Mario Fernando De Camargo Maranhão (2015) Medicina – Curitiba – Paraná

Sou  curitibano com muita honra e nasci na antiga maternidade Victor do Amaral. A minha mãe era professora, chamada Avani Loyola de Camargo Maranhão e meu pai militar, Mário Maranhão. Cresci em Curitiba e aqui fiz os meus estudos, começando o curso primário no antigo grupo escolar Barão do Rio Branco, que hoje virou colégio. O secundário, no antigo Liceu Rio Branco, do saudoso Aníbal Borges Carneiro e que hoje virou Colégio Estadual Rio Branco.

Terminei meu curso secundário no colégio Belmiro César, e em seguida, consegui no primeiro ano, ingressar na faculdade de medicina através do vestibular na Universidade Federal do Paraná. Formei-me médico e realizei a minha formação profissional em São Paulo, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, na fase pré Incor. Na segunda Clínica médica do Professor Luiz de Cour, onde conheci também o professor Zerbini Adibe Jatene, recebi um convite para ir a Paris, onde trabalhei no Hospital da Universidade de Paris.

Na realidade, continuei minha formação profissional com estágios em Filadélfia em Beverly Hills na Califórnia. Foi essa minha formação profissional. Não posso esquecer que durante essa trajetória, casei e tive meus filhos: Maria Fernanda, que hoje é  antropóloga no Museu Paranaense ; Mário Sérgio, que trabalha com Comércio Exterior e Márcio Luiz, que trabalha na Secretaria Municipal de Saúde. No segundo casamento, casei com Carmem Maranhão e tive o filho Leonardo, que hoje está na Alemanha fazendo mestrado em Finanças e se formou em economia na Universidade Federal.

Na realidade, nenhum dos filhos quis seguir a minha carreira, talvez porque achassem que essa carreira exigia sacrifício, realmente exigiu e exige até hoje. A medicina na realidade, além de ser uma profissão é uma arte, ela exige uma dedicação exclusiva, você tem que estar atualizado para poder competir hoje num mercado totalmente ativo e globalizado.

Ainda como acadêmico, tive várias incursões pela área da Imprensa, como no Jornalismo e no rádio em 1956, quando era calouro de medicina e estava no primeiro ano, fui convidado pelo João Feder e o Colmar Rocha Braga integrando uma equipe esportiva da Rádio Guairacá. Eu era foca, um repórter do plantão esportivo e todo domingo estava de castigo.

Também iniciei uma atividade paralela na Tribuna do Paraná, criando uma feira literária, pois eu sempre gostei muito de literatura, principalmente de ler e escrever. Isso me ajudou bastante na minha vida profissional, mas a grande escola da vida para mim foi da Medicina.

O período de 1957 a 1961 no extinto Diário do Paraná, jornal da sociedade da família Paranaense, que realmente foi uma escola de grandes mestres da imprensa pessoas assim que até hoje convivo e respeito muito como: Luiz Geraldo Mazza, Airton Batista, Adherbal Fortes Junior, Luiz Renato Ribas e alguns que deixaram a imprensa como Sylvio Back e Renê Dotti.

A medicina estava realmente na minha vocação, e eu exercia suas tarefas alternando com atividades acadêmicas, e plantões no Hospital Nossa Senhora das Graças. No tempo que a clínica médica era dirigida por um profissional como Lisandro Santos Lima.

Inicialmente, eu comecei ainda no sexto ano de medicina com a inauguração. Não a inauguração oficial, mas a real, de funcionamento do Hospital de Clínicas em 1961. Eu fiz parte da primeira turma de acadêmicos que fazia plantão naquele Hospital Universitário. Eu me lembro de fatos jocosos, por exemplo, quando a gente estava no plantão, a gente olhava no relógio, 14 horas, e ficava esperando por uma leva de pacientes que vinham do interior. Eles desciam na estação ferroviária e se locomoviam até Hospital das Clínicas e então a equipe de plantão, que estava mais ou menos ociosa, tinha muito trabalho até o fim desse plantão, que se prolongava pela noite toda.

Naquele tempo existia o SANDU, mas não tinha seus serviços de emergência que hoje atende inclusive em casa, e o chamado SAMU, que faz um trabalho muito meritório e que atende às emergências. A rádio patrulha, naquele tempo, encontrava às vezes indigentes ou até pessoas embriagadas ou inconscientes na rua. Eles não tinham nem o trabalho de bater na porta do hospital, eles deixavam na porta, e a gente tinha que adivinhar os diagnósticos, porque as pessoas estavam ou inconscientes  ou embriagadas. A gente não podia contar com as queixas do paciente, e muitas vezes eram casos graves de coma diabético ou acidente vascular cerebral.  Esse talvez foi o início realmente da minha vida profissional.

Ao regressar do primeiro treinamento em São Paulo, como bolsista da CAPES, eu consegui que fosse honrada uma promessa do então reitor da Universidade Federal do Paraná, Flávio Suplicy de Lacerda. Porque os acadêmicos quando se formavam, e para obter uma bolsa, tinham que ter o aval de um futuro empregador. Então o Flávio Lacerda, muito relutantemente, assinou um compromisso de me aproveitar no meu retorno. Então a partir de 1963, passei a ser um instrutor de ensino da Universidade Federal do Paraná.

