Luiz Carlos Pereira (2020) Medicina – Curitiba – Paraná

A geração de nossa família iniciou em Portugal na cidade litorânea de Peniche, hoje uma belíssima cidade litorânea. Minha quinta de geração de avô foi Tomás Pereira da Silva que nasceu em 1744 e nesta mesma cidade, por volta de 1760, emigrou para o Brasil para a cidade de São João Del Rei – Minas Gerais.
Anos depois, fixou residência em Barbacena, onde faleceu. Seu filho Albano Pereira da Silva é minha quarta geração de avô. Nasceu em São João Del Rei, teve 9 filhos, o terceiro de nome Joaquim Tomás foi seu sucessor levando o título de Major Joaquim Tomas da Silva, fundador da cidade Tomazina, no estado do Paraná. Destemido, desbravador do sertão, a sua meta era o rio das Cinzas, rico em aguadas e terras promissoras.Partiram em 1867, com sua comitiva de 300 pessoas que era composta de sua esposa, filhos, escravos, agregados e seu sogro, levando meses de viagem cortando a mata virgem para poder seguir o caminho. Chegando ao seu destino, Rio das Cinzas, plantou o primeiro pé de café do Paraná que trouxe de Minas Gerais e recebeu 800 alqueires de terras para cultivo dividindo entre os parentes. Por conta das grandes geadas, a plantação de café se dizimou e partiram para a horticultura. Foi o primeiro prefeito da cidade e doou terras para a construção da igreja e casa paroquial.
Faleceu em 24 de junho em 1899 em Tomazina- PR aos 91 anos de idade. Foi sempre o chefe político do local, muito acatado e prestigiado no Estado por seu longo passado todo dedicado ao engrandecimento da região onde viveu 32 anos de muita ação e dedicação. Próximo à igreja encontra-se seu busto.
José Tomás, minha segunda geração de avô, José Lourenço Pereira meu avô e meu pai Adalberto Amadeu Pereira foram nascidos em Tomazina- PR.
Meu pai Adalberto casou-se com Marina do Valle Pereira, ela nascida no Rio de Janeiro. Entre a quinta geração de avô até eu chegar ao mundo iria demorar bastante, apenas 172 anos. Desta união nasceram Vera Maria, eu, Luiz Carlos, e Adalberto Amadeu Pereira Junior,in memorian.
Eu nasci em Curitiba- PR, 7 de julho de 1932 e com apenas 2 anos de idade fui para União da Vitória – PR com meus pais e minha irmã Vera. O Junior não era nascido ainda. Meu pai foi assumir seu cargo de prefeito nessa cidade, no ano de 1934, no governo do interventor Manoel Ribas, acompanhando o interventor em suas viagens. Ao término de seu mandato, regressamos a Curitiba.

Aos 6 anos, iniciei o estudo primário no Colégio Dona Branca Xavier de Miranda, o ginásio no colégio Liceu Rio Branco e concluí o científico no Colégio Estadual do Paraná. Fui aprovado no ano de 1953, em 53º lugar para Medicina na UFPR e me formei no ano de 1958.

