Alcino Miguel de Amorim (2018) Administração – Jaraguá – Goiás

Nasci em Jaraguá, um dos locais de mineração em Goiás, em 29-9-1937. Quinto filho de Antônio Fernandes de Amorim e Jeromina Rodrigues de Amorim, que tiveram doze filhos. Eles ainda adotaram sete crianças muito pobres, três meninas e quatro meninos, sendo quatro pretos e dois surdos. Também, após tentativas junto ao prefeito e governador, sem solução, construíram um asilo na cidade. Meu pai teve um tio, o general Heliodoro Amorim, que conseguiu a obrigatoriedade dos componentes do Exército passassem a praticar a educação física.

Em Jaraguá, trabalhei na lavoura, no controle de gado, amansando cavalos, na construção de cerca ao redor do sítio, cuidei de agência de bicicleta, de clube, fiz política estudantil, joguei futebol e muitos outros trabalhos, além de já naquela época sempre me colocar contra o bullying, principalmente nas escolas.

Nos anos de 1957 e 1958, estive em Goiânia aonde trabalhei em uma firma de representações, no Centro Cívico, onde fiz bons negócios para o escritório. Depois, eu fui assistente técnico do Secretário de Estado da Saúde, Irani Alves Ferreira. Ali, em uma reunião no Colégio Estadual, eu e mais oito estudantes lançamos o estudante de Direito Iris Resende Machado e o professor Nion Albernaz como candidatos a Vereador apoiados pela classe, o primeiro pelo PSD, maior da época, e o segundo pelo PTN. Ambos foram eleitos e nunca mais deixaram de candidatar e serem eleitos.

Em 1959, para atender desejo dos meus pais, que desejavam ver todos os filhos diplomados em cursos superiores, vim para Curitiba, juntamente com um irmão logo abaixo de mim e fomos morar em uma república de militares do Exército e da Aeronáutica. Formei-me em Ciências Econômicas. A partir de 1960, comecei a trazer outros irmãos para também estudarem aqui. Vieram sete. Com muito trabalho, consegui que eles se formassem. Os demais também obtiveram seu diploma de nível superior.

Aqui em Curitiba, fui funcionário da empresa Ligadura Gessada Ortofix, cuja fórmula tinha sido criada pelo meu irmão, Sandino Amorim. Depois fui para o restaurante da UPE, onde acabei assumindo a superintendência do Restaurante Universitário, que contava com 500 comensais e muita reclamação. Havia funcionários, com dezenas de anos trabalhando ali, sem carteira assinada. Então, num acerto com o IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários para pagarmos o passivo assim que fossemos podendo, pude assinar a carteira de trabalho de todos. Também, reduzi o horário de nove e meia para oito horas. Consegui que a Pepsi-Cola fornecesse o uniforme a todos os vinte e seis servidores. Sugeri que solicitássemos ao Governo do Estado a doação do prédio, o que conseguimos. Cortei os cartões de refeição gratuita, razão porque, um jornalista, não tendo conseguido que eu voltasse atrás, publicou no jornal Última Hora uma entrevista de página inteira, falsa, para me complicar…nem dei importância. Quando saí, havia 1.750 comensais, sem reclamações. Depois, fui eleito tesoureiro geral da UPE. Também limpei o nome da entidade, procurando saber onde havia conta perdida, como no açougue Garmatter. Em função de ter colocado as contas em ordem, pude oportunizar a compra de um caminhão e uma caminhonete zeros. Sempre com muito apoio do presidente Júlio César Giovannetti Júnior.

O governador Ney Braga, pretendendo saber quais os reais desejos da população de cada cidade, designou uma equipe de cinco pessoas, na qual eu estava incluído, para realizar essa pesquisa e o órgão escolhido foi a FATR. Após concluirmos esse trabalho, eu fui mandado pela diretoria da FATR a corrigir as falhas existentes no departamento de pessoal, em função do extenso conhecimento da CLT que obtive quando Superintendente e Tesoureiro da UPE, apesar de o seu diretor ser um advogado. Fui designado a dar uma palestra às educadoras rurais sobre alguns assuntos, especialmente sobre o FGTS que recém havia sido criado. Ali tive informação de que elas eram proibidas de casar, sob pena de demissão. Informei a elas de que se tratava de algo irregular e que elas poderiam sim casar porque eu arrumaria advogado para defendê-las e, na sequência, falando com a diretoria, suspenderam a ordem indevida. Em seguida, fui selecionado para uma das duas vagas oferecidas ao Paraná para participar de um curso sobre associativismo no CETATE, em Campinas, patrocinado pelos governos Brasileiro, Paulista e dos EEUU. A partir daí, passei muito tempo fazendo palestras sobre cooperativismo por todo o Estado. Esse trabalho ajudou na criação de muitas cooperativas, sendo que a maior do Brasil está em Campo Mourão, a COAMA.

