Léo Antônio Almeida Godinho (2020) – Medicina – Taguatinga – Goiás

Minha história começa antes do meu nascimento, pois um dos fatos marcantes é a origem incomum do meu primeiro nome. A origem do nome Léo está relacionada ao nome do meu avô paterno, Leopoldo. Inicialmente o nome Léo foi usado no meu irmão mais velho, que veio a falecer vitimado de sarampo meses antes do meu nascimento. Quando nasci meu pai resolveu colocar o mesmo nome em mim, mas devido à crendice popular de que repetir o nome poderia me trazer alguma maldição, resolveram acrescentar o Antonio ao nome original.

Nasci em agosto de 1955 na cidade de Taguatinga situada na divisa com a Bahia, que na época pertencia à Goiás. Em 1988, com a criação do estado do Tocantins, a minha cidade natal passou a integrar esse novo estado, por isso hoje tenho a opção de me considerar goiano ou tocantinense. Meus antecedentes foram migrantes portugueses que adentraram o interior do país através da Bahia. Quando lá nasci aquela região era muito isolada e extremamente pobre, tinha qualidade de vida semelhante ao sertão nordestino brasileiro. Não dispúnhamos de energia elétrica e nem estradas rodoviárias, o transporte de pessoas e mercadorias eram feitos por meio de cavalos e por uma linha semanal de aviões da “Viação Cruzeiro do Sul”. Vivi ali até os seis anos e meio de idade cercado de muito carinho, já que eu era o primeiro neto de uma grande família com 10 irmãos.

Era o ano de 1962 quando minha família resolveu se mudar para Goiânia, capital do estado, devido a questões políticas e em busca de melhores condições de vida. Essa mudança foi bem traumática para mim, com um longo período de adaptação à nova realidade. Devido a essa dificuldade de adaptação a minha alfabetização foi retardada e aconteceu com quase oito anos de idade. Em Goiânia estudei apenas em escolas pública, mas felizmente tive a sorte de cursar os seis últimos anos do ensino secundário no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Goiás, o que me propiciou uma boa formação básica.

Prestei um único vestibular para medicina na Universidade Federal de Goiás em 1974. Na Faculdade de Medicina experimentei grande crescimento pessoal, não só devido aos conhecimentos profissionais adquiridos, mas também devido à rápida maturidade alcançada nos seis anos em que lá estive. Formei-me médico em julho de 1981. No ano seguinte iniciei a Residência Médica em Cardiologia no Hospital das Forças Armadas em Brasília. Ali também ingressei no Exército Brasileiro como oficial médico temporário, atividade que exerci por três anos. Ter sido militar foi uma experiência gratificante e que muito contribuiu para a minha formação moral.

Conclui a Residência Médica no início de 1985, ocasião em que recebi convite para trabalhar na cidade de Porto Velho, Estado de Rondônia.

Aceitei o convite para ir trabalhar em Porto Velho antes mesmo de conhecer a cidade. Em fevereiro de 1985 coloquei todos os meus pertences no meu automóvel e para lá fui acompanhado da minha noiva Sandra, sem saber bem o que encontraria. Confesso que ao chegar na cidade tive uma surpresa desagradável. As condições de vida por lá eram bem pior do que eu esperava, a infraestrutura da cidade era muito precária, mas como eu já havia me comprometido, lá fiquei e logo comecei a trabalhar na UTI do Hospital de Base.

Quando me mudei para Porto Velho já estava com casamento marcado para o mês de julho daquele mesmo ano, ocasião em que retornei à Goiânia para me casar com a minha grande companheira desta longa caminhada desde então. Lá vivemos anos muito felizes e produtivos e foi também onde tivemos as nossas duas filhas maravilhosas, Muriel e Nicole.

Em Rondônia exerci também a medicina privada em consultório e hospitais e ocupei, ainda, algumas funções públicas.

