Alcides José Branco Filho (2016) Medicina – Curitiba – Paraná

Sou nascido em Curitiba, filho de Alcides José Branco e Glaci Branco. Meus pais, como era muito comum naquela época dos anos 60, vieram do interior. Meu pai – Alcides José Branco – veio de Ibaiti nascido em Zacarias um pequeno município. Já a minha mãe – Glacy Wood Branco – nasceu em Teixeira Soares. Ambos vieram para estudar ali e acabaram se conhecendo e casaram. Eu e meus irmãos passamos o restante da nossa infância até a fase adulta aqui em Curitiba.

Quando estava no ensino médio, no segundo grau, desde pequeno sempre quis ser médico, uma vez que, admirava poder lidar com as pessoas, era uma das situações que me deixava apaixonado e Deus me deu essa paixão. Com as suas mãos e seu saber, você pode ajudar as pessoas, salva-las, modificar uma doença e realmente realizar uma qualidade de vida. Está no meu coração, não sei explicar para vocês é uma coisa que sempre quis.

No segundo grau, decidi prestar vestibular para medicina e passei na PUC – Universidade Católica do Paraná – que depois virou Pontifícia Católica do Paraná e ali realizei minha formação. Foi um momento importante da minha vida quando passei no vestibular, foi emocionante e aproveitei muito, porque gostava do que fazia.

Durante a Faculdade, foi no terceiro ano que começaram as aulas mais práticas. Passei a ter contato maior com os pacientes, perceber que a cirurgia era o meu viés, a minha paixão. Sentia-me muito confortável quando estava atendendo e participando dos momentos cirúrgicos.

Depois de algum tempo, comecei a viajar para algumas cidades, como: Nova Prata do Iguaçu, Antonina e Morretes junto com outros profissionais para poder participar de cirurgias e esse espírito irrequieto que eu tenho, me fez perceber que a cirurgia geral seria minha carreira, nunca tive dúvida em relação a isso.

Chegando ao sexto ano da faculdade, nós temos a prova de residência. Eu concorri com outros colegas, mas passaram apenas eu e meu amigo, que somos, o Ivan Salimeni.

A residência da PUC era no hospital Cajuru, cumprimos três anos e nesse tempo, nunca esqueci a minha primeira cirurgia. A cirurgia foi em um sábado e realizei com o doutor Adolar Nicoluzzi, que inclusive também é meu amigo. Um paciente politraumatizado, sofreu um acidente grave e tinha uma lesão de pulmão e de baço. O doutor Adolar chegou e disse: “Está aqui o bisturi, pode operar! ”. Falei: “Doutor Adolar…” E ele: “Eu sei, já vi você várias vezes acompanhando, sempre interessado. Você pode operar”. E eu abri a barriga do paciente, tirei o baço e drenei o tórax. Então, eu nunca esqueci isso.

Na residência, incansavelmente, me dediquei muito. Foi uma época aqui em Curitiba que, anos 90, 91 e 92, havia apenas dois prontos socorros o do Cajuru e do Evangélico. Não havia outros prontos socorros. No evangélico atendia-se uma classe mais diferenciada, já o Cajuru atendia um volume muito grande de cirurgia e foi lá que comecei me desenvolver, dedicar e estudar, já que realizava muitos trabalhos de orientação de grandes profissionais que me ajudaram, como: Gerson, Jamyr, Marlus, Luiz Carlos e assim comecei a trilhar minha carreira. E cada vez mais, Deus abençoando e proporcionando saúde, garra e força para que pudesse me desenvolver.

Uma coisa sempre mexeu com o meu coração em relação à cirurgia, uma incógnita, portanto, abria-se a barriga do paciente para tirar uma vesícula, apêndice, baço, fazer um diagnóstico e essa incisão você abria totalmente a barriga do paciente e eu imaginava: será que nós não podemos fazer um furinho na barriga desse paciente? Era isso que eu imaginava. Poderíamos realizar um furinho na barriga e a partir disso realizar todos os procedimentos lá dentro. Era uma coisa que no quinto e sextos anos da faculdade já imaginava.