Fui convidado pelo Dr. Luiz Geraldo Caillet Ferreira dos Santos, para trabalhar no Cerimonial do Palácio Iguaçu, contudo a diretoria da FATR não concordou, tendo então o Governador me requisitado e ali consegui muitas mudanças. Por exemplo, no caso das refeições, quando oferecidas no Palácio, consegui a mudança do fornecedor para um que viabilizava melhor qualidade e menor preço. Também, sugeri que nessas ocasiões, os motoristas que traziam e aguardavam as autoridades, também recebessem a mesma refeição, apenas sem guarnições. Além disso, percebi que uma gratificação de um terço do salário era paga somente aos funcionários comissionados. Propus a extensão a todos os funcionários de carreira que trabalhavam no Palácio, contudo o governador alegou sua impossibilidade diante do alto custo. Fiz um levantamento comprovando o contrário, sendo então autorizada.

Em 1973, o Reitor, que iria assumir a Universidade Federal do Paraná – UFPR, me convidou para ser seu Chefe de Gabinete. Embora eu não desejasse sair do Palácio, o Governador, que era compadre do Professor Theodócio Jorge Atherino, determinou que eu fosse para lá. O Professor Theodócio me deu autorização e liberdade para desempenhar, dentro da legalidade, como entendesse certo para o bem da Universidade. A partir, disso, conseguimos: ampliar o atendimento do Hospital de Clínicas, que passou de 150 para 450 leitos; a reativação Fazenda pertencente à Universidade que servia para atender aos experimentos do Setor de Ciências Agrárias, além de fornecer alimentação ao HC; autorização, junto ao general Samuel Augusto Alves Corrêa, Comandante da 5ª Região Militar, para reabertura dos diretórios acadêmicos; que a representação da comunidade nos Conselhos da Unidade passasse a ser paritária, dos patrões e dos empregados; que os cargos comissionados da Reitoria fossem ocupados por servidores de carreira; que os diplomas fossem entregues registrados no ato da formatura. Numa viagem ao Rio de Janeiro, consegui que aquele enorme terreno em frente ao Centro Politécnico passasse para a UFPR. Conseguimos 172 milhões de cruzeiros novos para construção do Setor de Ciências Biológicas. Realizamos bastante e corrigimos alguns erros. Inclusive com interferência minha, foi criada a Associação dos Funcionários, que hoje é forte. Permaneci, como Chefe de Gabinete de Universidade por doze anos, nas gestões dos Professores Theodócio Jorge Atherino, Ocyron Cunha e Alcy Joaquim Ramalho. Não continuei, apesar de convidado, por decisão própria.

Fui convidado e assumi a chefia de gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, quando foi Secretário o Dr. Oscar Alves, e ali consegui que algumas coisas fossem realizadas, entre elas, a exoneração de funcionários fantasmas. Também, convidei os funcionários a criarem a Associação dos Servidores da Saúde. O mais difícil foi convencer as associações de servidores da Fundação de Saúde e do IPE a se unirem.

Após vários convites do Professor Ocyron Cunha, fui participar do Conselho do CIEE-PR e logo em seguida, em 2000, com forte apoio dos conselheiros Ney Braga, Francisco da Cunha Pereira, Jaime Canet Júnior e dos amigos Affonso Alves de Camargo Neto e Reinhold Stephanes, fui eleito presidente desta entidade, que existia há trinta e quatro anos e nenhum diretor havia visitado qualquer posto no interior. Visitei todos e dialoguei com muita clareza com todos os funcionários, dando-lhes liberdade de me ligarem e, atendendo a algumas sugestões, muito mudei ali. Comprei vários imóveis, inclusive em Curitiba. E, no interior, com a aquisições dos novos imóveis, pude alocar postos que funcionavam em próprios de prefeituras ou associações comerciais. Quando assumi o CIEE-PR contava com doze mil e oitocentos estagiários e, em dois anos, chegamos a vinte e nove mil. O interior que contava com vinte por cento passou para sessenta. Também, terminei o mandato deixando o caixa superavitário.

O meu sucesso na direção da UPE e no CIEE-PR foi simplesmente em razão de eu ter dialogado sem rodeios com todos os funcionários, respeitando seus direitos e cobrando deveres. Chefes que se julgam superiores e humilham os trabalhadores geralmente fracassam porque não tomam conhecimento das demandas de campo.