Nessa universidade, na qual eu sou formado, desenvolvi uma carreira sempre por concursos. Galgando posições de auxiliar de ensino, professor assistente, professor livre docente, doutor. E nessa época, eu recebi um convite do saudoso Professor Daniel Egg, que havia criado a Faculdade Evangélica de Medicina, para compor o seu corpo clínico na área da clínica médica, porque a clínica médica englobava cardiologia. Então permaneci 30 anos na Faculdade Evangélica, como titular de Clínica Médica e mais efetivamente professor titular de Cardiologia.

Na federal, o grande mentor foi o Professor Gastão Pereira da Cunha. Na época eu optei por não seguir nessa carreira. Com 30 anos exatos, eu me aposentei na Universidade Federal Paraná, e me dediquei apenas à Faculdade Evangélica nos últimos dez anos, de 40 anos de vida acadêmica como professor.

Na vida profissional, o meu primeiro emprego como médico, foi justamente no Sesi -Serviço Social da Indústria, que tinha um posto de atendimento, no qual eu tive o privilégio de permanecer por 15 anos. Nesse ínterim, apareceu uma oportunidade de ser médico no ambulatório do extinto IAPI, que virou INPS, depois INAPES, do qual eu ainda, por uma temporada curta de sete meses, fui Superintendente Regional. E hoje o INAPES, que naquela época tinha dinheiro e prestígio, passou a se denominar SUS.  Então nesse período, eu solicitei a minha aposentadoria como médico, e hoje eu sou médico aposentado do Ministério da Saúde.

Da minha vida como médico de consultório, eu realmente comecei como todos começam, com poucos clientes, mas com o aval de bons resultados, digamos assim, uma capacidade de diagnóstico e tratamento. Conseguimos construir uma clínica que existe até hoje, na qual ainda atendo meus clientes mais fiéis. Que me criaram inclusive um grande problema, porque se eu imaginasse desistir da profissão, como é que eu poderia dar as costas para toda essa legião de pacientes que confiaram durante décadas, na minha capacidade como médico. Então essa é uma das interrogações que eu tenho ainda, e por isso me mantenho bastante ativo, atualizado, para poder atender essas pessoas.

Trabalhei em emergência médica, como já havia mencionado, nos plantões do Hospital das Clínicas, depois passei a trabalhar em hospitais aqui de Curitiba. Começando com o hospital Santa Cruz, onde inauguramos, com alguns colegas, a primeira unidade de tratamento intensivo coronário. Quando o hospital fechou as portas, nos mudamos levando os monitores praticamente nas costas, para o hospital Nossa Senhora do Pilar. No primeiro estágio passamos por uma clínica que não existe hoje chamada Clisama. O Hospital Santa Cruz reabriu em 1974, a nossa criação da unidade de terapia intensiva foi 1971, e eu tive o privilégio de montar uma nova unidade coronária de tratamento intensivo naquele hospital.

Como professor de cardiologia da Faculdade Evangélica, eu cuidava também dos laudos de eletrocardiografia, e dirigia a parte clínica do hospital ao lado da parte didática. Também montamos uma unidade coronária naquele hospital, na época tínhamos colegas como, por exemplo, Danton Rocha Loures, que era o chefe da cirurgia. De comum acordo organizamos essa UTI coronária, que perdura até hoje naturalmente, porque é um dos serviços mais importantes que existem dentro de um hospital. Mas do qual já me desincumbi há vários anos.

Ainda dentro do esquema do diagnóstico das doenças cardíacas, consegui trazer as primeiras bicicletas ergométricas para Curitiba. Colocando inicialmente uma no Hospital de Clínicas, e uma no Hospital Santa Cruz. Também na parte de diagnóstico, fomos os primeiros a trazer aparelhos de holter, ou seja de eletrocardiografia dinâmica. Mais tarde, me incorporei, a convite do doutor Constantino Constantini, ao hospital o que ele criou na Água Verde, que hoje tem 20 anos. E neste hospital fui o seu primeiro diretor clínico, depois diretor internacional, tendo colaborado bastante na área de pesquisa, e na da área da cardiologia. Então foram contribuições que foram somadas ao longo do tempo, e naturalmente me deram uma experiência cada vez maior, porque é somente trabalhando e atuando que você realmente fica um especialista da área.

Apesar dos nossos esforços, conhecimentos e, sobretudo toda alta tecnologia, os pacientes vinham a falecer. Então me interessou muito o aspecto da prevenção das doenças cardiovasculares. Isso coincidiu quando um conhecimento, com duas pessoas que foram importantes, redirecionaram o sentido da minha atividade profissional. Eu falo do professor Kenned Cooper, criador do conceito de condicionamento físico. E posteriormente, com doutor Dean Ornish, cardiologista da Califórnia, que criou o conceito de estilo de vida saudável. Eu fui um dos arautos desse estilo de vida aqui no país.

Quando me formei em 1956, no curso de Clínica de Cardiologia, eu participei de alguns momentos importantes da luta contra o cigarro. Em Curitiba, na década de 60, chegou a haver até uma greve do fumo. Não só liderada por médicos, mas também por profissionais de outras áreas e com a participação da comunidade, nós chegamos a mobilizar a opinião pública e a fazer palestras. Eu até fui encarregado de fazer sermões em igreja. Essa guerra contra o fumo foi muito interessante, por que marcou aqui em Curitiba, e realmente foi exemplo para outros estados. Realmente foi um movimento bastante eficaz, foi uma época muito importante.

