Fernando Ribas Amazonas de Almeida (2016) Direito – Curitiba – Paraná

Nasci em 1944, em Curitiba, na mesma data de meu pai, cinco de março. Tive uma infância de muita brincadeira à moda antiga, jogando futebol, empinando raia, soltando balão, tudo isso era permitido. Não corria riscos na rua sem o acúmulo de veículos que hoje tem.

Estudei os meus primeiros anos no Grupo Escolar Professor Cleto, até o terceiro ano. Depois fui para o Colégio Santa Maria, onde fiquei alguns anos. Como os meus vizinhos eram todos estudantes do Colégio Estadual do Paraná, que foi edificado pelo meu avô, Manoel Ribas, quando interventor do Estado do Paraná, eu pedi para ir para lá, por conta das minhas amizades vizinhas.

Prometi à minha mãe, Helena Ribas de Almeida, filha do Manoel Ribas, que eu nunca iria reprovar se eu fosse para aquele colégio. E lá fui eu para o Estadual, onde também fiz muitos amigos, como no Santa Maria.

Embora paranaense de nascimento, sou filho de um pernambucano, e de uma gaúcha. A minha mãe era do Rio Grande, onde meu pais se casaram e depois vieram para Curitiba. Meus dois irmãos mais velhos são gaúchos, de Santa Maria. Mas eu sou curitibano.

Após terminar o curso científico, fiz vestibular na PUC e ingressei na Faculdade de Direito, com uma boa classificação na época, terceiro lugar. No quarto ano do curso, fui estudar em Portugal, na Universidade de Coimbra. Isso em razão de um convênio que existia entre as nações do Brasil e de Portugal, de equivalência do curso de Direito. Voltei no quinto ano para me formar pela PUC.

Passada essa época, quando retornei ao Brasil, o meu primeiro trabalho foi em uma firma de engenharia, da qual meu irmão Carlos Amazonas de Almeida era sócio. Trabalhei com ele durante muitos anos, foi quando eu aprendi a trabalhar. Carlos é meu padrinho de batismo, e meu segundo irmão, mais velho do que meu outro irmão Gustavo Amazonas de Almeida, promotor público.

Depois disso, eu montei uma loja de comércio de materiais de construção, e abri outras duas unidades. Eu tinha, por querências, uma loja de materiais de construção em Castro. Comercializava basicamente cimento, cerca de 15 mil sacos por mês. Foi o que me deu lastro econômico para garantir a minha subsistência e da minha família.

Fui também sindicalista, presidente do Sindicato de Comércio Atacadista de Materiais de Construção do Estado do Paraná. Tínhamos, então, mais de três mil estabelecimentos de materiais de construção. E eu fui presidente do sindicato por mais de uma vez.

Fui ainda diretor e vice-presidente da Federação do Comércio do Estado do Paraná, e conselheiro e membro do SESC. Participei da comissão de obras do SESC, junto com outros colegas, também importantes empresários do Paraná.

Em 1985, tive a oportunidade de concorrer ao Tribunal Regional do Trabalho, como magistrado. Na época os juízes ainda não tinham o tratamento de desembargador. Eram apenas juízes do tribunal, ou seja, juízes de segundo grau.

Eu já era formado em Direito e já tinha estudado em Coimbra, mas, como também me dedicava ao comércio, decidi estudar administração de empresas na PUC. Hoje, possuo dois cursos superiores – o de administrador de empresas e o de bacharel em Direito.

Quando me tornei juiz do Tribunal do Trabalho, eu não era de carreira, não era um juiz togado, como diziam. Mas tinha os mesmos direitos e as mesmas obrigações de um juiz togado do tribunal. Também não era do Quinto Constitucional, que se tornava vitalício. Mas fui nomeado por quatro vezes para o tribunal.

Houve uma coisa inusitada, inédita. Fui nomeado por quatro presidentes da República diferentes. Ao cabo disso, na última nomeação, eu tinha a posição de vitalício. Porque eu poderia me aposentar a qualquer hora que quisesse. Eu teria direito a me aposentar como juiz do tribunal, hoje tratado como desembargador federal do trabalho.