Quando entrei na residência e começaram os primeiros casos de cirurgia chamados “videolaparoscopia”, do qual era realizado esse furinho na barriga do paciente e lá dentro você identificava todos os órgãos, vinte vezes ampliado em uma tela. Quando vi isso, soube que seria para a minha vida toda, entrei em um foco e meu objetivo era isso. Procurei o que tinha na época, aqui em Curitiba estava começando, mas não havia. Comecei a pesquisar na França, nos Estados Unidos e Alemanha, havia algumas coisas. Eu passei a procurar isso.

Depois dos três anos de residência aqui em Curitiba eu iria me especializar em outro lugar. No término da minha residência, no terceiro ano de especialização cirúrgica no hospital do Cajuru, abriu uma vaga no Hospital das Clínicas da USP em São Paulo, eu já formado há três anos, vaga para ser residente. Fiz o concurso e passei. Fui para São Paulo no Hospital das Clínicas, buscando entender um pouquinho mais e me especializar nessa área que era vídeo laparoscopia ou vídeo cirurgia, mas para minha surpresa, chegando ao Hospital em São Paulo, surgiram alguns problemas importantes de nível nacional. Infelizmente esse procedimento estava proibido de ser realizado nas Clínicas. Passei então, a ir atrás dentro da residência.

Desenvolvi o que poderia desenvolver e comecei a pesquisar em outros lugares. Diante disso, realizei um curso inicial de laparoscopia, um curso muito caro e nesse curso nós realizávamos cirurgias em animais, porcos e percebi que eu gostava. Deus abençoou que eu podia, tinha um traquejo que me deixava confortável.

Já estava começando a esquecer das grandes incisões, porque antigamente falava-se assim. As grandes incisões são grandes cirurgiões. Esse conceito já começou a mudar na minha cabeça, já percebia que com pequenas incisões, poderia fazer grandes cirurgias. Depois desse curso, comecei a trabalhar fora do Hospital das Clínicas, em serviços privados, como: Sírio Libanês e o Albert Einstein, junto com outros colegas a me aprimorar em relação à laparoscopia.

Concluída minha residência eu fui convidado para ficar pelo professor Dado. Eu tinha feito um concurso aqui no estado do Paraná e ele pediu transferência. Na época o Governador era o Roberto Requião e houve a transferência do meu concurso para lá, fui cedido, mas senti que deveria voltar, por dois motivos: o primeiro pela família, a minha finalidade sempre foi Deus, família e depois profissão. E segundo, porque lá no Hospital das Clínicas, não poderia desenvolver laparoscopia, tanto é, que apenas 15 anos depois que deixei o Hospital, as coisas começaram a caminhar. Acredito que quem me deu essa força foi Deus. Ele me deu esse caminho e eu o segui.

Voltei para Curitiba, eu tinha um carro e o vendi, fiquei a pé, para poder comprar o aparelho de laparoscopia. Então, eu ia para o consultório de ônibus, ou de táxi e às vezes a minha irmã me levava. Os meus irmãos sempre me ajudaram muito, e voltei também para ajudá-los, uma vez que meus pais precisavam de mim. Sempre tive um carinho muito grande por todos eles. E assim, começamos a nossa carreira aqui em Curitiba.

Inicialmente abri um consultório, voltei para hospital que eu estava quando havia feito minha formação e comecei a desenvolver a laparoscopia. Diante disso, eu ainda não tinha 30 anos e comecei a realizar alguns procedimentos que hoje se faz de rotina como: cirurgia de vesícula e outras. Alguns procedimentos que ainda não tinham sido feitos. Eu comecei a realizar como o problema de refluxo, cirurgias de intestino, cirurgias de câncer e comecei cada vez mais me aprimorar.

Eu viajava muito, quatro cinco vezes por ano estava fora do país, sempre indo atrás de novas tecnologias e novos procedimentos. Acabamos desenvolvendo procedimentos não só na laparoscopia, mas com um paciente que ninguém queria operar, um paciente que a definição é de obesidade mórbida.

