Claudio Leinig Pereira da Cunha (2020) Medicina – Curitiba – Paraná.

Nasci em Curitiba, em 11 de junho de 1951, no Hospital da Cruz Vermelha, sob assistência do Dr. Lysandro dos Santos Lima. Filho de Gastão Pereira da Cunha e Norma Maria Leinig Pereira da Cunha, ambos filhos de médicos.
Meus avós paternos foram Manoel Pereira da Cunha e Anita Moura Pereira da Cunha. O “Dr. Cunha” era procedente do Rio de Janeiro, onde nascera em 23/05/1891 e precocemente ficara órfão de pai e mãe. Foi aluno interno dos 10 aos 18 anos, sem ônus, no afamado Colégio de São Bento, junto ao Mosteiro Beneditino, onde recebeu educação esmerada, com boa formação humanista, dominando a língua grega e lecionando latim. Cursou a Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, na Praia Vermelha – Rio de Janeiro, de 1911 a 16/12/1916. Para seu sustento enquanto estudava, militou na imprensa carioca, trabalhando à noite como revisor e redator do jornal “O Paiz”. Em 1917, transferiu-se para Rio Negro – PR e ali clinicou até julho/1932. Em 28/12/1918 casou com Anita Moura Pereira da Cunha, tendo dois filhos – Ciro e Gastão, ambos futuramente médicos. Teve destacada ação comunitária, inclusive idealizando e promovendo a construção do Hospital Bom Jesus, inaugurado em 06/08/1924, e que até hoje serve toda a região. Em 1932, mudou-se para Curitiba pra propiciar melhor estudo aos filhos. Em Curitiba, também se destacou como excelente Clínico Geral e conquistou vasta clientela. Foi Sócio Fundador da Associação Médica do Paraná, sendo seu Presidente em 1943-44. Atualizado sempre com o progresso da Medicina, trabalhou até poucos dias antes do seu falecimento, ocorrido a 08/11/1971.
Os avós maternos foram Bernardo Leinig e Julia ChalbaudLeinig, ambos nascidos em Curitiba. Ele nasceu em 28/10/1898, passou a infância em Curitiba e formou-se em Medicina na Universidade do Paraná em 12/12/1922.Exerceu suas atividades profissionais inicialmente na Lapa, como único médico da cidade. Como curiosidade, foi o proprietário do primeiro carro da região. Posteriormentevoltoupara Curitiba, dedicando-se à Clínica Médica e, principalmente, à especialidade de Ginecologia e Obstetrícia. Foi um dos fundadores do Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná, juntamente com os Drs. Erasto Gaertner e Dante Luiz. Teve ampla atividade associativa, tendo sido Sócio Fundador da Associação Médica do Paraná (02/07/1933) e Presidente do CoritibaFootBall Club (1936). Tinha destacado espírito Paranista, construindo sua residência na Rua José Loureiro 245, em Curitiba, com desenho de João Turin. Decorada com elementos nativos da terra do Paraná (pinhões, pinhas, pinheiros), a Casa Paranista foi capa dos 3 volumes da obra “Páginas Escolhidas”, desenvolvida em 2003 por ocasião dos 150 anos da criação política do Paraná, sob coordenação do, então, deputado estadual Rafael Greca de Macedo. Posteriormente, teve uma cópia da frente da casa apresentada em exposição de João Turin no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Trabalhou na capital paranaense na clínica privada e como médico da Rede Ferroviária até pouco antes de seu falecimento, que ocorreu prematuramente em 05/03/1959.
O pai, Gastão Pereira da Cunha, certamente influenciou bastante minha trajetória profissional. Nunca impôs qualquer decisão na carreira, mas com seus exemplos e suas sábias e sensatas ponderações, certamente teve um peso significativo no rumo dos acontecimentos. Somos três irmãos: Gastão Filho, engenheiro; eu e Heloisa Beatriz, psicóloga. Assim, apesar de termos os dois avós e o pai médicos, apenas eu me inclinei para a Medicina.
O Dr. Gastão nasceu em Rio Negro a 22/09/1921. Lá, fez os primeiros estudos e, após a família se mudar para Curitiba, completou o Curso Secundário no Colégio Novo Ateneu. Cursou Medicina na Universidade do Paraná, formando-se em 12/12/1945. Foi orador e recebeu o Prêmio Medalha Nilo Cairo comoclassificado em primeiro lugar da turma. Recebeu a primeira Bolsa de Estudos “Julio A. Enz”, que lhe assegurou estágio em 1946, na Faculdade de Medicina de Rosário – Argentina e no Serviço de Cardiologia do Hospital Italiano na mesma cidade. Voltou a Curitiba como o terceiro cardiologista da cidade. Em março de 1947, iniciou suas atividades universitárias no Serviço de Clínica Médica, cadeira do Prof. João Cândido Ferreira, na Santa Casa de Curitiba. Em 1950, foi aprovado em concurso para Livre Docente de Clínica Médica e em 1953, passou a Chefe da Enfermaria São Vicente, ainda na Santa Casa. Com a inauguração do Hospital de Clínicas da UFPR em 1961, transferiu todas suas atividades acadêmicas para este local e teve participação importante na estruturação do Departamento de Clínica Médica (DCM). Em 1973, passou a Professor Titular do DCM. Por mais de 20 anos foi Chefe da Disciplina de Cardiologia. Em 1975, criou os Cursos de Pós-Graduação em Cardiologia – Mestrado e Especialização, com reconhecida repercussão na melhoria da pesquisa e na assistência cardiológica no Paraná. Muito estimado pelos alunos, foi homenageado por 17 turmas de médicos da UFPR, sendo Paraninfo em 4 ocasiões. Teve mais de 350 participações em conferências, palestras, mesas redondas e simpósios em encontros científicos nacionais e no exterior. Participou de numerosas Comissões Examinadoras de concursos em diversas Universidades do País, publicou mais de uma centena de trabalhos em revistas especializadas e colaborou com a elaboração de capítulos em 13 livros de Cardiologia. Teve importante atividade associativa, sendo Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (1962-63), Presidente da Associação Médica do Paraná (1966-67), Presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia (1972-73 e 1974-76) e Membro Titular Fundador da Academia Paranaense de Medicina a partir de 1978. Aposentou-se da UFPR em 1989 e exerceu a profissão médica em âmbito particular até Setembro/2001, quando completava 80 anos. Foi homenageado por várias instituições: a Sociedade Paranaense de Cardiologia criou, em 2002, o “Premio Gastão Pereira da Cunha” destinado anualmente ao melhor Tema Livre apresentado nos Congressos Paranaenses de Cardiologia, recebeu o Prêmio Destaque em Medicina da Associação Médica do Paraná (2006), Prêmio Destaque Docente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2006), e o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Paraná (2008).Faleceu em sua residência em 13 de maio de 2009.