Logo após chegar aqui, fiz amizade com o Affonso Alves de Camargo Neto, de quem coordenei algumas campanhas, mas nunca assumi qualquer cargo indicado por ele que a representação da comunidade nos Conselhos da Unidade passasse a ser paritária, dos patrões e dos empregados. Entretanto, quando alguém me solicitava algo que fosse legal, e eu não tivesse condição de atender, pedia ao mesmo e ele logo resolvia. Em determinada época, quando eu ainda estudava, cogitou que eu me candidatasse a vereador, mas não levei adiante a ideia porque não me atraia. Também, em 1994, pretendeu que eu administrasse todos os seus bens, todavia, como eram muitos e eu havia recém feito um tratamento no coração, não pude aceitar. Foi uma pessoa com quem tive muito diálogo sobre vários assuntos.

O General Ney Aminthas de Barros Braga, não tanto quanto o Affonso Camargo, também me convidava frequentemente para conversar. Em uma dessas vezes, estávamos no Gabinete do Reitor e, já de madrugada, ele me perguntou o que fazer para agradar os estudantes e eu respondi: o crédito educativo. Sugeri isso inspirado no modelo de financiamento estudantil que havia na Prefeitura Municipal de Curitiba, cujo conhecimento tive por ser, na época, membro representante da UFPR junto ao mesmo. Ele me replicou com um “você está louco, o ministério não tem dinheiro para isto”. Ponderei então dizendo que a Caixa Econômica tinha e que o seu presidente fora indicação sua. Um mês depois, ele já começou o projeto pelo Nordeste. O Ney, em épocas diferentes, me convidou para cinco cargos, mas eu não aceitei, atendendo a uma convicção pessoal de não sair de onde estava com o simples propósito de ganhar mais.

Eu não tinha pretensão de casar, mas vejam como as coisas acontecem; também não queria sair do Palácio Iguaçu e ir para a UFPR. Mas, me mandaram para lá e ali conheci uma moça chamada Silvia de Fátima, bonita, melhor datilógrafa que conheci, boa em português, trabalhadora e simpática. Aí eu utilizei de toda a minha capacidade para convencê-la a ir até o Cartório do Portão comigo, somente nós dois, pois eu conhecia milhares de pessoas e não tinha como fazer festa sem desagradar alguns. Hoje é moderno isso, “elopement wedding”. O juiz que estava presidindo o ato, Dr. Altair Ferdinando Patitucci, por ser conhecido, me indagou o que eu estava fazendo ali e eu pedi que ele olhasse os papéis. A Silvia de Fátima Amorim, formou-se em administração e direito, passou em concurso para o Banco do Brasil, Banco Central e Receita Federal. Tivemos a filha Ana Gabriella Amorim, arquiteta e fotógrafa, que sempre  se classificou entre os primeiros em todos os cursos que fez,e também , tem muito talento artístico.

Atualmente, permaneço desempenhando a função de membro do Conselho Deliberativo do CIEE-PR. Considero-me uma pessoa satisfeita pessoal e profissionalmente pelas realizações conseguidas. Apesar dos muitos sacrifícios e lutas, sinto-me feliz com tudo que desempenhei.

Nasci em Jaraguá, um dos locais de mineração em Goiás, em 29-9-1937. Quinto filho de Antônio Fernandes de Amorim e Jeromina Rodrigues de Amorim, que tiveram doze filhos. Eles ainda adotaram sete crianças muito pobres, três meninas e quatro meninos, sendo quatro pretos e dois surdos. Também, após tentativas junto ao prefeito e governador, sem solução, construíram um asilo na cidade. Meu pai teve um tio, o general Heliodoro Amorim, que conseguiu a obrigatoriedade dos componentes do Exército passassem a praticar a educação física.

Em Jaraguá, trabalhei na lavoura, no controle de gado, amansando cavalos, na construção de cerca ao redor do sítio, cuidei de agência de bicicleta, de clube, fiz política estudantil, joguei futebol e muitos outros trabalhos, além de já naquela época sempre me colocar contra o bullying, principalmente nas escolas.

Nos anos de 1957 e 1958, estive em Goiânia aonde trabalhei em uma firma de representações, no Centro Cívico, onde fiz bons negócios para o escritório. Depois, eu fui assistente técnico do Secretário de Estado da Saúde, Irani Alves Ferreira. Ali, em uma reunião no Colégio Estadual, eu e mais oito estudantes lançamos o estudante de Direito Iris Resende Machado e o professor Nion Albernaz como candidatos a Vereador apoiados pela classe, o primeiro pelo PSD, maior da época, e o segundo pelo PTN. Ambos foram eleitos e nunca mais deixaram de candidatar e serem eleitos.

