Antonio Carlos Carneiro Neto (2009) Jornalismo – Wenceslau Braz – Paraná

Nascido em Wenceslau Braz, Paraná, em 1948, tornei-me locutor de rádio aos quinze anos de idade, como plantão esportivo da Rádio Clube Pontagrossense. Na mesma época iniciei como repórter geral no jornal Diário dos Campos e cronista esportivo do Jornal da Manhã, ambos também de Ponta Grossa.
No Jornal da Manhã escrevi a coluna de humor e esporte, intitulada “Chuteiradas”, assinada como “Juca Neto”. Juca era o apelido de casa e no Colégio Regente Feijó, onde estudei no segundo grau, vindo a completar a preparação educacional no Colégio Estadual do Paraná. Formei-me pela Faculdade de Direito de Curitiba, onde conheci a minha esposa Rejane Mara Deconto Carneiro e fui orador da turma de 1976.
Sou filho de Armando Jorge de Oliveira Carneiro – Magistrado e professor de Direito Civil, que foi presidente do Tribunal de Justiça do Paraná e Governador interino do Estado do Paraná, em setembro de 1986 e da professora de Yoga Josephina Carneiro. tenho dois irmãos: José Renato Carneiro, médico e Armando Jorge Carneiro Filho.
Com a remoção do meu pai, em 1965, para a Comarca de Curitiba, iniciei como repórter esportivo na Rádio Guairacá, cujos estúdios na rua Barão do Rio Branco eram agitados pelas Favoritas da Juventude de Dirceu Graeser e as cantigas de Nhô Berlamino e Nhá Gabriela.
Depois de passagem pela reportagem da Rádio Independência, fui contratado como narrador da Rádio Clube Paranaense. Durante 35 anos acredito ter narrado cerca de três mil jogos. Foram dezenas de viagens pelo país e exterior, transmitindo partidas de clubes nacionais e estrangeiros, com destaque a seleção brasileira em amistosos, Copa Libertadores da América, Copa América e Copa do Mundo.
Nos anos 1970, fui transmitir um jogo do Coritiba com o Matsubara, em Cambará. A viagem, com a viatura da emissora, foi do tipo bate-volta. Chegamos ao meio dia, realizamos a cobertura da partida e retornamos para Curitiba, com pit stop na Churrascaria Expedicionário, em Ponta Grossa.
Ao chegar a um bar central em Cambará para um lanche, fui ao balcão para fazer o pedido de sanduíches, saladas, refrigerantes, etc. Quando terminei, aproximou-se de mim um morador da cidade e indagou se eu era o Carneiro Neto, da Bedois, Rádio Clube Paranaense. Confirmei que sim e ele abriu os braços, abraçou-me e avisou que iria em casa chamar a mulher e os dois filhos para conhecer-me, pois eram fiéis ouvintes das ondas curtas de 49 metros da velha e popular Bedois.
Reconhecido pela voz, foi um momento simples e gratificante. Todo comunicador gosta de ter o seu trabalho valorizado pelos ouvintes.
Atuei pelas rádios Universo, Cultura, Clube, pela segunda vez, Independência, também pela segunda vez, Cidade, CBN, Banda B, FM 98, CBN de novo, até deixar as narrações para virar comentarista.
Valeu a pena.
Fiz bons amigos, lancei muitos companheiros que fizeram sucesso no rádio e na imprensa, convivi com pessoas dos mais diferentes matizes e viajei pelo mundo inteiro graças ao jornalismo esportivo.
Entre os relacionamentos posso destacar os narradore Lombardi Junior e o José Luis Datena, que se tornou famoso na televisão brasileira; o apresentador Luis Carlos Martins, o jornalista Reinaldo Bessa e o narrador Ulisses Costa, atualmente na Rádio e Tv Bandeirantes, de São Paulo.
Tive a oportunidade de visitar museus, bibliotecas, teatros, casas de espetáculo, lugares históricos, santuários, cidades maravilhosas em dezenas de países.
Tive uma experiência plena de vida.
Nas redações dos jornais, trabalhei com grandes profissionais em O Estado do Paraná, Tribuna do Paraná, Folha de Londrina, Diário do Paraná, Correio de Notícias, Jornal do Estado e escrevo, há 35 anos, coluna na centenária Gazeta do Povo.
Na televisão em branco e preto, fui repórter das Tv-Paraná Canal 6 e Tv-Iguaçú Canal 4. Em seguida, fui editor de esportes e apresentador na Tv-Paraná Canal 6 durante oito anos, passando dos estúdios da rua José Loureiro para as modernas instalações no Pilarzinho.
Na televisão em cores, apresentei o programa Gol de Placa, na tevê Bandeirantes; Terceiro Tempo na tevê Record e participei do Mesa Redonda, na CNT.
Nos velhos tempos de “matar um leão por dia” fui garoto-propaganda na televisão e tive uma agência de publicidade voltada ao comércio varejista, para atender os meus patrocinadores nas transmissões esportivas. Ou seja, arrendava os horários nas emissoras de rádio, contratava o pessoal, pagava todas as despesas da equipe e das viagens e ainda tinha de irradiar os jogos e tentar manter elevados padrões de audiência para não baixar o faturamento.
Sobrevivi graças à colaboração de todos, pequena dose de talento e doses cavalares de trabalho.
Além disso, fui assessor de imprensa da Secretaria de Estado dos Recursos Humanos nos governos Jayme Canet Junior e Ney Braga e prestei concurso público no Tribunal de Justiça do Paraná, em 1985, sendo nomeado titular do 2º Tabelionato de Protesto de Ponta Grossa.
Escrevi seis livros em homenagem à memória do futebol paranaense: Jogo Limpo; Atletiba, a Paixão das Multidões e Evangelino, o Campeoníssimo, ambos em parceria com Vinicius Coelho; O vôo certo, a trajetória do Paraná Clube.
Efabulativos do Futebol e Hélio Alves, o Feiticeiro do Futebol. Estão para serem lançados: É Disso que o Povo Gosta; Lá no Pasquale; Atletiba a Paixão das Multidões Parte 2 e Furacão de Emoções.
Fui honrado, em 2016, com o convite para ocupar a cadeira número 40 da Academia Paranaense de Letras.
Olhando para trás, ao fim e ao cabo, concluo que nascemos para fazer coisas, criar coisas e curtir todas as coisas da vida.
O fundamental para uma existência feliz é ter fé e acreditar nas possibilidades de tornar os sonhos realidade.
A fé é a fonte geradora de todas as nossas forças criadoras.

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