Ricardo Sampaio (2019) Direito – São Paulo – São Paulo

Pede-me o Ribas que me apresente em 20 a 25 linhas. Coisa difícil, tanto em uma, quanto em mil linhas, falar de si próprio.

“Quem somos nós? (…) Quem é o senhor? Quem sou eu? E os outros todos que já partiram? Entre um homem e a imagem que o espelho lhe reflete, qual dos dois será real? O ser humano ainda vivo, ou a memória que dele fica, a imagem que o luto lhe confere?”, perguntava-se o escritor alemão Erich Maria Remarque.

Sou apenas “um latino-americano”, nascido em São Paulo e criado no Paraná, com pouco futuro, na sétima década de vida. Foi Tatiana Levy quem disse que “… o passado deve ser silenciado, adormecido entre os fios da memória. “Nem fiz, nem fui grande coisa. Talvez o penúltimo dos românticos (para não injustiçar o último, seja ele quem for, ou onde more).

Cresci em Londrina, formei-me em Direito em Curitiba, fui jornalista, advogado, juiz, depois advogado de novo e hoje, lavrador de capim para boi no Mato Grosso do Sul. “Os velhos voltam pelo pensamento aos dias da sua mocidade como o emigrante saudoso volta à sua terra natal, e gostam de contar as histórias do passado como o poeta gosta de recitar seus mais belos poemas. Pois eles vivem, pelo espírito, no passado, já que o presente não lhes manifesta muita deferência e o futuro lhes aparece velado pela bruma da partida e as trevas do túmulo.”, advertiu Gibran Khalil.

Assim, me apresento, entre as recordações embaçadas do passado, os amores vividos, os perdidos e os desavindos, a espera cada vez mais próxima da “indesejada das gentes” e a hora e meia sabatina e eterna enquanto dura, com os amigos generosos da confraria deste bar sem sede, mas com alma.

Ricardo Sampaio, 68 anos.

Comentarios 1

  1. Caio Nishikawa

    Temos que aplaudir pessoas assim como o Ricardo, e lamentar e protestar contra atitudes como essa da “dita” juíza do STF.

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