Em 1959, para atender desejo dos meus pais, que desejavam ver todos os filhos diplomados em cursos superiores, vim para Curitiba, juntamente com um irmão logo abaixo de mim e fomos morar em uma república de militares do Exército e da Aeronáutica. Formei-me em Ciências Econômicas. A partir de 1960, comecei a trazer outros irmãos para também estudarem aqui. Vieram sete. Com muito trabalho, consegui que eles se formassem. Os demais também obtiveram seu diploma de nível superior.

Aqui em Curitiba, fui funcionário da empresa Ligadura Gessada Ortofix, cuja fórmula tinha sido criada pelo meu irmão, Sandino Amorim. Depois fui para o restaurante da UPE, onde acabei assumindo a superintendência do Restaurante Universitário, que contava com 500 comensais e muita reclamação. Havia funcionários, com dezenas de anos trabalhando ali, sem carteira assinada. Então, num acerto com o IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários para pagarmos o passivo assim que fossemos podendo, pude assinar a carteira de trabalho de todos. Também, reduzi o horário de nove e meia para oito horas. Consegui que a Pepsi-Cola fornecesse o uniforme a todos os vinte e seis servidores. Sugeri que solicitássemos ao Governo do Estado a doação do prédio, o que conseguimos. Cortei os cartões de refeição gratuita, razão porque, um jornalista, não tendo conseguido que eu voltasse atrás, publicou no jornal Última Hora uma entrevista de página inteira, falsa, para me complicar…nem dei importância. Quando saí, havia 1.750 comensais, sem reclamações. Depois, fui eleito tesoureiro geral da UPE. Também limpei o nome da entidade, procurando saber onde havia conta perdida, como no açougue Garmatter. Em função de ter colocado as contas em ordem, pude oportunizar a compra de um caminhão e uma caminhonete zeros. Sempre com muito apoio do presidente Júlio César Giovannetti Júnior.

O governador Ney Braga, pretendendo saber quais os reais desejos da população de cada cidade, designou uma equipe de cinco pessoas, na qual eu estava incluído, para realizar essa pesquisa e o órgão escolhido foi a FATR. Após concluirmos esse trabalho, eu fui mandado pela diretoria da FATR a corrigir as falhas existentes no departamento de pessoal, em função do extenso conhecimento da CLT que obtive quando Superintendente e Tesoureiro da UPE, apesar de o seu diretor ser um advogado. Fui designado a dar uma palestra às educadoras rurais sobre alguns assuntos, especialmente sobre o FGTS que recém havia sido criado. Ali tive informação de que elas eram proibidas de casar, sob pena de demissão. Informei a elas de que se tratava de algo irregular e que elas poderiam sim casar porque eu arrumaria advogado para defendê-las e, na sequência, falando com a diretoria, suspenderam a ordem indevida. Em seguida, fui selecionado para uma das duas vagas oferecidas ao Paraná para participar de um curso sobre associativismo no CETATE, em Campinas, patrocinado pelos governos Brasileiro, Paulista e dos EEUU. A partir daí, passei muito tempo fazendo palestras sobre cooperativismo por todo o Estado. Esse trabalho ajudou na criação de muitas cooperativas, sendo que a maior do Brasil está em Campo Mourão, a COAMA.

Fui convidado pelo Dr. Luiz Geraldo Caillet Ferreira dos Santos, para trabalhar no Cerimonial do Palácio Iguaçu, contudo a diretoria da FATR não concordou, tendo então o Governador me requisitado e ali consegui muitas mudanças. Por exemplo, no caso das refeições, quando oferecidas no Palácio, consegui a mudança do fornecedor para um que viabilizava melhor qualidade e menor preço. Também, sugeri que nessas ocasiões, os motoristas que traziam e aguardavam as autoridades, também recebessem a mesma refeição, apenas sem guarnições. Além disso, percebi que uma gratificação de um terço do salário era paga somente aos funcionários comissionados. Propus a extensão a todos os funcionários de carreira que trabalhavam no Palácio, contudo o governador alegou sua impossibilidade diante do alto custo. Fiz um levantamento comprovando o contrário, sendo então autorizada.