Ocorreu um fato muito especial, quando na minha vida associativa, eu cheguei à presidência da Federação Mundial de Cardiologia de 2000 a 2002. Eu participei como representante da Federação Mundial de Cardiologia em Genebra, na Suíça, na sede da Organização Mundial da Saúde, da Conferência Magna para Controle do Tabagismo.

Mas falando de quando eu cheguei a presidir a Federação Mundial de Cardiologia, eu tive uma sequência natural. Primeiro eu fui um dos médicos que ajudou a fundar a Sociedade Paranaense de Cardiologia, e me tornei o terceiro presidente dessa entidade. E ali me coube Organizar o Congresso Brasileiro de Cardiologia em Curitiba, em 1981. Quando então realizamos o Congresso Brasileiro de Cardiologia. Nesse congresso, fui eleito para presidir a Sociedade Brasileira de Cardiologia, também por dois anos, o meu mandato foi de 82, 83.

Em seguida ingressamos em uma atividade internacional. Primeiro como uma comissão internacional da SBC, captamos o Congresso Interamericano de Cardiologia, que foi realizado no Rio de Janeiro, em 1989. Nesse congresso fomos eleitos presidente da Sociedade Interamericana de Cardiologia, e durante o mandato desta última entidade, conseguimos captar o Congresso Mundial de Cardiologia, que foi realizado no Rio de Janeiro, em 1998. Neste congresso também fui eleito para presidir a Federação Mundial de Cardiologia, de maneira que, na área profissional especializada, atingi todos os níveis. Sempre com muito trabalho, com muita dedicação, porque nada vem por acaso.

Aproveitando todo esse movimento internacional, conseguimos também expandir as fronteiras da cardiologia brasileira, levando grupos de cardiologistas do Brasil a não só participar de eventos internacionais, como também a participar como palestrantes desses eventos. Então contribuímos para a internacionalização da cardiologia brasileira.

Tive oportunidade também de trabalhar na área assistencial. Quando fui o superintendente do INANPS. Voltando ao passado, me lembro que o INANPS, além de ter prestígio e dinheiro era foco daquela romaria de prefeitos do interior e presidentes de câmara de vereadores. As campanhas todas de vacinação, de erradicação da poliomielite, de vacinação infantil, eram feitas através da Secretaria de Saúde. Mas como essa Secretaria de Saúde sempre tinha minguado os recursos, quem acabava financiando toda a logística das vacinas era o INANPS, só que o INANPS tinha o ônus, mas não tinha o bônus. Porque toda a propaganda dirigida era uma atividade do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde, e o INAMPS que tinha todo o ônus, toda a logística, não era reconhecido. Mas isso continua sendo uma contribuição a parte assistencial. Eu diria que a universalização da assistência médica foi uma conquista, embora a gente hoje tenha muitas dificuldades.

Não posso me esquecer também da atividade assistencial social. No primeiro ano do Rotary Clube Curitiba Batel, nós ganhamos um troféu, que foi justamente pelo atendimento odontológico ao Pequeno Cotolengo. Na época criamos e doamos um ambulatório odontológico, e alguns dos nossos membros doaram o seu trabalho também para atender aquelas crianças com problemas especiais.

Eu tenho viajado muito em função da minha atividade profissional. Posso dizer que alguns colegas me chamam de Marco Polo da cardiologia, porque eu já estive dez vezes na China, o número igual no Japão, muitas vezes na Índia, Indonésia, estive nas Filipinas, em Cingapura, na Tailândia, na Malásia, em Taiwan. Sempre em atividade profissional, tanto como palestrante, como levando cursos também.

Sou curitibano com muita honra e nasci na antiga maternidade Victor do Amaral. A minha mãe era professora, chamada Avani Loyola de Camargo Maranhão e meu pai militar, Mário Maranhão. Cresci em Curitiba e aqui fiz os meus estudos, começando o curso primário no antigo grupo escolar Barão do Rio Branco, que hoje virou colégio. O secundário, no antigo Liceu Rio Branco, do saudoso Aníbal Borges Carneiro e que hoje virou Colégio Estadual Rio Branco.

Terminei meu curso secundário no colégio Belmiro César, e em seguida, consegui no primeiro ano, ingressar na faculdade de medicina através do vestibular na Universidade Federal do Paraná. Formei-me médico e realizei a minha formação profissional em São Paulo, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, na fase pré Incor. Na segunda Clínica médica do Professor Luiz de Cour, onde conheci também o professor Zerbini Adibe Jatene, recebi um convite para ir a Paris, onde trabalhei no Hospital da Universidade de Paris.

Na realidade, continuei minha formação profissional com estágios em Filadélfia em Beverly Hills na Califórnia. Foi essa minha formação profissional. Não posso esquecer que durante essa trajetória, casei e tive meus filhos: Maria Fernanda, que hoje é  antropóloga no Museu Paranaense ; Mário Sérgio, que trabalha com Comércio Exterior e Márcio Luiz, que trabalha na Secretaria Municipal de Saúde. No segundo casamento, casei com Carmem Maranhão e tive o filho Leonardo, que hoje está na Alemanha fazendo mestrado em Finanças e se formou em economia na Universidade Federal.

