Joaquim Miró Neto (2019) – Direito – Curitiba – Paraná

Nasci nesta minha Curitiba, na maternidade Vitor do Amaral, em 30 de março de 1937. Minha mãe era a Léa Fonseca Miró.

Desde criança aprendi com o meu pai Joaquim Miró Junior a não tolerar o totalitarismo do Gegê, em pleno Estado Novo. Mantenho no meu escritório a importante biblioteca de meu pai, de livros de Direito e dos maiores autores da nossa cultura de Rui Barbosa, acervo completo.
Sempre morei em Curitiba. Fiz o meu curso primário com a Professora Maria da Luz Seiler (Dona Lulu), que lecionava para os quatro anos do primário numa única sala.

Preparou-me muito bem para o difícil exame de admissão do Colégio Estadual do Paraná, então situado na Rua Ébano Pereira, onde permanecemos até o 2º ano. Não posso deixar de lembrar dos excelentes professores que tive: Mansur Guérios de Português; o Vitola (Zequinha) de Francês; o Butter de Inglês; o Ulisses Melo e Silva; de História Geral, o Robine de Geografia; o Bento Mossurunga de Música e do professor de Trabalhos Manuais.

Cursei o terceiro ano, do magnífico Colégio Estadual, já na nova sede da Avenida João Gualberto, inaugurada em 29 de março de 1950 pelo Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, no governo de Moysés Lupion, graças a iniciativa do interventor Manoel Ribas e continua sendo o maior e melhor Colégio de Ensino médio de Curitiba.

Foi no Colégio Estadual que dei os primeiros passos no esporte, começando pela natação, passando para o atletismo, basquete e voleibol. Lembro-me dos professores Hamilton Saporski, do Germano Mayer e do Hélcio Buck Silva, campeão sul-americano de salto com vara.

Aprendi então, a importância da competição esportiva na minha formação.

Fixei-me posteriormente no Basquete e, ainda juvenil, já participava da equipe principal do Clube Curitibano, que se sagrou por doze anos campeã da cidade, Dodeca Campeã.

Como associado, na gestão de Rubens Arles Bettega e Mbá de Ferrante, fui diretor de esportes e atleta do clube. A equipe sob os comandos de Eurídice Campos, Hugo P. Riva e posteriormente de Almir de Almeida.

Narsen Paula de Castro, Ribas (Esquerdinha), Padilha, Jael de Barros, Edson Guimarães, Marcus Cunha, Jorge Genari e outros sócios atletas que moravam no sótão da antiga sede campestre da Getúlio Vargas integravam a equipe. Foi um tempo inesquecível que culminou com o reconhecimento do Clube Curitibano, ao fazer a remissão do pagamento das minhas mensalidades ao Clube.

Nessa época, em 1955, prestei o exame vestibular de Direito, na Universidade Federal do Paraná, até a colação de grau, antecipada para 1959, em comemoração ao centenário de Clóvis Beviláqua. Como nasci em março, era o mais moço da turma.

Foi o tempo que passei também pelo CPOR, Curso de Cavalaria, recebendo a carta patente de 2º Tenente assinada pelo Juscelino Kubitschek e pelo Marechal Lott. Estagiei, então, no quartel do REC/MEC no Boqueirão.

Fiz grandes amigos no Colégio Estadual, na Faculdade, no CPOR e nas minhas atividades profissionais. O maior deles foi o Mário Diney Correa Bittencourt, desde os tempos do colégio até a Faculdade e, posteriormente, como estagiários e advogados do escritório de advocacia de Rubens Requião.

Aos 23 anos ingressei, no magistério, lecionando como professor assistente, instituições de Direito Público e Privado, nos cursos de Economia e Administração de Empresas da Universidade Federal do Paraná. Alunos, bem mais velhos que eu. Era já casado com a Glay Medeiros Tourinho.

Despedi-me, depois de 28 anos, como Professor Adjunto, quando apresentei no concurso a tese O Fato Jurídico Tributário.

Quando trabalhava no Escritório Rubens Requião fundamos a Sociedade Requião, Miró e Bittencourt, para atender uma clientela de expressiva projeção em Curitiba, como Hermes Macedo S.A., Impressora Paranaense, Minerva, Fábrica de Fitas, Fiat Lux e outras, inclusive fora do Estado como Braswey S.A., Frigorífico Wilson, Frigorifico Armour, Cia Swift, Sanbra, Anderson Clayton e outras.

Nessa época, em 1961, passei a prestar serviços pessoais de advocacia para as Indústrias Klabin de Papel e Celulose S.A. Em 1993, ocupei a Diretoria Jurídica da empresa. Hoje em dia, continuo na ativa com a Klabin como secretário e assessor jurídico da Presidência do Conselho de Administração. São mais de 55 anos ligados à Klabin.

Convivi com grandes amigos, como Abraão Jacob Lafer, pai do Celso Lafer, com quem mantenho relações profissionais e de amizade até hoje. Verdadeiros clientes e amigos como o Pedro Piva e Miguel Lafer já falecidos. Armando, Daniel e Israel Klabin, Vera Lafer, Paulo Lafer Galvão, Horácio e Eduardo Lafer Piva, netos do Horácio Lafer com quem aprendi muito.