Esse paciente era uma situação que qualquer cirurgião na época fugia dele, porque era complicado, ele já vinha com a diabetes, tinha problema respiratório, a quantidade de gordura é muito grande para o acesso cirúrgico.

Era difícil. Diante desses e vários congressos que frequentei, acabei me interessando porque um colega americano na Califórnia havia realizado um procedimento para que esse paciente pudesse emagrecer. Então isso me interessou e realmente naquela paixão, que nós temos de desenvolver procedimentos novos, tecnologias e principalmente o bem-estar do paciente, já que sempre coloquei na frente, em toda minha vida, o bem-estar do paciente .Coloquei minha energia sempre nesse foco de novos procedimentos, tecnologia e qualidade profissional, para poder dar assim um padrão de excelência, para esses pacientes que nos procuram que sofrem tanto e que às vezes, graças ao nosso conhecimento e nossa habilidade, nós possamos mudar a vida dele.

Então, o paciente obeso mórbido apareceu com o doutor Garrido em São Paulo, que também já tinha experiência e eu já tinha feito residência no Hospital das Clínicas, voltei até ele. Conversamos e comecei a realizar esse tipo de procedimento aqui em Curitiba. Inicialmente começamos com cirurgia aberta e depois com a cirurgia com os pequenos orifícios, a cirurgia videolaparoscopia.

Sou casado com a dra. Claudia Savaris e tenho três filhos: Camila, Rebeca e Marina.

Meu nome é Alcides José Branco Filho nascido em Curitiba, filho de Alcides José Branco e Glaci Branco. Meus pais, como era muito comum naquela época dos anos 60, vieram do interior. Meu pai – Alcides José Branco – veio de Ibaiti nascido em Zacarias um pequeno município. Já a minha mãe – Glacy Wood Branco – nasceu em Teixeira Soares. Ambos vieram para estudar ali e acabaram se conhecendo e casaram. Eu e meus irmãos passamos o restante da nossa infância até a fase adulta aqui em Curitiba.

Quando estava no ensino médio, no segundo grau, desde pequeno sempre quis ser médico, uma vez que, admirava poder lidar com as pessoas, era uma das situações que me deixava apaixonado e Deus me deu essa paixão. Com as suas mãos e seu saber, você pode ajudar as pessoas, salva-las, modificar uma doença e realmente realizar uma qualidade de vida. Está no meu coração, não sei explicar para vocês é uma coisa que sempre quis.

No segundo grau, decidi prestar vestibular para medicina e passei na PUC – Universidade Católica do Paraná – que depois virou Pontifícia Católica do Paraná e ali realizei minha formação. Foi um momento importante da minha vida quando passei no vestibular, foi emocionante e aproveitei muito, porque gostava do que fazia.

Durante a Faculdade, foi no terceiro ano que começaram as aulas mais práticas. Passei a ter contato maior com os pacientes, perceber que a cirurgia era o meu viés, a minha paixão. Sentia-me muito confortável quando estava atendendo e participando dos momentos cirúrgicos.

Depois de algum tempo, comecei a viajar para algumas cidades, como: Nova Prata do Iguaçu, Antonina e Morretes junto com outros profissionais para poder participar de cirurgias e esse espírito irrequieto que eu tenho, me fez perceber que a cirurgia geral seria minha carreira, nunca tive dúvida em relação a isso.

Chegando ao sexto ano da faculdade, nós temos a prova de residência. Eu concorri com outros colegas, mas passaram apenas eu e meu amigo, que somos, o Ivan Salimeni.

A residência da PUC era no hospital Cajuru, cumprimos três anos e nesse tempo, nunca esqueci a minha primeira cirurgia. A cirurgia foi em um sábado e realizei com o doutor Adolar Nicoluzzi, que inclusive também é meu amigo. Um paciente politraumatizado, sofreu um acidente grave e tinha uma lesão de pulmão e de baço. O doutor Adolar chegou e disse: “Está aqui o bisturi, pode operar! ”. Falei: “Doutor Adolar…” E ele: “Eu sei, já vi você várias vezes acompanhando, sempre interessado. Você pode operar”. E eu abri a barriga do paciente, tirei o baço e drenei o tórax. Então, eu nunca esqueci isso.