Na realidade, nenhum dos filhos quis seguir a minha carreira, talvez porque achassem que essa carreira exigia sacrifício, realmente exigiu e exige até hoje. A medicina na realidade, além de ser uma profissão é uma arte, ela exige uma dedicação exclusiva, você tem que estar atualizado para poder competir hoje num mercado totalmente ativo e globalizado.

Ainda como acadêmico, tive várias incursões pela área da Imprensa, como no Jornalismo e no rádio em 1956, quando era calouro de medicina e estava no primeiro ano, fui convidado pelo João Feder e o Colmar Rocha Braga integrando uma equipe esportiva da Rádio Guairacá. Eu era foca, um repórter do plantão esportivo e todo domingo estava de castigo.

Também iniciei uma atividade paralela na Tribuna do Paraná, criando uma feira literária, pois eu sempre gostei muito de literatura, principalmente de ler e escrever. Isso me ajudou bastante na minha vida profissional, mas a grande escola da vida para mim foi da Medicina.

O período de 1957 a 1961 no extinto Diário do Paraná, jornal da sociedade da família Paranaense, que realmente foi uma escola de grandes mestres da imprensa pessoas assim que até hoje convivo e respeito muito como: Luiz Geraldo Mazza, Airton Batista, Adherbal Fortes Junior, Luiz Renato Ribas e alguns que deixaram a imprensa como Sylvio Back e Renê Dotti.

A medicina estava realmente na minha vocação, e eu exercia suas tarefas alternando com atividades acadêmicas, e plantões no Hospital Nossa Senhora das Graças. No tempo que a clínica médica era dirigida por um profissional como Lisandro Santos Lima.

Inicialmente, eu comecei ainda no sexto ano de medicina com a inauguração. Não a inauguração oficial, mas a real, de funcionamento do Hospital de Clínicas em 1961. Eu fiz parte da primeira turma de acadêmicos que fazia plantão naquele Hospital Universitário. Eu me lembro de fatos jocosos, por exemplo, quando a gente estava no plantão, a gente olhava no relógio, 14 horas, e ficava esperando por uma leva de pacientes que vinham do interior. Eles desciam na estação ferroviária e se locomoviam até Hospital das Clínicas e então a equipe de plantão, que estava mais ou menos ociosa, tinha muito trabalho até o fim desse plantão, que se prolongava pela noite toda.

Naquele tempo existia o SANDU, mas não tinha seus serviços de emergência que hoje atende inclusive em casa, e o chamado SAMU, que faz um trabalho muito meritório e que atende às emergências. A rádio patrulha, naquele tempo, encontrava às vezes indigentes ou até pessoas embriagadas ou inconscientes na rua. Eles não tinham nem o trabalho de bater na porta do hospital, eles deixavam na porta, e a gente tinha que adivinhar os diagnósticos, porque as pessoas estavam ou inconscientes  ou embriagadas. A gente não podia contar com as queixas do paciente, e muitas vezes eram casos graves de coma diabético ou acidente vascular cerebral.  Esse talvez foi o início realmente da minha vida profissional.

Ao regressar do primeiro treinamento em São Paulo, como bolsista da CAPES, eu consegui que fosse honrada uma promessa do então reitor da Universidade Federal do Paraná, Flávio Suplicy de Lacerda. Porque os acadêmicos quando se formavam, e para obter uma bolsa, tinham que ter o aval de um futuro empregador. Então o Flávio Lacerda, muito relutantemente, assinou um compromisso de me aproveitar no meu retorno. Então a partir de 1963, passei a ser um instrutor de ensino da Universidade Federal do Paraná.

Nessa universidade, na qual eu sou formado, desenvolvi uma carreira sempre por concursos. Galgando posições de auxiliar de ensino, professor assistente, professor livre docente, doutor. E nessa época, eu recebi um convite do saudoso Professor Daniel Egg, que havia criado a Faculdade Evangélica de Medicina, para compor o seu corpo clínico na área da clínica médica, porque a clínica médica englobava cardiologia. Então permaneci 30 anos na Faculdade Evangélica, como titular de Clínica Médica e mais efetivamente professor titular de Cardiologia.

Na federal, o grande mentor foi o Professor Gastão Pereira da Cunha. Na época eu optei por não seguir nessa carreira. Com 30 anos exatos, eu me aposentei na Universidade Federal Paraná, e me dediquei apenas à Faculdade Evangélica nos últimos dez anos, de 40 anos de vida acadêmica como professor.

Na vida profissional, o meu primeiro emprego como médico, foi justamente no Sesi -Serviço Social da Indústria, que tinha um posto de atendimento, no qual eu tive o privilégio de permanecer por 15 anos. Nesse ínterim, apareceu uma oportunidade de ser médico no ambulatório do extinto IAPI, que virou INPS, depois INAPES, do qual eu ainda, por uma temporada curta de sete meses, fui Superintendente Regional. E hoje o INAPES, que naquela época tinha dinheiro e prestígio, passou a se denominar SUS.  Então nesse período, eu solicitei a minha aposentadoria como médico, e hoje eu sou médico aposentado do Ministério da Saúde.

Da minha vida como médico de consultório, eu realmente comecei como todos começam, com poucos clientes, mas com o aval de bons resultados, digamos assim, uma capacidade de diagnóstico e tratamento. Conseguimos construir uma clínica que existe até hoje, na qual ainda atendo meus clientes mais fiéis. Que me criaram inclusive um grande problema, porque se eu imaginasse desistir da profissão, como é que eu poderia dar as costas para toda essa legião de pacientes que confiaram durante décadas, na minha capacidade como médico. Então essa é uma das interrogações que eu tenho ainda, e por isso me mantenho bastante ativo, atualizado, para poder atender essas pessoas.