No ano de 1991 fui Diretor Geral do recém-inaugurado Hospital e Pronto Socorro João Paulo II, função que exerci por um ano e que acabou resultando em um convite para que assumisse o cargo de Secretário de Estado Adjunto da Saúde em 1992, mesmo não tendo nenhuma militância política na cidade. Nessa função tive oportunidade de aprender muito sobre saúde e administração pública, e serviu como suporte para minha ascensão ao cargo de Secretário de Estado da Saúde menos de um ano depois, quando o secretário titular deixou a função. Administrei a saúde do Estado até o final da gestão do governador Osvaldo Piana, em dezembro de 1994. Nesse período participei ativamente da implantação do SUS no Estado de Rondônia, objetivando a descentralização e municipalização dos serviços de saúde do estado.

Quando o Estado do Tocantins foi criado e a consequente ocorreu a construção da capital Palmas, fui convidado para retornar àquela região onde eu havia nascido. Inicialmente não pude aceitar o convite devido aos compromissos com a função de Secretário de Saúde, mas com a disposição de ir para Palmas assim que deixasse a secretaria.

Mudamos para Palmas em meados do ano de 1995. Assim que cheguei à cidade comecei atividade profissional em clínica privada. Em Palmas mantive um consultório privado por 24 anos, período em atendi mais de quinze mil pacientes com dedicação e zelo. Trabalhei também na Secretaria de Saúde e exerci algumas funções administrativas como Diretor Técnico do Hospital Geral de Palmas e Chefe do Serviço de Cardiologia do mesmo hospital, função essa que exerci até a minha aposentadoria em fins do ano de 2017.

Paralelamente participei ativamente da reestruturação da Unimed Palmas a partir do ano de 1999, ocasião em que a mesma estava em situação pré-falimentar. Foram anos difíceis, com muito trabalho e dedicação por 11 anos. Nesse período exerci as funções de Vice-Presidente, Diretor Administrativo e Presidente na Unimed. Quando deixei a Unimed, em 2010, a mesma estava consolidada, com um Pronto Atendimento próprio e boa saúde financeira.

No ano de 2008, depois de anos de luta, conseguimos levar para Palmas uma Agência da Unicred Centro Brasileira, uma cooperativa de crédito dedicada aos profissionais de saúde, que tinha sede em Goiânia. Assumi a função de Coordenador dessa agência desde o início das atividades. Participei ativamente do crescimento da cooperativa na região e posteriormente da sua transformação na Sicoob UniCentro Brasileira, hoje uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil. Estive à frente da agência de Palmas até o mês de setembro de 2019, quando abdiquei do cargo ao transferir residência para a cidade de Curitiba.

-Por que Curitiba?

A decisão de mudar para cá não foi fácil e ocorreu depois de anos de planejamento, juntamente com minha esposa Sandra. Afinal, estávamos a quase 25 anos morando em Palmas, lá tínhamos nossos relacionamentos, amigos e vínculos de trabalho. Sandra é funcionária pública federal e eu tinha consultório ativo além das outras atividades já citadas, mas Curitiba nos atraia devido ao clima ameno e a melhor qualidade de vida que poderia nos oferecer, e por fim, nos propiciaria algo que nenhum outro lugar poderia propiciar, aqui viviam nossas duas filhas, que para cá vieram em busca de melhores condições de educação e aqui fixaram residência, Muriel, médica e Nicole, psicóloga. Mais ainda, Muriel estava grávida, prestes a nos dar o primeiro neto, o nosso querido Vivente, que nasceu poucos dias após a nossa mudança para Curitiba. Apesar dos transtornos e dificuldades inerentes a uma mudança como essa, ainda assim concordamos que foi a decisão acertada para aquele momento.

Já em Curitiba, me senti bem acolhido pela cidade e por seu povo, e assim que aqui cheguei tive a felicidade, graças à apresentação do meu cunhado Ricardo, de ser fraternalmente acolhido pelos amigos do grupo FIBRA nas nossas agradáveis reuniões todas as manhãs de sábado, regadas a saborosos vinhos, deliciosos petiscos e papo agradável, momentos de verdadeira amizade e confraternização.

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