Na residência, incansavelmente, me dediquei muito. Foi uma época aqui em Curitiba que, anos 90, 91 e 92, havia apenas dois prontos socorros o do Cajuru e do Evangélico. Não havia outros prontos socorros. No evangélico atendia-se uma classe mais diferenciada, já o Cajuru atendia um volume muito grande de cirurgia e foi lá que comecei me desenvolver, dedicar e estudar, já que realizava muitos trabalhos de orientação de grandes profissionais que me ajudaram, como: Gerson, Jamyr, Marlus, Luiz Carlos e assim comecei a trilhar minha carreira. E cada vez mais, Deus abençoando e proporcionando saúde, garra e força para que pudesse me desenvolver.

Uma coisa sempre mexeu com o meu coração em relação à cirurgia, uma incógnita, portanto, abria-se a barriga do paciente para tirar uma vesícula, apêndice, baço, fazer um diagnóstico e essa incisão você abria totalmente a barriga do paciente e eu imaginava: será que nós não podemos fazer um furinho na barriga desse paciente? Era isso que eu imaginava. Poderíamos realizar um furinho na barriga e a partir disso realizar todos os procedimentos lá dentro. Era uma coisa que no quinto e sextos anos da faculdade já imaginava.

Quando entrei na residência e começaram os primeiros casos de cirurgia chamados “videolaparoscopia”, do qual era realizado esse furinho na barriga do paciente e lá dentro você identificava todos os órgãos, vinte vezes ampliado em uma tela. Quando vi isso, soube que seria para a minha vida toda, entrei em um foco e meu objetivo era isso. Procurei o que tinha na época, aqui em Curitiba estava começando, mas não havia. Comecei a pesquisar na França, nos Estados Unidos e Alemanha, havia algumas coisas. Eu passei a procurar isso.

Depois dos três anos de residência aqui em Curitiba eu iria me especializar em outro lugar. No término da minha residência, no terceiro ano de especialização cirúrgica no hospital do Cajuru, abriu uma vaga no Hospital das Clínicas da USP em São Paulo, eu já formado há três anos, vaga para ser residente. Fiz o concurso e passei. Fui para São Paulo no Hospital das Clínicas, buscando entender um pouquinho mais e me especializar nessa área que era vídeo laparoscopia ou vídeo cirurgia, mas para minha surpresa, chegando ao Hospital em São Paulo, surgiram alguns problemas importantes de nível nacional. Infelizmente esse procedimento estava proibido de ser realizado nas Clínicas. Passei então, a ir atrás dentro da residência.

Desenvolvi o que poderia desenvolver e comecei a pesquisar em outros lugares. Diante disso, realizei um curso inicial de laparoscopia, um curso muito caro e nesse curso nós realizávamos cirurgias em animais, porcos e percebi que eu gostava. Deus abençoou que eu podia, tinha um traquejo que me deixava confortável.

Já estava começando a esquecer das grandes incisões, porque antigamente falava-se assim. As grandes incisões são grandes cirurgiões. Esse conceito já começou a mudar na minha cabeça, já percebia que com pequenas incisões, poderia fazer grandes cirurgias. Depois desse curso, comecei a trabalhar fora do Hospital das Clínicas, em serviços privados, como: Sírio Libanês e o Albert Einstein, junto com outros colegas a me aprimorar em relação à laparoscopia.

Concluída minha residência eu fui convidado para ficar pelo professor Dado. Eu tinha feito um concurso aqui no estado do Paraná e ele pediu transferência. Na época o Governador era o Roberto Requião e houve a transferência do meu concurso para lá, fui cedido, mas senti que deveria voltar, por dois motivos: o primeiro pela família, a minha finalidade sempre foi Deus, família e depois profissão. E segundo, porque lá no Hospital das Clínicas, não poderia desenvolver laparoscopia, tanto é, que apenas 15 anos depois que deixei o Hospital, as coisas começaram a caminhar. Acredito que quem me deu essa força foi Deus. Ele me deu esse caminho e eu o segui.

