Roberto Kompatscher (2020) Medicina – Curitiba – Paraná

Nasci em Curitiba, no dia 20 de Junho de 1949, na Casa de Saúde São Francisco, tradicional hospital da cidade naquela época.
Sou o filho mais velho de Ervino E. Kompatscher e Ursula Kompatscher. Tive duas irmãs, sendo a Elsa Maria que me deu um casal de sobrinhos e a Lia Silvana, infelizmente falecida precocemente me deu três lindas sobrinhas.
Meu pai, filho de tradicional família curitibana, de origem alemã e austríaca. Meu avô paterno chamava-se Luis Kompatscher era comerciante. Foi fundador e proprietário da Casa Esmalte, loja muito conhecida na época, do ramo de ferragens e material de construção. Empresa teve mais de 100 anos de funcionamento. Minha avó materna chamava-se Adelaide Schelenker, de família grande com vários irmãos, destes alguns foram fundadores e jogadores do Coritiba F.Clube, motivo pelo qual toda família é “coxa branca”. Meu pai, foi médico, no início de carreira fez clínica e cirurgia geral, estudou, foi amigo e sócio do Dr. Daniel Egg e ajudou a fundar e trabalhar no Hospital Evangélico de Curitiba e na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná. Depois de alguns anos de atividade na medicina, passou a se dedicar mais à área de Ortopedia e Traumatologia tendo sido um dos primeiros ortopedistas de Curitiba juntamente com Dr. Mohty Domit e Dr. Heinz Rucker. Médico competente, exemplar, bondoso, autodidata, extremamente ético, foi um modelo para minha carreira profissional. Foi professor de Anatomia da Faculdade de medicina da U.F. Pr., por muitos anos, até se aposentar. Foi também o primeiro Ortopedista do Hospital Evangélico de Curitiba na sua fundação, foi o primeiro chefe de serviço da Ortopedia do H.E.C. e o primeiro professor e responsável pela disciplina de Ortopedia da F.E.M.PAR. Até hoje sinto muito orgulho de responder que sou filho do Ervino, quando me perguntam.
Minha mãe, Ursula, foi uma mulher muito bonita, finíssima, de educação europeia, falava perfeitamente também alemão porque nas férias da família quando seus pais voltavam para a Alemanha ela ficava estudando lá. Seus pais, originários da Alemanha, chamavam-se Hans Möeller e Pauline Frederique Möeller, vieram para o Brasil, já casados e trabalhando. Minha avó quando veio para morar aqui já era formada em Bioquímica pela faculdade de Heidelberg, mas aqui chegando, se tornou apenas dona de casa. Meu avô, veio como diretor do Deutsch Bank. Se estabeleceram em Curitiba onde viveram até fim de suas vidas. Meus avós, construíram uma bela casa no bairro Cabral em Curitiba, onde é hoje o IPPUC, tombada pelo patrimônio histórico, onde morei dos 2 aos 6 anos de idade, enquanto meu pai construía casa no bairro do Alto da Glória.
Quando nasci, meus pais moravam ao lado do hoje Hospital de Clínicas da U.F.Pr..
Depois morei na casa dos meus avós maternos no Cabral, de onde tenho boas lembranças. O terreno desta casa era muito grande, tinha duas quadras de profundidade, toda ajardinada com cercas vivas decoradas, com muitas flores e diversas árvores frutíferas além de grandes pinheiros e cedros, coisa de europeu.
Quando completei 6 anos fui morar na casa que meu pai construiu ao lado do campo de futebol do Coritiba F.C., ingressei no curso primário no Grupo Escolar Conselheiro Zacarias, perto de minha casa onde fiz os 4 anos do primário. Morei nesta casa com meus pais até casar-me. Período de vida que tenho boas lembranças de brincadeiras saudáveis na rua (andar de bicicleta, andar de carrinho de rolamento, jogar bolinha de gude, jogar futebol) com primos e amigos do bairro. Nesta época, iniciei uma amizade que persiste até hoje com o Gilberto Romanó.
Terminando o curso primário, passei na prova de admissão ao ginásio no Colégio Senhor Bom Jesus, onde digo com orgulho que fui classificado em 3ºlugar entre 280 alunos. Cursei ginásio e científico no Colégio Bom Jesus onde fiz novas amizades, alguns continuaram comigo no curso de medicina entre eles o Dr. Nicolau Dabul Malluf, que é um grande companheiro de viagens. Quando no 3º ano do científico fiz o curso preparatório, noturno, para o exame do vestibular de medicina no cursinho Bardhal. E aí se iniciaram novas amizades que persistem até hoje após a faculdade, dentre eles o Dr. Nelson Augusto Rosário Filho.