Trabalhei em emergência médica, como já havia mencionado, nos plantões do Hospital das Clínicas, depois passei a trabalhar em hospitais aqui de Curitiba. Começando com o hospital Santa Cruz, onde inauguramos, com alguns colegas, a primeira unidade de tratamento intensivo coronário. Quando o hospital fechou as portas, nos mudamos levando os monitores praticamente nas costas, para o hospital Nossa Senhora do Pilar. No primeiro estágio passamos por uma clínica que não existe hoje chamada Clisama. O Hospital Santa Cruz reabriu em 1974, a nossa criação da unidade de terapia intensiva foi 1971, e eu tive o privilégio de montar uma nova unidade coronária de tratamento intensivo naquele hospital.

Como professor de cardiologia da Faculdade Evangélica, eu cuidava também dos laudos de eletrocardiografia, e dirigia a parte clínica do hospital ao lado da parte didática. Também montamos uma unidade coronária naquele hospital, na época tínhamos colegas como, por exemplo, Danton Rocha Loures, que era o chefe da cirurgia. De comum acordo organizamos essa UTI coronária, que perdura até hoje naturalmente, porque é um dos serviços mais importantes que existem dentro de um hospital. Mas do qual já me desincumbi há vários anos.

Ainda dentro do esquema do diagnóstico das doenças cardíacas, consegui trazer as primeiras bicicletas ergométricas para Curitiba. Colocando inicialmente uma no Hospital de Clínicas, e uma no Hospital Santa Cruz. Também na parte de diagnóstico, fomos os primeiros a trazer aparelhos de holter, ou seja de eletrocardiografia dinâmica. Mais tarde, me incorporei, a convite do doutor Constantino Constantini, ao hospital o que ele criou na Água Verde, que hoje tem 20 anos. E neste hospital fui o seu primeiro diretor clínico, depois diretor internacional, tendo colaborado bastante na área de pesquisa, e na da área da cardiologia. Então foram contribuições que foram somadas ao longo do tempo, e naturalmente me deram uma experiência cada vez maior, porque é somente trabalhando e atuando que você realmente fica um especialista da área.

Apesar dos nossos esforços, conhecimentos e, sobretudo toda alta tecnologia, os pacientes vinham a falecer. Então me interessou muito o aspecto da prevenção das doenças cardiovasculares. Isso coincidiu quando um conhecimento, com duas pessoas que foram importantes, redirecionaram o sentido da minha atividade profissional. Eu falo do professor Kenned Cooper, criador do conceito de condicionamento físico. E posteriormente, com doutor Dean Ornish, cardiologista da Califórnia, que criou o conceito de estilo de vida saudável. Eu fui um dos arautos desse estilo de vida aqui no país.

Quando me formei em 1956, no curso de Clínica de Cardiologia, eu participei de alguns momentos importantes da luta contra o cigarro. Em Curitiba, na década de 60, chegou a haver até uma greve do fumo. Não só liderada por médicos, mas também por profissionais de outras áreas e com a participação da comunidade, nós chegamos a mobilizar a opinião pública e a fazer palestras. Eu até fui encarregado de fazer sermões em igreja. Essa guerra contra o fumo foi muito interessante, por que marcou aqui em Curitiba, e realmente foi exemplo para outros estados. Realmente foi um movimento bastante eficaz, foi uma época muito importante.

Ocorreu um fato muito especial, quando na minha vida associativa, eu cheguei à presidência da Federação Mundial de Cardiologia de 2000 a 2002. Eu participei como representante da Federação Mundial de Cardiologia em Genebra, na Suíça, na sede da Organização Mundial da Saúde, da Conferência Magna para Controle do Tabagismo.

Mas falando de quando eu cheguei a presidir a Federação Mundial de Cardiologia, eu tive uma sequência natural. Primeiro eu fui um dos médicos que ajudou a fundar a Sociedade Paranaense de Cardiologia, e me tornei o terceiro presidente dessa entidade. E ali me coube Organizar o Congresso Brasileiro de Cardiologia em Curitiba, em 1981. Quando então realizamos o Congresso Brasileiro de Cardiologia. Nesse congresso, fui eleito para presidir a Sociedade Brasileira de Cardiologia, também por dois anos, o meu mandato foi de 82, 83.

Em seguida ingressamos em uma atividade internacional. Primeiro como uma comissão internacional da SBC, captamos o Congresso Interamericano de Cardiologia, que foi realizado no Rio de Janeiro, em 1989. Nesse congresso fomos eleitos presidente da Sociedade Interamericana de Cardiologia, e durante o mandato desta última entidade, conseguimos captar o Congresso Mundial de Cardiologia, que foi realizado no Rio de Janeiro, em 1998. Neste congresso também fui eleito para presidir a Federação Mundial de Cardiologia, de maneira que, na área profissional especializada, atingi todos os níveis. Sempre com muito trabalho, com muita dedicação, porque nada vem por acaso.

Aproveitando todo esse movimento internacional, conseguimos também expandir as fronteiras da cardiologia brasileira, levando grupos de cardiologistas do Brasil a não só participar de eventos internacionais, como também a participar como palestrantes desses eventos. Então contribuímos para a internacionalização da cardiologia brasileira.