Isso, para a minha vida profissional, foi de grande importância, pois me deu condições de me aposentar. Por ter cumprido as minhas obrigações de trabalho, com muita dignidade, honrando meus ancestrais, entre os quais, por parte de meu pai, houve um desembargador do Estado do Amazonas, Emílio Bonifácio de Almeida.

A minha avó tinha um nome peculiar, chamava-se Ledroneta. Meu pai, Edson Amazonas de Almeida, era o filho caçula, e quando ele nasceu minha avó faleceu. Meu pai nasceu no Estado do Amazonas, em Tefé. E, seguindo uma moda antiga, o sobrenome Amazonas foi introduzido no sobrenome dele, mas ele não gostava de ser amazonense, não sei por quê. Então, dizia que era pernambucano. Naquela época, os magistrados podiam se mudar de Estado para Estado, sem renovar o concurso. Então, meu avô foi ser magistrado em Pernambuco. Meu pai contava que saiu de Pernambuco com 17 anos, e foi estudar na Escola Militar no Rio de Janeiro. Ele era oficial do Exército, faleceu como general de divisão.

O meu avô materno, Manoel Ribas, era o diretor da Cooperativa dos Ferroviários do Rio Grande do Sul. Ele tinha uma personalidade muito forte. Meu pai me contou que, certa vez, em tom de brincadeira, pediu minha mãe em casamento ao seu Manoel, e até hoje não recebeu a resposta. Ele já era casado, já tinha os filhos todos.

Eu tenho a impressão que meus pais se respeitaram a vida a vida inteira. Meu pai (Edson) foi um ótimo pai e minha mãe Helena foi uma ótima mãe. A minha avó chamava-se Zelinda Fonseca, e era de Castro, e meu avô (Manoel Ribas) de Ponta Grossa. Por conta disso, que ele foi chamado por Getúlio, por volta de 1930, para ser o interventor do Paraná. E assim foi até um ano antes de falecer, em 1944.

Retornando à minha atuação no Tribunal do Trabalho, por ter sido nomeado por quatro vezes, eu tive a oportunidade de ficar lá durante 12 anos, quase até os anos 2000, até meados da presidência do doutor José Fernando Rosas.

Ao me aposentar, deram o meu nome a um plenário do tribunal, o Plenário Juiz Fernando Ribas Amazonas de Almeida. Para mim, foi uma grande honraria.

Sobre a minha família: minha esposa, Maria Luísa de Almeida Rocha, é filha do doutor João Átila Rocha, médico urologista, e de dona Aparecida de Almeida Rocha. Tive, com Maria Luísa, quatro filhos: uma moça, hoje com 47 anos; um rapaz, biólogo, 46 anos, que esteve 12 anos fora do Brasil, estudando genética molecular e reprodução humana; o terceiro, Marcos Rocha Amazonas de Almeida, que se dedica muito ao esporte, inclusive como alpinista, e que viajou pelo mundo todo, escalando montanhas; e o mais moço, que tinha 12 anos quando me separei de minha esposa, há cerca de 20 anos e que ficou morando comigo. Por osmose, tornou-se advogado. Hoje, ele mora a uma quadra da minha casa e é solteiro ainda.

Eu tenho sete netos, e o oitavo está a caminho. Tenho neta arquiteta, advogada, tenho neto estudante de direito, e tenho os outros pequeninos, a quem eu muito estimo. Estamos junto dentro daquilo que lhes é possível, porque eu tenho tempo livre, mas eles não.

Minha filha mais velha é a Daniela Rocha Amazonas de Almeida Zatoni. Meu filho biólogo, Eduardo Rocha Amazonas de Almeida, o do Marcos eu já declinei e o último, que morou comigo, e é muito meu companheiro, é Ricardo Rocha Amazonas de Almeida, um advogado muito laborioso e muito valente como jurista.

Durante a minha vida profissional, fiz muitos cursos de extensão: mercado de capitais e financeiro, significado moderno da administração de empresas, administração por objetivos, administração mercadológica, Simpósio Internacional de Administração por Resultados, Terceiro Seminário do Comércio do Estado do Paraná, na Universidade Estadual de Maringá; Associação dos Diplomados na Escola Superior de Guerra, isso em 1977.