Em 1973, o Reitor, que iria assumir a Universidade Federal do Paraná – UFPR, me convidou para ser seu Chefe de Gabinete. Embora eu não desejasse sair do Palácio, o Governador, que era compadre do Professor Theodócio Jorge Atherino, determinou que eu fosse para lá. O Professor Theodócio me deu autorização e liberdade para desempenhar, dentro da legalidade, como entendesse certo para o bem da Universidade. A partir, disso, conseguimos: ampliar o atendimento do Hospital de Clínicas, que passou de 150 para 450 leitos; a reativação Fazenda pertencente à Universidade que servia para atender aos experimentos do Setor de Ciências Agrárias, além de fornecer alimentação ao HC; autorização, junto ao general Samuel Augusto Alves Corrêa, Comandante da 5ª Região Militar, para reabertura dos diretórios acadêmicos; que a representação da comunidade nos Conselhos da Unidade passasse a ser paritária, dos patrões e dos empregados; que os cargos comissionados da Reitoria fossem ocupados por servidores de carreira; que os diplomas fossem entregues registrados no ato da formatura. Numa viagem ao Rio de Janeiro, consegui que aquele enorme terreno em frente ao Centro Politécnico passasse para a UFPR. Conseguimos 172 milhões de cruzeiros novos para construção do Setor de Ciências Biológicas. Realizamos bastante e corrigimos alguns erros. Inclusive com interferência minha, foi criada a Associação dos Funcionários, que hoje é forte. Permaneci, como Chefe de Gabinete de Universidade por doze anos, nas gestões dos Professores Theodócio Jorge Atherino, Ocyron Cunha e Alcy Joaquim Ramalho. Não continuei, apesar de convidado, por decisão própria.

Fui convidado e assumi a chefia de gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, quando foi Secretário o Dr. Oscar Alves, e ali consegui que algumas coisas fossem realizadas, entre elas, a exoneração de funcionários fantasmas. Também, convidei os funcionários a criarem a Associação dos Servidores da Saúde. O mais difícil foi convencer as associações de servidores da Fundação de Saúde e do IPE a se unirem.

Após vários convites do Professor Ocyron Cunha, fui participar do Conselho do CIEE-PR e logo em seguida, em 2000, com forte apoio dos conselheiros Ney Braga, Francisco da Cunha Pereira, Jaime Canet Júnior e dos amigos Affonso Alves de Camargo Neto e Reinhold Stephanes, fui eleito presidente desta entidade, que existia há trinta e quatro anos e nenhum diretor havia visitado qualquer posto no interior. Visitei todos e dialoguei com muita clareza com todos os funcionários, dando-lhes liberdade de me ligarem e, atendendo a algumas sugestões, muito mudei ali. Comprei vários imóveis, inclusive em Curitiba. E, no interior, com a aquisições dos novos imóveis, pude alocar postos que funcionavam em próprios de prefeituras ou associações comerciais. Quando assumi o CIEE-PR contava com doze mil e oitocentos estagiários e, em dois anos, chegamos a vinte e nove mil. O interior que contava com vinte por cento passou para sessenta. Também, terminei o mandato deixando o caixa superavitário.

O meu sucesso na direção da UPE e no CIEE-PR foi simplesmente em razão de eu ter dialogado sem rodeios com todos os funcionários, respeitando seus direitos e cobrando deveres. Chefes que se julgam superiores e humilham os trabalhadores geralmente fracassam porque não tomam conhecimento das demandas de campo.

Logo após chegar aqui, fiz amizade com o Affonso Alves de Camargo Neto, de quem coordenei algumas campanhas, mas nunca assumi qualquer cargo indicado por ele que a representação da comunidade nos Conselhos da Unidade passasse a ser paritária, dos patrões e dos empregados. Entretanto, quando alguém me solicitava algo que fosse legal, e eu não tivesse condição de atender, pedia ao mesmo e ele logo resolvia. Em determinada época, quando eu ainda estudava, cogitou que eu me candidatasse a vereador, mas não levei adiante a ideia porque não me atraia. Também, em 1994, pretendeu que eu administrasse todos os seus bens, todavia, como eram muitos e eu havia recém feito um tratamento no coração, não pude aceitar. Foi uma pessoa com quem tive muito diálogo sobre vários assuntos.

O General Ney Aminthas de Barros Braga, não tanto quanto o Affonso Camargo, também me convidava frequentemente para conversar. Em uma dessas vezes, estávamos no Gabinete do Reitor e, já de madrugada, ele me perguntou o que fazer para agradar os estudantes e eu respondi: o crédito educativo. Sugeri isso inspirado no modelo de financiamento estudantil que havia na Prefeitura Municipal de Curitiba, cujo conhecimento tive por ser, na época, membro representante da UFPR junto ao mesmo. Ele me replicou com um “você está louco, o ministério não tem dinheiro para isto”. Ponderei então dizendo que a Caixa Econômica tinha e que o seu presidente fora indicação sua. Um mês depois, ele já começou o projeto pelo Nordeste. O Ney, em épocas diferentes, me convidou para cinco cargos, mas eu não aceitei, atendendo a uma convicção pessoal de não sair de onde estava com o simples propósito de ganhar mais.