Tive oportunidade também de trabalhar na área assistencial. Quando fui o superintendente do INANPS. Voltando ao passado, me lembro que o INANPS, além de ter prestígio e dinheiro era foco daquela romaria de prefeitos do interior e presidentes de câmara de vereadores. As campanhas todas de vacinação, de erradicação da poliomielite, de vacinação infantil, eram feitas através da Secretaria de Saúde. Mas como essa Secretaria de Saúde sempre tinha minguado os recursos, quem acabava financiando toda a logística das vacinas era o INANPS, só que o INANPS tinha o ônus, mas não tinha o bônus. Porque toda a propaganda dirigida era uma atividade do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde, e o INAMPS que tinha todo o ônus, toda a logística, não era reconhecido. Mas isso continua sendo uma contribuição a parte assistencial. Eu diria que a universalização da assistência médica foi uma conquista, embora a gente hoje tenha muitas dificuldades.

Não posso me esquecer também da atividade assistencial social. No primeiro ano do Rotary Clube Curitiba Batel, nós ganhamos um troféu, que foi justamente pelo atendimento odontológico ao Pequeno Cotolengo. Na época criamos e doamos um ambulatório odontológico, e alguns dos nossos membros doaram o seu trabalho também para atender aquelas crianças com problemas especiais.

Eu tenho viajado muito em função da minha atividade profissional. Posso dizer que alguns colegas me chamam de Marco Polo da cardiologia, porque eu já estive dez vezes na China, o número igual no Japão, muitas vezes na Índia, Indonésia, estive nas Filipinas, em Cingapura, na Tailândia, na Malásia, em Taiwan. Sempre em atividade profissional, tanto como palestrante, como levando cursos também.

Sou curitibano com muita honra e nasci na antiga maternidade Victor do Amaral. A minha mãe era professora, chamada Avani Loyola de Camargo Maranhão e meu pai militar, Mário Maranhão. Cresci em Curitiba e aqui fiz os meus estudos, começando o curso primário no antigo grupo escolar Barão do Rio Branco, que hoje virou colégio. O secundário, no antigo Liceu Rio Branco, do saudoso Aníbal Borges Carneiro e que hoje virou Colégio Estadual Rio Branco.

Terminei meu curso secundário no colégio Belmiro César, e em seguida, consegui no primeiro ano, ingressar na faculdade de medicina através do vestibular na Universidade Federal do Paraná. Formei-me médico e realizei a minha formação profissional em São Paulo, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, na fase pré Incor. Na segunda Clínica médica do Professor Luiz de Cour, onde conheci também o professor Zerbini Adibe Jatene, recebi um convite para ir a Paris, onde trabalhei no Hospital da Universidade de Paris.

Na realidade, continuei minha formação profissional com estágios em Filadélfia em Beverly Hills na Califórnia. Foi essa minha formação profissional. Não posso esquecer que durante essa trajetória, casei e tive meus filhos: Maria Fernanda, que hoje é  antropóloga no Museu Paranaense ; Mário Sérgio, que trabalha com Comércio Exterior e Márcio Luiz, que trabalha na Secretaria Municipal de Saúde. No segundo casamento, casei com Carmem Maranhão e tive o filho Leonardo, que hoje está na Alemanha fazendo mestrado em Finanças e se formou em economia na Universidade Federal.

Na realidade, nenhum dos filhos quis seguir a minha carreira, talvez porque achassem que essa carreira exigia sacrifício, realmente exigiu e exige até hoje. A medicina na realidade, além de ser uma profissão é uma arte, ela exige uma dedicação exclusiva, você tem que estar atualizado para poder competir hoje num mercado totalmente ativo e globalizado.

Ainda como acadêmico, tive várias incursões pela área da Imprensa, como no Jornalismo e no rádio em 1956, quando era calouro de medicina e estava no primeiro ano, fui convidado pelo João Feder e o Colmar Rocha Braga integrando uma equipe esportiva da Rádio Guairacá. Eu era foca, um repórter do plantão esportivo e todo domingo estava de castigo.

Também iniciei uma atividade paralela na Tribuna do Paraná, criando uma feira literária, pois eu sempre gostei muito de literatura, principalmente de ler e escrever. Isso me ajudou bastante na minha vida profissional, mas a grande escola da vida para mim foi da Medicina.

O período de 1957 a 1961 no extinto Diário do Paraná, jornal da sociedade da família Paranaense, que realmente foi uma escola de grandes mestres da imprensa pessoas assim que até hoje convivo e respeito muito como: Luiz Geraldo Mazza, Airton Batista, Adherbal Fortes Junior, Luiz Renato Ribas e alguns que deixaram a imprensa como Sylvio Back e Renê Dotti.

A medicina estava realmente na minha vocação, e eu exercia suas tarefas alternando com atividades acadêmicas, e plantões no Hospital Nossa Senhora das Graças. No tempo que a clínica médica era dirigida por um profissional como Lisandro Santos Lima.