Voltei para Curitiba, eu tinha um carro e o vendi, fiquei a pé, para poder comprar o aparelho de laparoscopia. Então, eu ia para o consultório de ônibus, ou de táxi e às vezes a minha irmã me levava. Os meus irmãos sempre me ajudaram muito, e voltei também para ajudá-los, uma vez que meus pais precisavam de mim. Sempre tive um carinho muito grande por todos eles. E assim, começamos a nossa carreira aqui em Curitiba.

Inicialmente abri um consultório, voltei para hospital que eu estava quando havia feito minha formação e comecei a desenvolver a laparoscopia. Diante disso, eu ainda não tinha 30 anos e comecei a realizar alguns procedimentos que hoje se faz de rotina como: cirurgia de vesícula e outras. Alguns procedimentos que ainda não tinham sido feitos. Eu comecei a realizar como o problema de refluxo, cirurgias de intestino, cirurgias de câncer e comecei cada vez mais me aprimorar.

Eu viajava muito, quatro cinco vezes por ano estava fora do país, sempre indo atrás de novas tecnologias e novos procedimentos. Acabamos desenvolvendo procedimentos não só na laparoscopia, mas com um paciente que ninguém queria operar, um paciente que a definição é de obesidade mórbida.

Esse paciente era uma situação que qualquer cirurgião na época fugia dele, porque era complicado, ele já vinha com a diabetes, tinha problema respiratório, a quantidade de gordura é muito grande para o acesso cirúrgico.

Era difícil. Diante desses e vários congressos que frequentei, acabei me interessando porque um colega americano na Califórnia havia realizado um procedimento para que esse paciente pudesse emagrecer. Então isso me interessou e realmente naquela paixão, que nós temos de desenvolver procedimentos novos, tecnologias e principalmente o bem-estar do paciente, já que sempre coloquei na frente, em toda minha vida, o bem-estar do paciente .Coloquei minha energia sempre nesse foco de novos procedimentos, tecnologia e qualidade profissional, para poder dar assim um padrão de excelência, para esses pacientes que nos procuram que sofrem tanto e que às vezes, graças ao nosso conhecimento e nossa habilidade, nós possamos mudar a vida dele.

Então, o paciente obeso mórbido apareceu com o doutor Garrido em São Paulo, que também já tinha experiência e eu já tinha feito residência no Hospital das Clínicas, voltei até ele. Conversamos e comecei a realizar esse tipo de procedimento aqui em Curitiba. Inicialmente começamos com cirurgia aberta e depois com a cirurgia com os pequenos orifícios, a cirurgia videolaparoscopia.

Sou casado com a dra. Claudia Savaris e tenho três filhos: Camila, Rebeca e Marina.

Meu nome é Alcides José Branco Filho nascido em Curitiba, filho de Alcides José Branco e Glaci Branco. Meus pais, como era muito comum naquela época dos anos 60, vieram do interior. Meu pai – Alcides José Branco – veio de Ibaiti nascido em Zacarias um pequeno município. Já a minha mãe – Glacy Wood Branco – nasceu em Teixeira Soares. Ambos vieram para estudar ali e acabaram se conhecendo e casaram. Eu e meus irmãos passamos o restante da nossa infância até a fase adulta aqui em Curitiba.

Quando estava no ensino médio, no segundo grau, desde pequeno sempre quis ser médico, uma vez que, admirava poder lidar com as pessoas, era uma das situações que me deixava apaixonado e Deus me deu essa paixão. Com as suas mãos e seu saber, você pode ajudar as pessoas, salva-las, modificar uma doença e realmente realizar uma qualidade de vida. Está no meu coração, não sei explicar para vocês é uma coisa que sempre quis.

No segundo grau, decidi prestar vestibular para medicina e passei na PUC – Universidade Católica do Paraná – que depois virou Pontifícia Católica do Paraná e ali realizei minha formação. Foi um momento importante da minha vida quando passei no vestibular, foi emocionante e aproveitei muito, porque gostava do que fazia.

