas de prevenção às drogas, sempre sobrava um tempo para falarmos dos filmes, dos atores, das Noites do Oscar, etc. E quando eu ia a Brasília, era ano 2000, tinha atendimento especial do General Alberto Mendes Cardoso, então Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Ele era primo do então Presidente Fernando Henrique Cardoso. Com certeza, nesta época, através de meu diálogo e programas também sem ônus para o Governo, o Paraná tinha um tratamento especial. Qual programa? Jovem Cidadão, Atleta Cidadão, Pai Cidadão, Mestre Cidadão, Profissional Cidadão, todos criados por mim e divulgados no Brasil, com o slogan “Perto do Esporte, Longe das Drogas”!

E no Rotary Club Curitiba Gralha Azul, sou uma das três primeiras profissionais aceitas em importante clube de serviço no Brasil, quando era clube exclusivamente para homens. Até hoje um clube dos mais eficientes e de bem com a comunidade. Lá, criamos a campanha:” Adote um Velho , de preferência o Seu”. E outra, semelhante, “Adote um Velho e torne-o um Idoso feliz”!

Tenho livros publicados, “O Dálio Que Eu Vi”, sobre meu Dálio Pai, que partiu em 1981, no dia do meu aniversário. Também, “Década”, dez anos de crônicas, “Pais. Filhos. Encontros. Desencontros” e, em produção a obra “Palácio de Madeira” que escrevo devagar, sempre a  recordar a nossa casa de infância, o bosque, os vizinhos, a vida bem vivida.

Na atualidade, sou Presidente da Academia de Letras José de Alencar, entidade cultural fundada há 80 anos, desde 1939,onde conto com o apoio incondicional do General Hamilton Bonat, Tânia Rosa Cascaes, João Carlos Cascaes, João Carlos Bonat, Rosana Andriguetto, Joatan Marcos de Carvalho, Vera Rauta, Arioswaldo T. Cruz, Celso Portugal, Francisco Souto neto, dentre outros brilhantes colegas deste sodalício. Criamos o programa Antologia de Bolso em 10 volumes, que sai  a cada semestre, 12 mil exemplares distribuídos à comunidade, com o apoio da Editora Bonijuris, leia-se Luiz Fernando Queiroz e Desembargador Joatan Marcos de Carvalho, presidente do Conselho Editorial. Também em diálogo cultural, criamos a coleção Helena Kolody, onde serão 20 escritores a enfeitar a estante José de Alencar, forma singela mas marcante de homenagear a nossa Fadinha das Letras, como eu chamava nossa musa.

Quando pensava que no outono da vida, mãe de Ariadne, diretora de marketing e Rodrigo Otávio advogado e Professor de Processo Civil, além de avó de Luiza ,23 e de Rafaela 20 já estava completa, eis que minha vida voltou a ter ares de primavera e encontrei o amor de cinema. Acho que vi muito filme e veio para mim Geraldo Herbert Fuchs, com quem estou casada há 14 anos. Antes casada com colega de turma, advogado, filha de advogado, irmã de advogado, agora, Geraldo é Joalheiro e Relojoeiro, pai de 5 filhos e 8 netos. Então, a família está formada e o café da noite é um conto de fadas. As mesas para dois ou convidados, sempre um brinde à vida!

Neste prólogo, agora vou contar: há 14 anos prático natação, estilo costas. Para minha alegria, neste momento em que escrevo, posso deixar aqui gravado algo muito importante em minha vida. Comecei a nadar 500 metros. Quando cheguei a 1000 metros, uma festa! E assim, gradativamente, fui aumentando. Competi, ganhei algumas medalhas, mas, a maior é a minha perseverança e de 3000 metros, há dois anos resolvi pular para 4000 metros e iniciar natação como sócia, na Sociedade Thalia. Assim não ficaria presa aos 50 minutos de uma aula, mas poderia ficar lá quanto quisesse. Por isso, no momento que escrevo a minha história, conto que comecei na nova academia, por brincadeira, a contar os quilômetros. Consigo nadar duas horas por dia e neste instante acredite se quiser, completo 1500 quilômetros. Não tem frio, dor de cabeça, gripe que me afaste da piscina. Se servir de exemplo, deixei este talismã de minha vida por último, como forma maior de desejar a todos que fiquem como meu sinto nesta Route 66: sempre jovem, eternamente jovem. É como gostarei que meu leitor também se sinta ao ler minha trajetória, terminando com um poema de minha autoria:

A  P O R T A   D O   B O S Q U E

A porta do bosque, aí, a porta do bosque!

Abra a porta, pode entrar e sentir a emoção de adolescente.

Entre, entre, entre!

Caminhe, sonhe, pense, recorde.

Ligue, chame, corra, fale.

Deite, abra, feche, ame.

Suba, levante, acredite, realize.

Aviste, toque, sinta, emocione.

Chore, ria, lute, amenize.

Suba, desça, veja, raciocine.

Pule, apalpe, prenda, balance.

Ilusione, respire, inebrie, poetize.

Leve, sorria, surpreenda, concretize.

Busque, faça, aconteça, localize.

Idolatre, acalme, ouça, profetize.

Agarre, pegue, cheire… eternize.

Quando quiser, saia, leve consigo a chave e volte quando o coração pedir, quando a razão não interferir, quando o tempo nem voar, quando a emoção vier para ficar.

Venha, traga consigo alma gêmea, aproveite o bosque da vida.

Seja feliz para todo o sempre! Sim, eternamente, eternamente.

Esta é a minha história!

 

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