Eu não tinha pretensão de casar, mas vejam como as coisas acontecem; também não queria sair do Palácio Iguaçu e ir para a UFPR. Mas, me mandaram para lá e ali conheci uma moça chamada Silvia de Fátima, bonita, melhor datilógrafa que conheci, boa em português, trabalhadora e simpática. Aí eu utilizei de toda a minha capacidade para convencê-la a ir até o Cartório do Portão comigo, somente nós dois, pois eu conhecia milhares de pessoas e não tinha como fazer festa sem desagradar alguns. Hoje é moderno isso, “elopement wedding”. O juiz que estava presidindo o ato, Dr. Altair Ferdinando Patitucci, por ser conhecido, me indagou o que eu estava fazendo ali e eu pedi que ele olhasse os papéis. A Silvia de Fátima Amorim, formou-se em administração e direito, passou em concurso para o Banco do Brasil, Banco Central e Receita Federal. Tivemos a filha Ana Gabriella Amorim, arquiteta e fotógrafa, que sempre  se classificou entre os primeiros em todos os cursos que fez,e também , tem muito talento artístico.

Atualmente, permaneço desempenhando a função de membro do Conselho Deliberativo do CIEE-PR. Considero-me uma pessoa satisfeita pessoal e profissionalmente pelas realizações conseguidas. Apesar dos muitos sacrifícios e lutas, sinto-me feliz com tudo que desempenhei.

Nasci em Jaraguá, um dos locais de mineração em Goiás, em 29-9-1937. Quinto filho de Antônio Fernandes de Amorim e Jeromina Rodrigues de Amorim, que tiveram doze filhos. Eles ainda adotaram sete crianças muito pobres, três meninas e quatro meninos, sendo quatro pretos e dois surdos. Também, após tentativas junto ao prefeito e governador, sem solução, construíram um asilo na cidade. Meu pai teve um tio, o general Heliodoro Amorim, que conseguiu a obrigatoriedade dos componentes do Exército passassem a praticar a educação física.

Em Jaraguá, trabalhei na lavoura, no controle de gado, amansando cavalos, na construção de cerca ao redor do sítio, cuidei de agência de bicicleta, de clube, fiz política estudantil, joguei futebol e muitos outros trabalhos, além de já naquela época sempre me colocar contra o bullying, principalmente nas escolas.

Nos anos de 1957 e 1958, estive em Goiânia aonde trabalhei em uma firma de representações, no Centro Cívico, onde fiz bons negócios para o escritório. Depois, eu fui assistente técnico do Secretário de Estado da Saúde, Irani Alves Ferreira. Ali, em uma reunião no Colégio Estadual, eu e mais oito estudantes lançamos o estudante de Direito Iris Resende Machado e o professor Nion Albernaz como candidatos a Vereador apoiados pela classe, o primeiro pelo PSD, maior da época, e o segundo pelo PTN. Ambos foram eleitos e nunca mais deixaram de candidatar e serem eleitos.

Em 1959, para atender desejo dos meus pais, que desejavam ver todos os filhos diplomados em cursos superiores, vim para Curitiba, juntamente com um irmão logo abaixo de mim e fomos morar em uma república de militares do Exército e da Aeronáutica. Formei-me em Ciências Econômicas. A partir de 1960, comecei a trazer outros irmãos para também estudarem aqui. Vieram sete. Com muito trabalho, consegui que eles se formassem. Os demais também obtiveram seu diploma de nível superior.

Aqui em Curitiba, fui funcionário da empresa Ligadura Gessada Ortofix, cuja fórmula tinha sido criada pelo meu irmão, Sandino Amorim. Depois fui para o restaurante da UPE, onde acabei assumindo a superintendência do Restaurante Universitário, que contava com 500 comensais e muita reclamação. Havia funcionários, com dezenas de anos trabalhando ali, sem carteira assinada. Então, num acerto com o IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários para pagarmos o passivo assim que fossemos podendo, pude assinar a carteira de trabalho de todos. Também, reduzi o horário de nove e meia para oito horas. Consegui que a Pepsi-Cola fornecesse o uniforme a todos os vinte e seis servidores. Sugeri que solicitássemos ao Governo do Estado a doação do prédio, o que conseguimos. Cortei os cartões de refeição gratuita, razão porque, um jornalista, não tendo conseguido que eu voltasse atrás, publicou no jornal Última Hora uma entrevista de página inteira, falsa, para me complicar…nem dei importância. Quando saí, havia 1.750 comensais, sem reclamações. Depois, fui eleito tesoureiro geral da UPE. Também limpei o nome da entidade, procurando saber onde havia conta perdida, como no açougue Garmatter. Em função de ter colocado as contas em ordem, pude oportunizar a compra de um caminhão e uma caminhonete zeros. Sempre com muito apoio do presidente Júlio César Giovannetti Júnior.

