Suzana Lobo Santos de Souza (2019) Artes Plásticas – Curitiba – Paraná

Nasci em Curitiba, aqui permanecendo até os 4 anos de idade, quando fui morar no Rio de Janeiro com meus pais, Sylvio Andrade Ferreira dos Santos e Ninon Lobo Santos, ele carioca, ela curitibana.

No Rio de Janeiro, estudei no Colégio Notre Dame em Ipanema, mais tarde no Instituto de Belas Artes na Praia Vermelha. Assim, posso dizer que passei a minha infância e juventude entre a Pedra da Gávea e o Pão de Açúcar.

Fui discípula de Iberê Camargo considerado na época o “maior pintor brasileiro vivo”. Frequentei também o atelier de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna (MAM).

Todos os anos, eu vinha com meus pais passar o Natal em Curitiba na casa de meus avós: Joaquim Santana Lobo e Diahir Macedo de Souza Lobo, filha­ de Herculano Franco de Souza, que hoje dá nome à uma rua da cidade.

Comecei a participar dos principais Salões de Arte do país. Fui aceita na IX Bienal de São Paulo. Casei.Voltei a morar em Curitiba, onde meu marido Sergio José Ferreira de Souza acabara de se formar em engenharia civil.

Foi na casa de Erico da Silva, levada por um jornalista, que conheci os principais artistas que atuavam em Curitiba: Wilson Andrade Silva, Fernando Velloso, Álvaro Borges, Renê Bittencourt, Domício Pedroso, Renato Pedroso entre tantos outros. Aos sábados nos reuníamos na casa do Erico, momento em que cantávamos acompanhados de um violão. Era Curitiba me mostrando seu lado alegre e descontraído.

Depois, vieram os filhos Rodrigo Sergio e Alessandra. Ele, analista de sistemas e economista; ela, engenheira química e de segurança do trabalho. Com eles aprendi a ser mãe. Inundaram a casa de amor e nossa vida ficou ainda mais feliz com as netas Maitê e Daniela.

Trabalhei na Fundação Cultural de Curitiba, no Museu Guido Viaro, onde dei aulas no atelier por 10 anos. Então, fui convidada para dirigir o Museu. Fui Coordenadora do Solar do Barão e também dirigi o Museu Municipal de Arte. Mais tarde, na Secretaria de Estado da Cultura, dirigi o Museu Alfredo Andersen. Depois fui Coordenadora do Sistema Estadual de Museus (COSEM). Nessa época, conheci o interior do Paraná, organizando e fazendo a curadoria de inúmeros Salões de Arte.

Sou verbete em vários Dicionários de Arte, como: Dicionário do Ministério de Educação e Cultura, Dicionário de Artes Plásticas no Brasil (Roberto Pontual) e Dicionário de Pintores Brasileiros (Walmir Ayala).

Tenho obras em acervos de museus tais como: Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC), Museu Nacional de Belas Artes (RJ), Museu Municipal de Arte (Curitiba), Museu Oscar Niemeyer (Curitiba) e em coleções particulares.

Nas telas, o reflexo das minhas vivências que são mostradas em exposições individuais. Assim, a minha pintura passou por diversas fases, dentre as quais destaco: “Quem puxa os cordéis ?”, uma reflexão sobre a manipulação das pessoas;” Por trás dos Bastidores”, nessa época, minhas telas usavam como suporte, bastidores de bordar; “Pontos de Fuga”, onde há a sugestão da presença/ausência; “As Iluminadas”, onde falo sobre a Mulher, “Personagem em busca dos verdes”, onde a fonte de inspiração foi o Sergio. Jaime Lerner, o nosso “Haussmann”, convidou Sergio para fazer parte de sua equipe.  Na época, a Curitiba provinciana começou a se transformar numa referência de planejamento urbano. Ganhamos muitas áreas vedes como o Jardim Botânico, Ópera de Arame e os parques. Eu, absorvendo e inserindo o tema nas telas. Na fase “Desdobramentos”, as formas foram se abstraindo e trabalhei a matéria em relevo. Fruto da fase, surgiu a poesia abaixo.

“Desdobramentos”

… o tecido brinca

entre meus dedos

Eeucongelinstante

Em que as dobras se submetem à minha vontade

Tentando reter as formas

Ou a trama de mim mesma

Vou deixando um pouco

De meus dias…

Desdobramentos

Falam do gesto, do tato

Do tecido acariciado e preso

Retido para sempre

Num momento qualquer

No meu momento.

Desdobramentos

De mim mesma

De meus sonhos,

Limitações esmagadas pelo gesto

Opções de arte e de vida,

E as outras possibilidades, esquecidas.

Principais exposições individuais: Biblioteca Pública do Paraná, Curitiba (1968); Museu de Arte Contemporânea, Curitiba (1973); Galeria Quadrante, Rio de Janeiro (1974);Galeria Acaica, Curitiba (1975); Da Graça Galeria de Arte, Curitiba (1982); Casabrannka Galeria de Arte, Curitiba (1987) ;Galeria da Caixa- Retrospectiva sob curadoria de Cristina Mendes, Curitiba (1997) e Museu Universitário da PUC, Curitiba (1998).

No catálogo da exposição realizada no MAC, também me expressei através da poesia abaixo.

“Meu testemunho”

No papel, um punhado de traços desordenados, que pouco a pouco se agrupam compondo meu pensamento. Fragmentos de ideias, rabiscos. E os espaços vão se organizando, no princípio dóceis e, depois, quase indiferentes à minha vontade. Surgem as cores. E a tinta povoa o nada. As formas tem vida própria e escapam de minhas mãos. É o resultado que entrego agora à sensibilidade de cada um.

Na fase atual que será apresentada ao público em novembro de 2019 no Museu Guido Viaro, a minha temática será “O Tempo”. Para mim, pensar no tempo é pensar na vida, nas minhas pessoas, nos meus lugares… Existe um intervalo grande entre as minhas exposições individuais visto que eu pinto verdades e não há verdades novas a serem ditas todos os dias.

 

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