Também, como advogado, passei a sócio e membro do Conselho de Administração da Peróxidos do Brasil Ltda, “joint venture” entre a gigante belga Solvay e Nicolas Makay o qual represento no Conselho, como amigo e advogado.

Não posso deixar de memorizar algumas outras passagens da minha vida.

A primeira língua foi o alemão e como dizia muito “não” aos meus primos, meu apelido era “nine”. Tinha uma prima a Mariza Miró Lopes que, para poder andar na minha bicicleta, me deixava sentado aguardando a vez na soleira da porta da casa da Praça Garibaldi 51, depois dela ameaçar denunciar-me como quinta coluna, pois falava alemão.

Com a guerra e a proibição de falar alemão, lembro-me das minhas aflições ouvindo minha avó Margarida Meister, casada com Eurico Fonseca, dono da Casa Vermelha, falando alemão pelo telefone com as irmãs e amigas. Quando a Glay era ainda minha noiva, ela frequentava os lanches na casa da minha avó, Margarida, onde todos só falavam o alemão. Mas, por isso, ela aprendeu a enfrentar os cardápios dos restaurantes em Zurique. Casamo-nos em 1960.

Viajamos muito, desde 1964, e quando minha filha Gisele jogava tênis, internacionalmente, acompanhávamos sua carreira de sucesso na América do Sul, Europa, Japão e Estados Unidos, culminando com a participação dela na Olimpíada de Seul e ganhadora da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis.
Para a Klabin também inúmeras vezes estive no exterior para complicadas negociações empresariais, quando aprendi a reconhecer Zurique como um segundo lar.

Pelo levantamento de duas a três vezes por ano, já completei mais de 100 viagens ao exterior, na grande maioria das vezes à Europa.
Tenho dez netos, quatro da Gisah: Luigi, Gabriela, Giuliano e Mirela; três do Joaquim: Julianna, Gustavo e Joaquim Junior; três da Gisele: Isabela, Daniela e Rafaela.

Minha neta Gabriela proporcionou-me dois bisnetos, Cauê e Giulia. Meu neto Luigi um, o Guilherme.

Meu filho Joaquim dirige o Escritório Miró Neto Advogados, com atendimento de seleta clientela. Foi ele Presidente do Clube Curitibano com reconhecido sucesso.

Minha filha Gisah, após brilhante curso de Direito na Universidade Federal do Paraná, dedica-se ao comércio, dirigindo o Espaço Nacar 21, como descendente do Visconde de Nacar, avô de minha avó Maria Thereza Guimarães, esposa de Joaquim Miró, considerado o primeiro administrativista do Paraná, catedrático de Direito Administrativo da Universidade Federal do Paraná e fundador do Instituto dos Advogados.

Também ocupei a Presidência do Instituto de Direito Tributário do Paraná, do qual fui fundador, há mais de 50 anos.

“Tim”, foi o apelido que me dei na infância e que me acompanha até os dias de hoje. Antigos companheiros ligam para minha secretária perguntando pelo Dr. Tim Miró.

Pelo jornal Paraná Esportivo, no final do ano de 1955, fui escolhido, aos 18 anos, dentre os maiorais do ano. Estava lá: “Tim Miró – Ninguém pratica tão bem tantos esportes diferentes: basquete, voleibol, futebol de salão, polo aquático e natação”.

Essa capacidade da polivalência marcou, por certo, as boas coisas da minha vida.
Nunca participei de nenhum cargo público e nunca tive carteira profissional de empregado.

Vale mencionar que no Governo do Emilio Gomes o Secretário da Fazenda, Affonso Camargo, fez-me convite para ocupar a presidência do Banco do Estado do Paraná. Como não tinha muita certeza, fui a Brasília para saber a opinião do General Ayrton Tourinho, meu sogro, e Reinaldo de Melo Almeida, tio da Glay. Foi então que conheci uma figura de grande renome político, José Américo de Oliveira, com quem tive a oportunidade de conversar. Dei-lhe todas as explicações, que me pediu, sobre o convite feito.

Embarquei em Brasília com a decisão tomada de aceitar, mas desembarquei em Curitiba com a decisão tomada de não aceitar, o que se revelou ter sido muito bom para mim mais tarde.

Participei, durante muitos anos, como representante da Universidade Federal do Paraná, no Conselho Consultivo do BADEP então presidido pelo Carlos Rischbieter, até sua dissolução no Governo Álvaro Dias.

Na faculdade sempre fui rigoroso, exigindo dos alunos comportamento universitário, como também, na avaliação das provas, com muitas reprovações que, como considerava, não eram de minha responsabilidade.

Moro numa chácara na Vista Alegre das Mercês a cinco minutos do meu escritório na Avenida Manoel Ribas. Dois bosques preservados de Mata Atlântica em um alqueire de área, oito cachorros, patos, marrecos, gansos, galinhas, jacus, micos e esquilos. Verdadeiro paraíso que desfruto, após as viagens semanais ao Rio e São Paulo.

Fico, pois, agradecido ao Luiz Renato Ribas em me convidar para o MEMÓRIAS PARANÁ.

Em tempos de memória, como afirma Bobbio, é o que de melhor resta, para os que resistem ao passar do tempo.

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