Calouros do Ritmo (2015) Música – Curitiba – Paraná

Advogado José Cadilhe de Oliveira, muito ligado à música e com ótimo relacionamento na cidade de Curitiba, primo de Ruy Fernando e Luiz César, incentivou os rapazes abrindo-lhe caminhos para apresentações públicas. Os outros são procedentes de Paranaguá. Foram para capital com o objetivo de estudar e resolveram se dedicar a música que tanto gostavam.
No inicio dos anos 1960 foram morar uma pensão, chamada de Sing-Sing. Ali, quando a noite chegava, se reuniam para cantar. Pinho e Luiz César, com violões, acompanhavam os demais hóspedes, entre eles Ruy Fernando que, bem afinado, liderava os cantos.
Surgiu a idéia de se formar um grupo musical e para reforçá-lo veio, ainda adolescente, Anadir Sales, dono de bela voz, e depois Ruben de Souza Rolim. Anadir e Ruben sustentavam o solo em primeira voz.
O conjunto passou a participar de festas e reuniões de amigos, foram ganhando espaço e a sua arte chegou ao conhecimento de Evanira dos Santos, uma excelente cantora paranaense que tinha um programa no Canal 6 e ela os convidou para apresentar-se na televisão.
Entre 1960 e 1965 apresentaram-se semanalmente “ao vivo” na televisão do Estado, revezando-se entre os canais 6 e 12. Os ensaios aconteciam periodicamente na casa de Jahyr de Oliveira. Os responsáveis pelos arranjos eram Luiz Cézar e Rubem Rolim, que junto com os solistas Anadir Salles e Ruy Fernando, completavam o quarteto vocal.
Dentre os amigos que assistiam os ensaios estavam, entre outros, o ator Curitibano Ari Fontoura e o artista plástico Juarez Machado, que fazia a cenografia de estúdio e pintou durante um ensaio, com graxa de sapato, um enorme painel na parede da sala.
Apesar da inexistência de vídeo-tape e de cadela nacional de transmissão na época, ainda assim, os Calouros do Ritmo obtiveram reconhecimento generalizado, representaram oficialmente o Paraná em eventos culturais nacionais, apresentaram-se no Teatro Guaíra, participaram da Inauguração da TV Coroados de Londrina e cantaram em todos os bailes de gala promovidos pelos clubes de Curitiba.
Em 1963, sob a orientação do produtor musical Inami Custódio Pinto, Os Calouros do Ritmo lançaram o seu primeiro elepê com músicas marcantes de nosso cancioneiro como: “Que Lindo Dia Vamos Ter”, “Suave é a Noite” (versão brasileira de Nazareno de Brito), músicas próprias: “Essas coisas de amor”, dos irmãos Oliveira, Ruy e Luiz Cézar, “Uma canção para você” e “Ai Saudade”, de Ruben Rolim e outras de autoria de Inami (“Caiobá”, que se tornou hino informal do lindo balneário, promovido pelo colunista social Dino Almeida, que realizava ali todos os anos o famoso concurso “Garota Caiobá”), “A Palmeirinha” e “Amar Sim, Casar Não”.
Com tudo acertado o grupo seguiu para o Rio de Janeiro para gravar nos estúdios da Copacabana, sob a regência do famoso maestro Hervé Cordovil, com acompanhamento da orquestra da Rádio Nacional. Era o primeiro longplay gravado por cantores paranaenses. O repertório muito bem escolhido fez com que o elepê “Ai Saudade, Um Passeio em Vila Velha”, alcançasse um grande sucesso. Por aproximadamente cinco anos os “Calouros do Ritmo” integraram o meio musical de Curitiba. Eram requisitados para participação em eventos oficiais, eram atrações em festas, aniversários, inaugurações, bailes e shows em diferentes locais. Os rapazes, diante do sucesso, foram requisitados para a festa de inauguração da TV Coroados, em Londrina, sendo ali muito aplaudidos.
Em 1965 o grupo se dissolveu, com cada componente tomando seu rumo. Os irmãos Ruy Fernando e Luiz César concluíram o curso de Direito e na sequência tornaram-se magistrados, hoje são desembargadores. ‘Anadir e Ruben seguiram na carreira artística, mas também exercendo outras atividades. Anadir foi bancário. Em 1999 houve a mobilização de remasterizar, em CD, o long play “Ai Saudade! – Um Passeio em Vila Velha'”.

Comentarios 1

  1. JAIRO CAMBRAIA MARRA

    Conheci o grupo Calouros do Ritmo em Curitiba, eu era menor de idade e curti muito a música romântica deles, cheguei a ter o LP que depois se perdeu no tempo. Hoje tenho 70. Foi uma alegria descobri-los na internet, inclusive a música Uma canção para você, produzida pelo filho de um deles.
    Estou atrás, perseguindo o hoje CD. Espero encontrar.
    Grande abraço e grandes memórias do tempo em que os conheci. Inclusive acho que fui buscar um LP no apto de um deles no prédio que fica na rua da Biblioteca. Não me lembro o nome da rua, pois já estou em S.Paulo, há 40 anos.

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