José Candido Muricy (2020) Medicina – Curitiba – Paraná.

José Candido Muricy (2020) Medicina – Curitiba – Paraná.

Filho de Milton e Anita Postarek Muricy.  Bisneto do lendário Dr. José Candido da Silva Muricy, baiano, oficial do exército que chegou em Curitiba em 1853, encaminhado pelo imperador D. Pedro II para assumir o cargo de médico da nossa cidade. Foi o idealizador e responsável pela construção da Santa Casa de Misericórdia e cofundador do Museu Paranaense.

Sou curitibano nascido em 23 em abril de 1943 e criado no bairro Galícia, imediações do campo do Poty, clube esportivo localizado onde hoje temos a Praça 29 de Março. No bairro havia apenas duas ou três ruas de paralelepípedo e o resto um imenso lodaçal em dias chuvosos. Mas que servia muito bem às “peladas”, às brincadeiras de rua com os amigos como empinar raias, soltar balões, colecionar balas Zequinha, jogar “búrico”, botão e outras mais.

De família tradicional, porém classe média, iniciei e conclui meus estudos primários na escola pública, no Grupo Escolar 19 de Dezembro. Posteriormente, após exame de admissão, segui a cartilha pedagógica dos maristas, no Colégio Santa Maria durante sete anos, até o término do curso científico. Ali, recebi formação exemplar para ser o cidadão e futuro médico que me tornaria, fruto de uma vocação única e irreprimível. Um sonho infantil fortalecido pela figura do bisavô médico e de uma mãe perseverante e muito convincente, como poderão ver mais adiante.

Menino inquieto, alimentado por certa ingenuidade dos anos 1950, e depois, o jovem dos anos 60, já estudante de medicina da UFPR, esportista e exímio pandeirista e fã de serestas nos finais de semana, endereçadas às jovens de tradicionais famílias curitibanas.

Na Capela do Santa Maria, símbolo do que restou do meu colégio, ainda ouço o cadenciado “Introibo ad altare Dei” – subirei ao altar de Deus – ritmado salmo inicial da missa tridentina celebrada por sacerdotes na língua mãe. As missas dominicais fizeram parte da minha vida por muitos anos.

A Medicina – Meu bisavô, o lendário Dr. Muricy, que dá o nome a uma das principais vias de Curitiba, foi sempre a mais exaltada e reverenciada presença histórica e familiar em minha casa.  Com ancestral tão ilustre, meus pais, eu e minha irmã Suely – quatro anos mais velha que eu – sempre nos sentíamos partícipes dos méritos e honras que o médico baiano, filho de portugueses, granjeara na sociedade paranaense.  A herança do sangue e os valores culturais dele recebidos sempre falaram muito alto.

A minha admissão na Medicina da Universidade Federal do Paraná, consumou um projeto seriamente cultivado desde menino. E deu prosseguimento a uma espécie de linhagem médica nascida com o bisavô, seguiu comigo e hoje prossegue em minha filha Maria Angélica, meu sobrinho Raffaele Muricy Marigliano e, se Deus quiser, com meus netos que com certeza abraçarão esta profissão.

Com os doutores Giocondo Villanova Artigas e Lisandro Santos Lima fui interno acadêmico no Hospital Nossa Senhora das Graças, enquanto fazia meu curso, seguido pelos quatro anos de minha residência médica em cirurgia geral. Fundamentando minha formação, após dez anos de formado, fiz residência em Cirurgia Plástica com o acatado Doutor Antonio da Costa Estima, em Porto Alegre de 1979 a 1980; em seguida, estágio em Cirurgia Plástica com o referencial cirurgião espanhol Doutor Jaime Planas, em Barcelona e por último, estagiei com o não menos notável Doutor professor José Guerrero Santos, igualmente na mesma especialidade, em Guadalajara,  México.

Os plantões foram uma rotina de vida. Inicialmente no Hospital Nossa Senhora das Graças e após no IPMC (hoje ICS), no Hospital Santa Cruz, na Clinilar e na Clinihauer. Fui médico socorrista do extinto SAMDU (Serviço de Assistência Domiciliar de Urgência, hoje SAMU), e médico cirurgião do INAMPS (hoje SUS), por 22 anos.