Inicialmente, eu comecei ainda no sexto ano de medicina com a inauguração. Não a inauguração oficial, mas a real, de funcionamento do Hospital de Clínicas em 1961. Eu fiz parte da primeira turma de acadêmicos que fazia plantão naquele Hospital Universitário. Eu me lembro de fatos jocosos, por exemplo, quando a gente estava no plantão, a gente olhava no relógio, 14 horas, e ficava esperando por uma leva de pacientes que vinham do interior. Eles desciam na estação ferroviária e se locomoviam até Hospital das Clínicas e então a equipe de plantão, que estava mais ou menos ociosa, tinha muito trabalho até o fim desse plantão, que se prolongava pela noite toda.

Naquele tempo existia o SANDU, mas não tinha seus serviços de emergência que hoje atende inclusive em casa, e o chamado SAMU, que faz um trabalho muito meritório e que atende às emergências. A rádio patrulha, naquele tempo, encontrava às vezes indigentes ou até pessoas embriagadas ou inconscientes na rua. Eles não tinham nem o trabalho de bater na porta do hospital, eles deixavam na porta, e a gente tinha que adivinhar os diagnósticos, porque as pessoas estavam ou inconscientes  ou embriagadas. A gente não podia contar com as queixas do paciente, e muitas vezes eram casos graves de coma diabético ou acidente vascular cerebral.  Esse talvez foi o início realmente da minha vida profissional.

Ao regressar do primeiro treinamento em São Paulo, como bolsista da CAPES, eu consegui que fosse honrada uma promessa do então reitor da Universidade Federal do Paraná, Flávio Suplicy de Lacerda. Porque os acadêmicos quando se formavam, e para obter uma bolsa, tinham que ter o aval de um futuro empregador. Então o Flávio Lacerda, muito relutantemente, assinou um compromisso de me aproveitar no meu retorno. Então a partir de 1963, passei a ser um instrutor de ensino da Universidade Federal do Paraná.

Nessa universidade, na qual eu sou formado, desenvolvi uma carreira sempre por concursos. Galgando posições de auxiliar de ensino, professor assistente, professor livre docente, doutor. E nessa época, eu recebi um convite do saudoso Professor Daniel Egg, que havia criado a Faculdade Evangélica de Medicina, para compor o seu corpo clínico na área da clínica médica, porque a clínica médica englobava cardiologia. Então permaneci 30 anos na Faculdade Evangélica, como titular de Clínica Médica e mais efetivamente professor titular de Cardiologia.

Na federal, o grande mentor foi o Professor Gastão Pereira da Cunha. Na época eu optei por não seguir nessa carreira. Com 30 anos exatos, eu me aposentei na Universidade Federal Paraná, e me dediquei apenas à Faculdade Evangélica nos últimos dez anos, de 40 anos de vida acadêmica como professor.

Na vida profissional, o meu primeiro emprego como médico, foi justamente no Sesi -Serviço Social da Indústria, que tinha um posto de atendimento, no qual eu tive o privilégio de permanecer por 15 anos. Nesse ínterim, apareceu uma oportunidade de ser médico no ambulatório do extinto IAPI, que virou INPS, depois INAPES, do qual eu ainda, por uma temporada curta de sete meses, fui Superintendente Regional. E hoje o INAPES, que naquela época tinha dinheiro e prestígio, passou a se denominar SUS.  Então nesse período, eu solicitei a minha aposentadoria como médico, e hoje eu sou médico aposentado do Ministério da Saúde.

Da minha vida como médico de consultório, eu realmente comecei como todos começam, com poucos clientes, mas com o aval de bons resultados, digamos assim, uma capacidade de diagnóstico e tratamento. Conseguimos construir uma clínica que existe até hoje, na qual ainda atendo meus clientes mais fiéis. Que me criaram inclusive um grande problema, porque se eu imaginasse desistir da profissão, como é que eu poderia dar as costas para toda essa legião de pacientes que confiaram durante décadas, na minha capacidade como médico. Então essa é uma das interrogações que eu tenho ainda, e por isso me mantenho bastante ativo, atualizado, para poder atender essas pessoas.

Trabalhei em emergência médica, como já havia mencionado, nos plantões do Hospital das Clínicas, depois passei a trabalhar em hospitais aqui de Curitiba. Começando com o hospital Santa Cruz, onde inauguramos, com alguns colegas, a primeira unidade de tratamento intensivo coronário. Quando o hospital fechou as portas, nos mudamos levando os monitores praticamente nas costas, para o hospital Nossa Senhora do Pilar. No primeiro estágio passamos por uma clínica que não existe hoje chamada Clisama. O Hospital Santa Cruz reabriu em 1974, a nossa criação da unidade de terapia intensiva foi 1971, e eu tive o privilégio de montar uma nova unidade coronária de tratamento intensivo naquele hospital.

Como professor de cardiologia da Faculdade Evangélica, eu cuidava também dos laudos de eletrocardiografia, e dirigia a parte clínica do hospital ao lado da parte didática. Também montamos uma unidade coronária naquele hospital, na época tínhamos colegas como, por exemplo, Danton Rocha Loures, que era o chefe da cirurgia. De comum acordo organizamos essa UTI coronária, que perdura até hoje naturalmente, porque é um dos serviços mais importantes que existem dentro de um hospital. Mas do qual já me desincumbi há vários anos.