Durante a Faculdade, foi no terceiro ano que começaram as aulas mais práticas. Passei a ter contato maior com os pacientes, perceber que a cirurgia era o meu viés, a minha paixão. Sentia-me muito confortável quando estava atendendo e participando dos momentos cirúrgicos.

Depois de algum tempo, comecei a viajar para algumas cidades, como: Nova Prata do Iguaçu, Antonina e Morretes junto com outros profissionais para poder participar de cirurgias e esse espírito irrequieto que eu tenho, me fez perceber que a cirurgia geral seria minha carreira, nunca tive dúvida em relação a isso.

Chegando ao sexto ano da faculdade, nós temos a prova de residência. Eu concorri com outros colegas, mas passaram apenas eu e meu amigo, que somos, o Ivan Salimeni.

A residência da PUC era no hospital Cajuru, cumprimos três anos e nesse tempo, nunca esqueci a minha primeira cirurgia. A cirurgia foi em um sábado e realizei com o doutor Adolar Nicoluzzi, que inclusive também é meu amigo. Um paciente politraumatizado, sofreu um acidente grave e tinha uma lesão de pulmão e de baço. O doutor Adolar chegou e disse: “Está aqui o bisturi, pode operar! ”. Falei: “Doutor Adolar…” E ele: “Eu sei, já vi você várias vezes acompanhando, sempre interessado. Você pode operar”. E eu abri a barriga do paciente, tirei o baço e drenei o tórax. Então, eu nunca esqueci isso.

Na residência, incansavelmente, me dediquei muito. Foi uma época aqui em Curitiba que, anos 90, 91 e 92, havia apenas dois prontos socorros o do Cajuru e do Evangélico. Não havia outros prontos socorros. No evangélico atendia-se uma classe mais diferenciada, já o Cajuru atendia um volume muito grande de cirurgia e foi lá que comecei me desenvolver, dedicar e estudar, já que realizava muitos trabalhos de orientação de grandes profissionais que me ajudaram, como: Gerson, Jamyr, Marlus, Luiz Carlos e assim comecei a trilhar minha carreira. E cada vez mais, Deus abençoando e proporcionando saúde, garra e força para que pudesse me desenvolver.

Uma coisa sempre mexeu com o meu coração em relação à cirurgia, uma incógnita, portanto, abria-se a barriga do paciente para tirar uma vesícula, apêndice, baço, fazer um diagnóstico e essa incisão você abria totalmente a barriga do paciente e eu imaginava: será que nós não podemos fazer um furinho na barriga desse paciente? Era isso que eu imaginava. Poderíamos realizar um furinho na barriga e a partir disso realizar todos os procedimentos lá dentro. Era uma coisa que no quinto e sextos anos da faculdade já imaginava.

Quando entrei na residência e começaram os primeiros casos de cirurgia chamados “videolaparoscopia”, do qual era realizado esse furinho na barriga do paciente e lá dentro você identificava todos os órgãos, vinte vezes ampliado em uma tela. Quando vi isso, soube que seria para a minha vida toda, entrei em um foco e meu objetivo era isso. Procurei o que tinha na época, aqui em Curitiba estava começando, mas não havia. Comecei a pesquisar na França, nos Estados Unidos e Alemanha, havia algumas coisas. Eu passei a procurar isso.

Depois dos três anos de residência aqui em Curitiba eu iria me especializar em outro lugar. No término da minha residência, no terceiro ano de especialização cirúrgica no hospital do Cajuru, abriu uma vaga no Hospital das Clínicas da USP em São Paulo, eu já formado há três anos, vaga para ser residente. Fiz o concurso e passei. Fui para São Paulo no Hospital das Clínicas, buscando entender um pouquinho mais e me especializar nessa área que era vídeo laparoscopia ou vídeo cirurgia, mas para minha surpresa, chegando ao Hospital em São Paulo, surgiram alguns problemas importantes de nível nacional. Infelizmente esse procedimento estava proibido de ser realizado nas Clínicas. Passei então, a ir atrás dentro da residência.