O governador Ney Braga, pretendendo saber quais os reais desejos da população de cada cidade, designou uma equipe de cinco pessoas, na qual eu estava incluído, para realizar essa pesquisa e o órgão escolhido foi a FATR. Após concluirmos esse trabalho, eu fui mandado pela diretoria da FATR a corrigir as falhas existentes no departamento de pessoal, em função do extenso conhecimento da CLT que obtive quando Superintendente e Tesoureiro da UPE, apesar de o seu diretor ser um advogado. Fui designado a dar uma palestra às educadoras rurais sobre alguns assuntos, especialmente sobre o FGTS que recém havia sido criado. Ali tive informação de que elas eram proibidas de casar, sob pena de demissão. Informei a elas de que se tratava de algo irregular e que elas poderiam sim casar porque eu arrumaria advogado para defendê-las e, na sequência, falando com a diretoria, suspenderam a ordem indevida. Em seguida, fui selecionado para uma das duas vagas oferecidas ao Paraná para participar de um curso sobre associativismo no CETATE, em Campinas, patrocinado pelos governos Brasileiro, Paulista e dos EEUU. A partir daí, passei muito tempo fazendo palestras sobre cooperativismo por todo o Estado. Esse trabalho ajudou na criação de muitas cooperativas, sendo que a maior do Brasil está em Campo Mourão, a COAMA.

Fui convidado pelo Dr. Luiz Geraldo Caillet Ferreira dos Santos, para trabalhar no Cerimonial do Palácio Iguaçu, contudo a diretoria da FATR não concordou, tendo então o Governador me requisitado e ali consegui muitas mudanças. Por exemplo, no caso das refeições, quando oferecidas no Palácio, consegui a mudança do fornecedor para um que viabilizava melhor qualidade e menor preço. Também, sugeri que nessas ocasiões, os motoristas que traziam e aguardavam as autoridades, também recebessem a mesma refeição, apenas sem guarnições. Além disso, percebi que uma gratificação de um terço do salário era paga somente aos funcionários comissionados. Propus a extensão a todos os funcionários de carreira que trabalhavam no Palácio, contudo o governador alegou sua impossibilidade diante do alto custo. Fiz um levantamento comprovando o contrário, sendo então autorizada.

Em 1973, o Reitor, que iria assumir a Universidade Federal do Paraná – UFPR, me convidou para ser seu Chefe de Gabinete. Embora eu não desejasse sair do Palácio, o Governador, que era compadre do Professor Theodócio Jorge Atherino, determinou que eu fosse para lá. O Professor Theodócio me deu autorização e liberdade para desempenhar, dentro da legalidade, como entendesse certo para o bem da Universidade. A partir, disso, conseguimos: ampliar o atendimento do Hospital de Clínicas, que passou de 150 para 450 leitos; a reativação Fazenda pertencente à Universidade que servia para atender aos experimentos do Setor de Ciências Agrárias, além de fornecer alimentação ao HC; autorização, junto ao general Samuel Augusto Alves Corrêa, Comandante da 5ª Região Militar, para reabertura dos diretórios acadêmicos; que a representação da comunidade nos Conselhos da Unidade passasse a ser paritária, dos patrões e dos empregados; que os cargos comissionados da Reitoria fossem ocupados por servidores de carreira; que os diplomas fossem entregues registrados no ato da formatura. Numa viagem ao Rio de Janeiro, consegui que aquele enorme terreno em frente ao Centro Politécnico passasse para a UFPR. Conseguimos 172 milhões de cruzeiros novos para construção do Setor de Ciências Biológicas. Realizamos bastante e corrigimos alguns erros. Inclusive com interferência minha, foi criada a Associação dos Funcionários, que hoje é forte. Permaneci, como Chefe de Gabinete de Universidade por doze anos, nas gestões dos Professores Theodócio Jorge Atherino, Ocyron Cunha e Alcy Joaquim Ramalho. Não continuei, apesar de convidado, por decisão própria.

Fui convidado e assumi a chefia de gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, quando foi Secretário o Dr. Oscar Alves, e ali consegui que algumas coisas fossem realizadas, entre elas, a exoneração de funcionários fantasmas. Também, convidei os funcionários a criarem a Associação dos Servidores da Saúde. O mais difícil foi convencer as associações de servidores da Fundação de Saúde e do IPE a se unirem.