Ainda dentro do esquema do diagnóstico das doenças cardíacas, consegui trazer as primeiras bicicletas ergométricas para Curitiba. Colocando inicialmente uma no Hospital de Clínicas, e uma no Hospital Santa Cruz. Também na parte de diagnóstico, fomos os primeiros a trazer aparelhos de holter, ou seja de eletrocardiografia dinâmica. Mais tarde, me incorporei, a convite do doutor Constantino Constantini, ao hospital o que ele criou na Água Verde, que hoje tem 20 anos. E neste hospital fui o seu primeiro diretor clínico, depois diretor internacional, tendo colaborado bastante na área de pesquisa, e na da área da cardiologia. Então foram contribuições que foram somadas ao longo do tempo, e naturalmente me deram uma experiência cada vez maior, porque é somente trabalhando e atuando que você realmente fica um especialista da área.

Apesar dos nossos esforços, conhecimentos e, sobretudo toda alta tecnologia, os pacientes vinham a falecer. Então me interessou muito o aspecto da prevenção das doenças cardiovasculares. Isso coincidiu quando um conhecimento, com duas pessoas que foram importantes, redirecionaram o sentido da minha atividade profissional. Eu falo do professor Kenned Cooper, criador do conceito de condicionamento físico. E posteriormente, com doutor Dean Ornish, cardiologista da Califórnia, que criou o conceito de estilo de vida saudável. Eu fui um dos arautos desse estilo de vida aqui no país.

Quando me formei em 1956, no curso de Clínica de Cardiologia, eu participei de alguns momentos importantes da luta contra o cigarro. Em Curitiba, na década de 60, chegou a haver até uma greve do fumo. Não só liderada por médicos, mas também por profissionais de outras áreas e com a participação da comunidade, nós chegamos a mobilizar a opinião pública e a fazer palestras. Eu até fui encarregado de fazer sermões em igreja. Essa guerra contra o fumo foi muito interessante, por que marcou aqui em Curitiba, e realmente foi exemplo para outros estados. Realmente foi um movimento bastante eficaz, foi uma época muito importante.

Ocorreu um fato muito especial, quando na minha vida associativa, eu cheguei à presidência da Federação Mundial de Cardiologia de 2000 a 2002. Eu participei como representante da Federação Mundial de Cardiologia em Genebra, na Suíça, na sede da Organização Mundial da Saúde, da Conferência Magna para Controle do Tabagismo.

Mas falando de quando eu cheguei a presidir a Federação Mundial de Cardiologia, eu tive uma sequência natural. Primeiro eu fui um dos médicos que ajudou a fundar a Sociedade Paranaense de Cardiologia, e me tornei o terceiro presidente dessa entidade. E ali me coube Organizar o Congresso Brasileiro de Cardiologia em Curitiba, em 1981. Quando então realizamos o Congresso Brasileiro de Cardiologia. Nesse congresso, fui eleito para presidir a Sociedade Brasileira de Cardiologia, também por dois anos, o meu mandato foi de 82, 83.

Em seguida ingressamos em uma atividade internacional. Primeiro como uma comissão internacional da SBC, captamos o Congresso Interamericano de Cardiologia, que foi realizado no Rio de Janeiro, em 1989. Nesse congresso fomos eleitos presidente da Sociedade Interamericana de Cardiologia, e durante o mandato desta última entidade, conseguimos captar o Congresso Mundial de Cardiologia, que foi realizado no Rio de Janeiro, em 1998. Neste congresso também fui eleito para presidir a Federação Mundial de Cardiologia, de maneira que, na área profissional especializada, atingi todos os níveis. Sempre com muito trabalho, com muita dedicação, porque nada vem por acaso.

Aproveitando todo esse movimento internacional, conseguimos também expandir as fronteiras da cardiologia brasileira, levando grupos de cardiologistas do Brasil a não só participar de eventos internacionais, como também a participar como palestrantes desses eventos. Então contribuímos para a internacionalização da cardiologia brasileira.

Tive oportunidade também de trabalhar na área assistencial. Quando fui o superintendente do INANPS. Voltando ao passado, me lembro que o INANPS, além de ter prestígio e dinheiro era foco daquela romaria de prefeitos do interior e presidentes de câmara de vereadores. As campanhas todas de vacinação, de erradicação da poliomielite, de vacinação infantil, eram feitas através da Secretaria de Saúde. Mas como essa Secretaria de Saúde sempre tinha minguado os recursos, quem acabava financiando toda a logística das vacinas era o INANPS, só que o INANPS tinha o ônus, mas não tinha o bônus. Porque toda a propaganda dirigida era uma atividade do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde, e o INAMPS que tinha todo o ônus, toda a logística, não era reconhecido. Mas isso continua sendo uma contribuição a parte assistencial. Eu diria que a universalização da assistência médica foi uma conquista, embora a gente hoje tenha muitas dificuldades.

Não posso me esquecer também da atividade assistencial social. No primeiro ano do Rotary Clube Curitiba Batel, nós ganhamos um troféu, que foi justamente pelo atendimento odontológico ao Pequeno Cotolengo. Na época criamos e doamos um ambulatório odontológico, e alguns dos nossos membros doaram o seu trabalho também para atender aquelas crianças com problemas especiais.

Eu tenho viajado muito em função da minha atividade profissional. Posso dizer que alguns colegas me chamam de Marco Polo da cardiologia, porque eu já estive dez vezes na China, o número igual no Japão, muitas vezes na Índia, Indonésia, estive nas Filipinas, em Cingapura, na Tailândia, na Malásia, em Taiwan. Sempre em atividade profissional, tanto como palestrante, como levando cursos também.

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