        O Empreendedor – Aguardando minha admissão na residência do Hospital Nossa Senhora das Graças, abri, na Vila Hauer, um consultório com aproximadamente 20 metros quadrados, nomeando-lhe “CLINIHAUER”, o qual foi o embrião da maior empresa de medicina de grupo do sul do país, na década de 2000/2010.

A Organização Médica Clinihauer representa um capítulo à parte em minhavida. Com muito trabalho e força de vontade, construímos uma empresa médica exemplar, na qual nos dedicamos por 39 anos. Tive como companheiros e sócios os colegas de faculdade, doutores Joelson Zeno Samsonowski e Carlos Alberto da Veiga Mercer.

Nossa população de beneficiários chegou em 130 mil em 2007, em todo o Estado do Paraná.

Nosso hospital próprio, Milton Muricy, com 180 leitos, foi um marco em nossa cidade. Abrangia setores como centro cirúrgico, maternidade, pronto atendimento, UTI para adultos e neonatal, laboratório de análises clínicas, radiologia. Chegamos a ter 1.300 colaboradores (700 no hospital e 600 na operadora de saúde).

A Clinihauer foi comercializada em 2007 e dela ficou a história registrada em fotos e na memória de muitos funcionários administrativos, médicos, enfermeiras e de clientes que se lembram, até hoje, daqueles tempos memoráveis.

 

         A Família – Sempre considerei minha família a estrutura mais sagrada. Tive o privilégio de casar-me com uma jovem de família tradicional em Curitiba, de excelente formação religiosa e com muitos predicados domésticos, Vera Lucia, filha de Irene Lupion de Moura Brito e João de Moura Brito Filho. Meu sogro, um dos primeiros cirurgiões plásticos da cidade, foi quem inseriu-me na especialidade.

Tivemos quatro filhos abençoados: as gêmeas Luciana (publicitária) e Christiana (psicóloga), Maria Angélica (médica) e José Ricardo (administrador hospitalar). Constituímos um núcleo familiar invejável e que persiste até hoje. Nos deram cinco netos homens: Leonardo, Gabriel, José Ricardo Filho, João Pedro e Pedro Henrique. E uma neta, Louise, todos nos enchem de orgulho.

 

         Trajetória – Da minha profissão de médico, a qual exerço até hoje, tenho amigos incontáveis, de todas as especialidades e de vários lugares do globo.

Até a especialização em cirurgia plástica, minha formação foi sedimentada na medicina tradicional, nos conhecimentos e na prática. Na especialidade de cirurgião, percorri múltiplos caminhos preparatórios, nacionais e internacionais da Medicina, participei em mais de três centenas de cursos, congressos e eventos da área, como palestrante, professor e em outras atividades científicas.

Presidi o Centro de Estudos Dr. Costa Estima  em 1980, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional do Paraná de 1986 a 1988, a Associação Brasileira de Medicina de Grupo – PR, a Organização Médica Clinihauer e o Hospital Milton Muricy. Fui também assessor do Departamento de Eventos Científicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de 1990 a 1991 e eleito vice-presidente nacional da mesma na gestão de 1988/1989; Por seis anos consecutivos, de 1992 a 1997, integrei a Comissão para ascensão a Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, permanecendo de 2004 a 2009 como tal. Da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica sou membro titular desde 1982 e da International Society Hair Restoration Surgery, ISHRS, desde 1995.

Sou um dos fundadores da Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar, fundada em 01/03/2003, e da qual já fui secretário, tesoureiro e finalmente presidente. Um dos seus objetivos é levar conhecimento aos jovens cirurgiões de transplante capilar de nosso país. Atualmente sou Diretor Presidente da Clínica Muricy e do Hospital Dr. Muricy.

Ao longo de minha carreira, atuei em mais de trinta mil procedimentos cirúrgicos sendo mais de 6.500 somente na cirurgia da calvície, especialidade que exerço desde 1995.