Após vários convites do Professor Ocyron Cunha, fui participar do Conselho do CIEE-PR e logo em seguida, em 2000, com forte apoio dos conselheiros Ney Braga, Francisco da Cunha Pereira, Jaime Canet Júnior e dos amigos Affonso Alves de Camargo Neto e Reinhold Stephanes, fui eleito presidente desta entidade, que existia há trinta e quatro anos e nenhum diretor havia visitado qualquer posto no interior. Visitei todos e dialoguei com muita clareza com todos os funcionários, dando-lhes liberdade de me ligarem e, atendendo a algumas sugestões, muito mudei ali. Comprei vários imóveis, inclusive em Curitiba. E, no interior, com a aquisições dos novos imóveis, pude alocar postos que funcionavam em próprios de prefeituras ou associações comerciais. Quando assumi o CIEE-PR contava com doze mil e oitocentos estagiários e, em dois anos, chegamos a vinte e nove mil. O interior que contava com vinte por cento passou para sessenta. Também, terminei o mandato deixando o caixa superavitário.

O meu sucesso na direção da UPE e no CIEE-PR foi simplesmente em razão de eu ter dialogado sem rodeios com todos os funcionários, respeitando seus direitos e cobrando deveres. Chefes que se julgam superiores e humilham os trabalhadores geralmente fracassam porque não tomam conhecimento das demandas de campo.

Logo após chegar aqui, fiz amizade com o Affonso Alves de Camargo Neto, de quem coordenei algumas campanhas, mas nunca assumi qualquer cargo indicado por ele que a representação da comunidade nos Conselhos da Unidade passasse a ser paritária, dos patrões e dos empregados. Entretanto, quando alguém me solicitava algo que fosse legal, e eu não tivesse condição de atender, pedia ao mesmo e ele logo resolvia. Em determinada época, quando eu ainda estudava, cogitou que eu me candidatasse a vereador, mas não levei adiante a ideia porque não me atraia. Também, em 1994, pretendeu que eu administrasse todos os seus bens, todavia, como eram muitos e eu havia recém feito um tratamento no coração, não pude aceitar. Foi uma pessoa com quem tive muito diálogo sobre vários assuntos.

O General Ney Aminthas de Barros Braga, não tanto quanto o Affonso Camargo, também me convidava frequentemente para conversar. Em uma dessas vezes, estávamos no Gabinete do Reitor e, já de madrugada, ele me perguntou o que fazer para agradar os estudantes e eu respondi: o crédito educativo. Sugeri isso inspirado no modelo de financiamento estudantil que havia na Prefeitura Municipal de Curitiba, cujo conhecimento tive por ser, na época, membro representante da UFPR junto ao mesmo. Ele me replicou com um “você está louco, o ministério não tem dinheiro para isto”. Ponderei então dizendo que a Caixa Econômica tinha e que o seu presidente fora indicação sua. Um mês depois, ele já começou o projeto pelo Nordeste. O Ney, em épocas diferentes, me convidou para cinco cargos, mas eu não aceitei, atendendo a uma convicção pessoal de não sair de onde estava com o simples propósito de ganhar mais.

Eu não tinha pretensão de casar, mas vejam como as coisas acontecem; também não queria sair do Palácio Iguaçu e ir para a UFPR. Mas, me mandaram para lá e ali conheci uma moça chamada Silvia de Fátima, bonita, melhor datilógrafa que conheci, boa em português, trabalhadora e simpática. Aí eu utilizei de toda a minha capacidade para convencê-la a ir até o Cartório do Portão comigo, somente nós dois, pois eu conhecia milhares de pessoas e não tinha como fazer festa sem desagradar alguns. Hoje é moderno isso, “elopement wedding”. O juiz que estava presidindo o ato, Dr. Altair Ferdinando Patitucci, por ser conhecido, me indagou o que eu estava fazendo ali e eu pedi que ele olhasse os papéis. A Silvia de Fátima Amorim, formou-se em administração e direito, passou em concurso para o Banco do Brasil, Banco Central e Receita Federal. Tivemos a filha Ana Gabriella Amorim, arquiteta e fotógrafa, que sempre  se classificou entre os primeiros em todos os cursos que fez,e também , tem muito talento artístico.

Atualmente, permaneço desempenhando a função de membro do Conselho Deliberativo do CIEE-PR. Considero-me uma pessoa satisfeita pessoal e profissionalmente pelas realizações conseguidas. Apesar dos muitos sacrifícios e lutas, sinto-me feliz com tudo que desempenhei.

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