Dois anos antes de colar grau, me casei em 1956, com Lígia Mary Zanardini Pereira, professora do Estado.Neste matrimônio tivemos três filhos: Carlos Augusto, casado com GenovefaMarkovi Pereira; Luiz Henrique casado com Christiane de Campos Pereira, pais das minhas netas Mariane, solteira, e Julianne, casada com Adonis Viana da Silva. A outra filha Cristina do Rocio Zanardini Pereira, divorciada, me deu a neta Ana Beatriz, solteira e um bisneto, Mathias, o bebê da família.
Tive uma infância feliz e era apaixonado por carros, possuía habilidades, tendo construídos, para minha distração, brinquedos como ônibus e caminhões artesanais. Muitos desses brinquedos tinham direção, suspensão traseira e iluminação. Características inéditas para a época.
Das histórias curiosas de minha vida, me recordo da viagem mais longa que fiz, em 1950, logo após tirar minha carteira de habilitação quando fui com a família para o Uruguai, dirigindo um Austin A40 em estradas esburacadas, riachos e muitos obstáculos, cansativas. Mas a primeira cidade do nosso destino era a Trinta e Três, foi uma surpresa cuja pavimentação das ruas, acreditem, era rica em tacos de madeira. Passamos ainda por Montevidéu, Minas e Colônia, uma cidade portuária. De navio, pequeno, mas luxuoso, todo em madeira de lei fomos para a Argentina. Em Buenos Ayres, o que mais chamava atenção eram os cartazes fixados em lojas e paredes com os dizeres: “Perón promete, realiza e Evita dignifica”.Para minha emoção, retornamos em um hidroavião e atravessamos o Mar Del Plata, em menos de 3 horas.Umaviagem de 2.400 quilômetros, que me encheu de calos nas mãos de tanto dirigir.
E nos anos 80, sofremos – eu e minha esposa Ligia, já falecida – um sequestro relâmpago, numa manhã de sábado, dirigindo um Passat VR6, recén tirado da loja. Eram dois bandidos, que nos obrigaram a entrar no banco traseiro, um deles encostando um revólver em minhas costas. Seguimos em alta velocidade por rodovias.Em seguida, entramos em uma trilha fechada de mato e eu fiquei pensando o que eles poderiam fazer conosco. Durante esse trajeto estávamos totalmente calmos, enquanto isso um dos bandidos apontava o revólver para nos intimidar. Entraram em outra trilha mais estreita e acreditei que eles nos executariam ali mesmo, mas graças a Deus, tinha um caminhão fechando a trilha recolhendo lenha. Fizeram marcha ré e caíram na trilha principal, o que deu tempo para iniciarmos uma conversa. Ele pediu para eu passar a carteira. Tirou o dinheiro que tinha e os cheques ele rasgou. Logo perceberam que no pescoço da Lígia tinha uma corrente de ouro com uma cruz e arrancaram dela, mais do que depressa ela informou aos bandidos que aquela cruz de “caravaca” daria muita sorte ou muito azar. E daí, nenhum dos dois quis ficar com ela. Notei que os bandidos ficaram desorientados. Felizmente eles nos pediram para descer. Fizeram marcha ré e sumiram na trilha.Após perseguições e policiais por várias cidades, foram presos e encaminhados para a penitenciária.
Outra passagem de perigo que sofri foi no retorno de uma viagem da praia na Serra do Mar, quando um veículo Land Rover nos pressionava para ultrapassagem em uma fila que já estava ocupada. Ele encostou o para-choque no nosso carro nos pressionando. Consegui me distanciar acelerando o carro. Terminando a serra, após diversas curvas, próximo ao pedágio, cheguei a acelerar a 185km/h para dar tempo de fazer um boletim de ocorrência. Antes de chegar ao pedágio a Land Rover, que estava nos atacando, fugiu para o mato. Quando então, retornei a Curitiba tive uma arritmia fortíssima, ficando internado 2 dias por conta desse susto. Após inúmeros procedimentos, utilizo,hoje, um marca passo.
Minha vida profissional também acumula algumas histórias interessantes. Meu interesse pela dermatologia começou quando eu era funcionário do Estado e tinha contato com o professor Ruy N. Miranda que colhia dados do meu serviço que era de Bioestatística no Estado, após formado, fiz o curso de sanitarista e concluí com uma tese sobre surto de febre tifóide.