Felizmente, fui aprovado no vestibular de medicina da U.F.Pr., na primeira tentativa no ano de 1966, ainda jovem com 17 anos. Nos 6 anos de faculdade, com uma turma magnífica de 67-72, passei por grandes momentos de alegrias, de diversões com pessoas especiais e fiz muitas novas amizades que persistem até hoje. Não vou citar nomes porque são muitos.
Durante o curso de medicina, no início da faculdade (1969) participei do intercambio de estudantes universitários Paraná-Ohio. Foram companheiros desta bela experiencia alguns colegas médicos entre eles o Nelson Augusto Rosário Filho, Murilo Coimbra e Henrique de Lacerda Suplicy Filho.
Após concluir o curso de medicina na U.F.Pr., fiz a residência médica da especialidade de Ortopedia e Traumatologia no próprio Hospital de Clínicas de Curitiba onde fiz a faculdade. Após o término da residência médica, em 1975 consegui ser aprovado para receber o título de especialista da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia em concurso nacional realizado em Belo Horizonte.
Terminando minha residência médica, fui convidado pelo professor Heiz Rucker, chefe da Ortopedia do Hospital de Clínicas a continuar trabalhando naquele hospital como médico Ortopedista, onde trabalhei inicialmente em ambulatório, plantões da emergência e posteriormente atividade de ensino com médicos residentes. Fiquei no HC até me aposentar em 2010.
Em 1977, já trabalhando, independente financeiramente de meu pai, casei-me com a Cléa Rita Richter, mulher espetacular, pessoa ímpar, muito querida por todos que a conheceram, que me ensinou muita coisa e foi uma mãe especial. Era professora de inglês e dona de casa modelo. Infelizmente nos deixou precocemente. Tivemos dois filhos, Rafael mais velho e Fernanda. O Rafael é engenheiro civil, casado com Aline Zanlorenzi, de tradicional família de Campo Largo. Deles, em breve, terei um neto menino. O Rafael, fanático por esportes, com muito dom para o esporte, em todos que pratica se sai muito bem. Foi por aproximadamente 2 anos tenista profissional, mas abandonou a carreira para voltar ao Brasil para estudar e fazer curso universitário. Minha filha Fernanda, é casada, mora no Texas-U.S.A., também foi esportista (tênis) e por este motivo acabou indo para fora do Brasil, onde fez faculdade e curso pós-graduação com bolsa completa jogando tênis pela faculdade da Louisiana. Casada com Klejdy Guria, albanês, mas cidadão americano que foi seu colega de curso. Fernanda me presenteou com a minha primeira neta que vai fazer 2 anos, uma linda texana chamada Lara. Também em breve vai me dar outra neta menina. Meus filhos são especiais, só me deram alegrias. Acho que puxaram pela mãe.
No ano de 2002, perdi minha esposa Cléa, fiquei viúvo aos 53 anos de idade, mas o destino fez com que encontrasse mais tarde uma pessoa especial para me fazer companhia pelo resto de minha vida. Casei-me com a Maria da Graça Ribeiro Ferreira que tem 3 filhos, sendo duas meninas, Isabela e a Fernanda e o Guilherme que é o mais velho deles, foi meu aluno no curso de medicina, é um médico pediatra e alergista de muito sucesso, mora e trabalha no noroeste do Paraná em Umuarama.
Guardo em minha memória boas lembranças dos anos vividos. Da minha infância até os 6 anos de idade por ocasião das férias escolares de inverno (julho) nossa família (avós, pais, alguns tios e primos) ficávamos quase os trinta dias na Ilha do Mel. No inverno pela menor incidência da malária. Era uma casa de madeira, sem energia elétrica, sem água encanada, a luz era de lampião a querosene e sem geladeira, depois vieram as geladeiras a gás. Pouca infraestrutura e acesso difícil e demorado, via Paranaguá. Temporadas inesquecíveis. Mais tarde, quando com 7 a 8 anos de idade, com o desenvolvimento de nosso litoral comecei a frequentar Caiobá nos meses de férias, meu pai construiu então uma casa na praia mansa de Caiobá, onde hoje tenho apartamento no prédio que foi construído naquele local e frequento até os dias atuais. Nas férias de inverno, com frequência ia com minha avó materna e primos para uma bela fazenda chamada “Paiol do Fundo” de um tio no município de Campo do Tenente.