Desenvolvi o que poderia desenvolver e comecei a pesquisar em outros lugares. Diante disso, realizei um curso inicial de laparoscopia, um curso muito caro e nesse curso nós realizávamos cirurgias em animais, porcos e percebi que eu gostava. Deus abençoou que eu podia, tinha um traquejo que me deixava confortável.

Já estava começando a esquecer das grandes incisões, porque antigamente falava-se assim. As grandes incisões são grandes cirurgiões. Esse conceito já começou a mudar na minha cabeça, já percebia que com pequenas incisões, poderia fazer grandes cirurgias. Depois desse curso, comecei a trabalhar fora do Hospital das Clínicas, em serviços privados, como: Sírio Libanês e o Albert Einstein, junto com outros colegas a me aprimorar em relação à laparoscopia.

Concluída minha residência eu fui convidado para ficar pelo professor Dado. Eu tinha feito um concurso aqui no estado do Paraná e ele pediu transferência. Na época o Governador era o Roberto Requião e houve a transferência do meu concurso para lá, fui cedido, mas senti que deveria voltar, por dois motivos: o primeiro pela família, a minha finalidade sempre foi Deus, família e depois profissão. E segundo, porque lá no Hospital das Clínicas, não poderia desenvolver laparoscopia, tanto é, que apenas 15 anos depois que deixei o Hospital, as coisas começaram a caminhar. Acredito que quem me deu essa força foi Deus. Ele me deu esse caminho e eu o segui.

Voltei para Curitiba, eu tinha um carro e o vendi, fiquei a pé, para poder comprar o aparelho de laparoscopia. Então, eu ia para o consultório de ônibus, ou de táxi e às vezes a minha irmã me levava. Os meus irmãos sempre me ajudaram muito, e voltei também para ajudá-los, uma vez que meus pais precisavam de mim. Sempre tive um carinho muito grande por todos eles. E assim, começamos a nossa carreira aqui em Curitiba.

Inicialmente abri um consultório, voltei para hospital que eu estava quando havia feito minha formação e comecei a desenvolver a laparoscopia. Diante disso, eu ainda não tinha 30 anos e comecei a realizar alguns procedimentos que hoje se faz de rotina como: cirurgia de vesícula e outras. Alguns procedimentos que ainda não tinham sido feitos. Eu comecei a realizar como o problema de refluxo, cirurgias de intestino, cirurgias de câncer e comecei cada vez mais me aprimorar.

Eu viajava muito, quatro cinco vezes por ano estava fora do país, sempre indo atrás de novas tecnologias e novos procedimentos. Acabamos desenvolvendo procedimentos não só na laparoscopia, mas com um paciente que ninguém queria operar, um paciente que a definição é de obesidade mórbida.

Esse paciente era uma situação que qualquer cirurgião na época fugia dele, porque era complicado, ele já vinha com a diabetes, tinha problema respiratório, a quantidade de gordura é muito grande para o acesso cirúrgico.

Era difícil. Diante desses e vários congressos que frequentei, acabei me interessando porque um colega americano na Califórnia havia realizado um procedimento para que esse paciente pudesse emagrecer. Então isso me interessou e realmente naquela paixão, que nós temos de desenvolver procedimentos novos, tecnologias e principalmente o bem-estar do paciente, já que sempre coloquei na frente, em toda minha vida, o bem-estar do paciente .Coloquei minha energia sempre nesse foco de novos procedimentos, tecnologia e qualidade profissional, para poder dar assim um padrão de excelência, para esses pacientes que nos procuram que sofrem tanto e que às vezes, graças ao nosso conhecimento e nossa habilidade, nós possamos mudar a vida dele.

Então, o paciente obeso mórbido apareceu com o doutor Garrido em São Paulo, que também já tinha experiência e eu já tinha feito residência no Hospital das Clínicas, voltei até ele. Conversamos e comecei a realizar esse tipo de procedimento aqui em Curitiba. Inicialmente começamos com cirurgia aberta e depois com a cirurgia com os pequenos orifícios, a cirurgia videolaparoscopia.

Sou casado com a dra. Claudia Savaris e tenho três filhos: Camila, Rebeca e Marina.

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