Logo após, iniciei meu professorado nos cursos de verão da UFPR no Centro de Estudos Leprológicos Souza Araújo, onde iniciei minha pesquisa sobre o mycobacteriumleprae, mais conhecido como a Lepra. Realizei estágio no Instituto Manguinhos sobre essas bactérias.
Depois, fui empossado como assistente em 1976, com progressão para adjunto. Realizei o jubilamento do professor Ruy N. Miranda catedrático na disciplina em 1983. No ano de 1984, eu fui indicado para responder pela disciplina e outras funções até o ano de 1999. Me aposentei em 2002.
Participei de inúmeros congressos nacionais e internacionais apresentando trabalhos científicos e atuei nas bancas examinadoras e para concurso em várias especialidades.
Fui membro do conselho universitário por dois anos e diretor do departamento de Clínica Médica em 1971, na PUC-PR.
Colaborei na descoberta de duas novas síndromes nas displasias ectodérmicas publicadas em congressos e livros internacionais, sendo meu mentor o professor Nilton Freire Maia, reconhecido mundialmente no Brasil como geneticista.
Fui professor do primeiro curso curricular de dermatologia na Universidade Federal de Florianópolis no ano de 1964.
No ano de 1962, participei na fundação da disciplina de dermatologia da faculdade de ciências médicas na Universidade Católica do Paraná.Fui assistente do professor Ruy N.Miranda nessa ocasião. Nesse mesmo ano, foi criado o serviço de dermatologia no Hospital da Santa Casa de Curitiba.
No período de 1962 até 1967, fui professor da escola de enfermagem Madre Leoni, sendo homenageado.
Com o afastamento do professor Ruy N. Miranda em 1974, assumi a coordenação do curso após provas e títulos e fui aprovado titular da disciplina até o ano de 2015.
Instalei a Pós-Graduação em Residência Médica na Dermatologia no ano de 1980, na Santa Casa de Curitiba.
Coordenador, juntamente com o cirurgião plástico Dr.Júlio WilsonFernandes, do Curso Anual de Cirurgia Plástica e Dermatológica (CIPLAST), realizados na PUC-PR de 1992 a 2012.
Concluí o Curso de Pós-Graduação em Especialização didática do Ensino Superior em 1998, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Entre outras atividades que exerci, fui diretor do Hospital São Roque, diretor do Centro de Saúde de Curitiba, diretor da Divisão de Profilaxia da Lepra, instalei o Serviço de Dermatologia Pediátrica no Hospital Pequeno Príncipe, fui diretor Clínico do Hospital da Santa Casa de Curitiba e Organizador responsável pelo Serviço de Pênfigo Foliáceo no Hospital Oswaldo Cruz em Curitiba.
Recebi, com modéstia, muitas homenagens da PUC-PR e UFPR.
Fui Paraninfo da Escola de Enfermagem Madre Leoni e homenageado pela I Jornada de Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia de Blumenau.
Fui homenageado da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Recebi a homenagem dos alunos e médicos residentes da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba pelos 38 anos dedicados à sua formação.
Homenageado com Menção Honrosa pela Assembleia Legislativa de Estado do Paraná – 2015.
Ocupei a vaga da Drª. Maria Falce de Macedo nº36 em junho de 1991 no qual sou patrono na Academia Paranaense de Medicina.
Fui Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia em 1976.
Fui sócio do VeteranCar Clube de Curitiba durante muitos anos passando a meu filho a meu titulagem.
Participei de muitas viagens de carros antigos pelo Veteran como lazer e amizade de companheiros. Ainda pratico esse hobbie, dirigindo esportivamente, alguns dos oito clássicos da minha coleção: Austin-1947; Renault-1947; Opel-1958; Mercedes-1950,1983 e 1998; TL 1970 eBMW 1997.
Finalizo com muita felicidade, cumpri todas as minhas obrigações atendendo doentes e realizando tratamentos durante 62 anos. Atuo diretamente com atividade diária.

Agradeço a Deus, minhas esposas, sendo a primeira, Ligia, inmemorian, meus filhos, netas, bisneto, sobrinhas, parentes e amigos, dos quais prezo muito.
Em 15 de maio de 2004, contrai núpcias com Maria Lucia Ferreira Pereira de Miranda, minha nova e querida companheira há 16 anos.

Só tenho alegrias na vida.

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