Sempre gostei muito de esportes, pratiquei vários, e fiz muitas amizades pelo esporte. Na infância e adolescência muito futebol, com 17 anos comecei a jogar vôlei de quadra, joguei no time da Medicina Federal, participei da seleção paranaense juvenil de vôlei, da seleção paranaense adulta e vôlei de praia nas férias em Caiobá. Com 30 anos comecei jogar tênis parando aos 64 anos por problemas físicos. Joguei muito tênis de praia. Atualmente ainda brinco no beach tênis e me restou o golfe que comecei a praticar há 3 anos.
Outra atividade de lazer que procuro fazer com frequência é pescar. Pode ser pescaria de pequenos lambaris ou de grandes peixes do mar ou dos rios da Amazônia. Para este passatempo tenho pelo menos 3 grupos de amigos e companheiros, vou citar apenas 1 de cada grupo. Delfio Gulin, Lauro João Alcântara e Gilberto Romanó.
Na minha atividade dentro da vida profissional de médico Ortopedista, participei de muitos cursos de especialização e congressos da minha área, desses vale a pena citar um curso realizado na Suíça, na cidade de Davos, nos Alpes suíços. Curso este que naquela época, era o mais importante de Traumatologia do mundo e fui dos primeiros médicos paranaenses a participar. Este curso era realizado anualmente somente naquela localidade, hoje é feito em vários países.
Sou membro titular da SBOT desde 1975 e participei até 2018 como examinador convidado para a prova nacional de obtenção do título de especialista, evento importante da nossa especialidade que atualmente é realizado todo início de ano em Campinas-São Paulo.
Ainda como estudante de medicina trabalhei no serviço médico do D.E.R., como auxiliar no serviço de raio X, mas já dando atendimento médico com ambulâncias nas emergências.
Após concluir a residência médica no Clínicas, continuei trabalhando como médico ortopedista do hospital.
O início de carreira profissional como autônomo foi no consultório particular e na Casa de Saúde São Francisco, auxiliando, aprendendo e adquirindo experiencia com meu pai.
Logo a seguir, comecei trabalhar no Hospital Evangélico de Curitiba. Alguns anos depois com a aposentadoria do meu pai, assumi a chefia do serviço de Ortopedia do HEC., também a preceptoria da residência médica da especialidade.
Em 1988, entrei na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná como professor auxiliar na disciplina de Ortopedia. Alguns anos mais tarde, passei a professor responsável pela Ortopedia, que continuo até hoje tendo como auxiliar um grande médico ortopedista, o Dr. Luiz Fernando Kuster Grocoske.
Fui médico ortopedista, concursado do INAMPS deste 1976, atendendo em posto de saúde na minha especialidade. Nos últimos anos, antes da minha aposentadoria, trabalhei em serviços burocráticos na área de revisão de contas e auditoria médica.
Atualmente, já diminuindo minhas atividades para ter mais horas de lazer, além de professor responsável pela disciplina da Ortopedia do curso de medicina da atual Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná continuo minha atividade no consultório e clínica particular na Clínica de Fraturas e Ortopedia San Rafael onde sou sócio, mas os procedimentos cirúrgicos atualmente realizo no Hospital Nossa Senhora do Pilar. Com mais tempo para o lazer, menos responsabilidade em cuidados médicos hospitalares, tenho tido mais condições para viajar e para isto tenho com minha esposa um grupo de casais companheiros que são Dr. José Carlos Gasparin Pereira e Dulci; Dr. Rodney Frare e Silva e Maria do Rocio; Dr. Nicolau Dabul Maluf e Angela; Dr. João Romano Zucon e Rosana; Dr. Antonio Augusto Cavalieri e Jussara; Dr. José Paulo Scirea e Edi; Dr. Armando Salvatiera Barroso e Claudete e o Dr. Lauro João Lobo Alcântara e Isabela.
Finalizando, posso dizer que estou realizado na minha vida. Tenho o que preciso e vivo como gosto. Tenho filhos companheiros, queridos, estão sempre presentes, só me proporcionam alegrias. Tenho uma grande companheira, a Gracinha, parceira ideal para todos os momentos.

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