 

           Atividade social – E desta nobre profissão recebi várias homenagens, como “Médico do Ano”, em 2016 eleito pela Academia Paranaense de Medicina e em 2017, empossado como Acadêmico Honorário pela mesma. Em 2018, completei 50 anos de formatura e recebi do Conselho Regional de Medicina a láurea por meio século de exercício profissional sem qualquer registro de ato desabonador.

Em novembro de 1995, recebi, em solenidade na Câmara Municipal, o título de Vulto Emérito de nossa cidade e em 2018 o título de Cidadão Benemérito do Paraná, na Assembleia Legislativa.

Exerci várias atividades sociais nos principais clubes de Curitiba, dos quais destaco:

  • Diretor de basquetebol do Círculo Militar do Paraná e do Clube Curitibano;
  • Diretor Geral de Esportes do Clube Curitibano;
  • Diretor Social do Graciosa Country Club;
  • Conselheiro eleito do Graciosa Country Club – atualmente vitalício
  • Presidente do Conselho Deliberativo do Graciosa Country Club.

Dos tempos estudantis, exerci a presidência do GESM (Grêmio dos Alunos do Colégio Santa Maria) e da Associação Correia Lima (dos alunos da Infantaria do CPOR de Curitiba).

Minha paixão, o Basquete – Iniciei neste esporte aos 10 anos de idade tendo meu pai como incentivador e ídolo.

Jovem, na casa dos 17, já estava trabalhando profissionalmente como professor no SESC e no Centro Israelita do Paraná.
A irrefreável vocação – quase tão dominante em mim quanto a Medicina – me levou a ampla dedicação ao basquetebol;  joguei pelo Colégio Santa Maria, e pela UFPR defendi a equipe da Medicina. Havia uma eterna briga entre o pessoal da Engenharia e da Medicina. E sempre ganhávamos. Era um jogo concorridíssimo em atletas e público (as famosas ENGMEDs).

Nos Clubes de Curitiba, joguei pelo Círculo Militar do Paraná, Sociedade Thalia e Clube Curitibano. Defendi as seleções de Curitiba e do Paraná em vários campeonatos regionais e nacionais. Participei de sete campeonatos mundiais de basquetebol máster como atleta e coordenador, defendendo as cores do Brasil: Liubliania (Eslovenia 2001), Orlando (USA 2003), Christchurch (Nova Zelândia 2005) San Juan (Porto Rico 2007), Czech Republic (Praga 2009), Natal (Brasil 2011) e Thessaloniki (Grécia 2013). E três Panamericanos: Guarujá (BR), Lima (Peru) e San José (Costa Rica).

Fui Presidente da Federação Paranaense de Basketball em 76, 77 e 78; e da Associação Paranaense de Basquetebol Máster por oito mandatos consecutivos, de 1999 a 2015.

Fundei o meu próprio Clube, o Galícia Basketball Club em novembro de 2003, que congrega amigos em comum de 30 a 85 anos e realizo anualmente os Torneios Verinha Muricy e Galícia, nas duas sedes próprias.

E as terças à noite e sábados à tarde, temos nossas peladas com direito a jantares ou aperitivos, Clube do Vinho e a alegria dos convidados e dos meus mais de 70 amigos comendadores galicianos.

O Basquetebol Máster, esclareça-se, é um dos fortes componentes de meu interesse esportivo, ao lado de contemporâneos que, comigo, acreditam e vivem a expressão da “mente sã em corpo são”. Ou quase isso. É, porque no basquete, joelhos e coluna já reclamam há tempos. Então, vou respeitar e reduzir um pouco o ritmo. E, mais uma vez, dou graças a minha querida mãe por me convencer que eu devia fazer medicina, quando o basquete me encantou e pensei em seguir a carreira profissionalmente. Ela, didaticamente, pegou no cabo da vassoura, olhou-me ameaçadoramente nos olhos e disse: “JOSÉ, você vai ser médico! Entendeu?”.  Muito convincente ela.

A saúde, cuidada desde sempre, me mantem vivaz e trabalhando, o que espero fazer ainda por alguns anos.

E continuar apreciando bons vinhos, fazer festas, reuniões e viagens com a família.

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