No 9º Encontro de Magistrados do Trabalho da 9ª Região, eu já era magistrado e andei pelo Brasil todo quase: Primeiro Encontro de Magistrados Trabalhistas Brasileiros, em Recife. Segundo Congresso Internacional do Direito do Trabalho em Fortaleza, no Ceará. Ciclo sobre Direito do Trabalho, a Convenção número 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Simpósio de Atualização Sindical, em Camboriú; Encontro de Magistrados Trabalhistas, no Rio de Janeiro; Encontro de Dirigentes Sindicais do Paraná.

Sou também membro suplente do Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná, conselheiro do Serviço Social do Comércio, SESC; membro do Conselho da Comunidade junto às varas de execuções penais, e corregedoria dos presídios; e representante da Associação Comercial e Industrial do Estado do Paraná.

Tenho igualmente como muito importante a minha vida pelo Tribunal Regional do Trabalho, da 9ª Região, onde conheci pessoas importantes, de grande cultura e de grande trabalho. Como eu tinha um mandato e poderia ser ou não reconduzido, em uma das ocasiões não fui reconduzido. E por um período de quatro meses, estive fora do Tribunal. No entanto, talvez por minha aptidão, fui nomeado procurador geral do INSS no Paraná, onde fiquei esses quatro meses.

Mas como meu coração tinha ficado na Justiça do Trabalho e eu nunca escondi isso, acabei retornando ao Tribunal, após aquele breve afastamento, e ali totalizei um tempo de 12 anos de total dedicação.

Ao me aposentar, posso dizer que desempenhei o meu trabalho jurídico com muito denodo. No meu gabinete, zerei os processos, não deixando um sequer para ser julgado. Próximo ao ano de 2000, um pouco antes disso, tendo entrado no Tribunal, em 1985/1986 aproximadamente, fiz parte da segunda turma do Tribunal. Quando lá ingressei, havia apenas uma turma; hoje, ao que me parece, têm sete turmas. Então é um Tribunal que cresceu muito, devido ao grande número de processos e ao aumento da demanda jurídica que temos no Brasil.

O Tribunal do Trabalho do Paraná é um local magnífico, muito bom. Os magistrados e os serventuários são de uma dedicação extrema. É certo que eu sou suspeito para falar disso, porque aquele Tribunal é como se fizesse parte da minha família.

Até hoje, quando vou ao Tribunal e por lá transito, tenho muitas alegrias e muitas satisfações como todos aqueles que ainda não se aposentaram. Isso é muito bom para todos nós, e eu me sinto muito agradecido por ver o meu filho mais moço seguindo uma carreira também jurídica. Hoje sou uma espécie de consultor dele, naquilo em que eu saiba responder, porque tudo ninguém sabe, e estamos sempre buscando conhecimento no nosso dia-a-dia.

Como já disse, tenho a honra de ter uma neta formando-se em direito, em 2016. E tenho a impressão de que a minha vida de contribuição foi muito honrada. Procurei por isso sempre. Durante a minha conduta no trabalho, sempre fui pontual, muito conclusivo, sem deixar coisas para trás. Procurei sempre dar solução a todas as pendências, tanto minhas quanto daqueles que me cercavam no trabalho, no lazer ou onde fiz amizades.

Ainda sobre meus netos, Amanda, Letícia, Bernardo, Alice, Gabriel e Catarina, gêmeos; Francisco, com quase dois anos, nome dado em homenagem ao Papa Francisco; e de uma outra neta que está chegando, mas da qual ainda não sabemos o nome, que está em estudo. Essa é a minha família.

Esta é a minha trajetória, do ano zero até os 72 anos. E espero ainda ter muitos anos pela frente, com saúde e paz de espírito.

 

             Sua oitava neta, Luisa filha de Luciane e Eduardo, nasceu em 26/8/2016.

Comentarios 1

  1. Rosi Viana

    Excelente pessoa, profissional competente, honesto.Poderia deixar uma lista enorme de qualidades que este ser humano possui e mesmo assim seria insuficiente para dizer tudo deste homem grandiosamente humano. Parabéns Paraná, por ter um representante tão brilhante como Dr. FERNANDO RIBAS AMAZONAS DE ALMEIDA.

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