Minhas atividades escolares, do Pré-Primário ao 3º ano Científico, se desenvolveram todas no Colégio Medianeira, instituição jesuíta em Curitiba. Lá, estive de 1957 (ano da fundação do colégio) a 1968, e certamente marcou bastante a minha formação. Aspectos culturais, acadêmicos, religiosos e éticos herdados do colégio refletiram bastante na minha personalidade. Compúnhamos um grupo de crianças/adolescentes bastante integrados, com uma grande amizade que perdura por mais de 60 anos, de maneira sincera, desinteressada, verdadeira, real. Terminamos o Segundo Grau em 16 colegas, alguns, a meu exemplo, alunos do colégio desde 1957, como Carlos Alberto Faraco (posteriormente Reitor da UFPR), Claudio Luiz Mader (ex-Presidente do Clube Concórdia e Diretor da Volvo), Pedro R. Amorim Consentino e Romeu Guimarães Machado Neto.Concluíram o Terceiro Científico conosco, mas não entraram no colégio no inicio do Curso: Reinaldo Costa da Rocha Loures, Ludgero G. Parolin, Luiz Fernando R. Cavalcanti, LuirCeschin, Paulo Augusto Wendler,Dino Brassac Filho, Luiz Ferreira da Costa. No curso dos anos de Primeiro e Segundo Grau, muitos alunos foram nossos colegas por um período, não concluíram estas etapas conosco mas continuaram o contato com os velhos amigos, participando das reuniões periódicas do grupo, que por sinal têm sido mais freqüentes com o avançar da idade: Luiz Bernardo da Veiga, Eduardo Virmond Lima Neto, Marcos Koehler, Paulo Roberto Delavigne Bueno, Luiz Alberto Saad, Valério Vanhoni, Fabio Molteni, Luiz Celso Kern, Clovis Zanier,RonesDumke e Paulo Roberto Maia Cortes.
Como o vestibular não era unificado, os 16 alunos que concluíam o terceiro científico eram distribuídos em três grupos com algumas aulas distintas, sendo no último ano 5 alunos na Turma da Medicina, 5 no Clássico (Direito e Ciências Humanas) e 6 na Turma da Engenharia.
Destaco a nossa Turma da Medicina, que abrangia um grupo muito unido, em ordem alfabética: Affonso Paulo Otto Júnior, Afonso Dinis da Costa Passos, eu, Murilo Guérios Bittencourt e Raul de Paula Xavier Sobrinho. Tivemos árdua tarefa por ocasião do Vestibular para Medicina. Aulas no Colégio pela manhã, estudo individual ou conjunto na tarde e Cursinho Dom Bosco à noite. Dedicação obsessiva, total, no ano inteiro de 1968. Conclusão: todos aprovados no vestibular para o curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná, sendo 3 entre os 10 primeiros classificados! Alegria total!Fizemos juntos os 6 anos do curso, estudávamos juntos para as provas e juntos nos formamos. Graduei como Primeiro Lugar do curso e recebi o Prêmio Medalha Nilo Cairo; recebi também o Prêmio Hildebrando de Araújo destinado ao melhor aluno do 5º ano médico. Divido os méritos destes prêmios com estes meus colegas com os quais compartilhamos estudos, e também pudemos repartir momentos de alegrias e preocupações. Affonso Otto especializou-se em Medicina do Trabalho e Reumatologia, clinicando em Curitiba; Afonso Dinis seguiu a Medicina Preventiva e Epidemiologia, sendo hoje Professor Titular em Ribeirão Preto na Universidade de São Paulo; Raul, após completar sua formação no HC-UFPR, é pediatra em Toledo – PR. Eu e o Murilo continuamos juntos: cursamos o Mestrado em Cardiologiana primeira turma da UFPR (1975-76), fizemos concurso para Professor Assistente de Cardiologia no Departamento de Clínica Médica (1978) e desempenhamos nossas funções nesta disciplina, lado a lado,por mais de 36 anos.
Os seis anos do Curso de Medicina transcorreram com normalidade. Boa dedicação aos estudos, nenhuma Prova Final. Seguindo aconselhamento do Dr. Gastão, fiz toda a formação no Hospital de Clínicas. Ele dizia para sermos “ratos de hospital”, aproveitar todos seus espaços! Apenas alguns meses de estágio no Hospital Cajuru, pois não havia serviço de Traumatologia no HC ou na UFPR. Afora isto, sem outros plantões fora do HC, treinei cuidados de Enfermagem, acompanhei muitas necropsias, visitas às enfermarias fora dos horários de aula, assídua participação no Serviço de Eletrocardiografia. Fui Monitor da Disciplina de Cardiologia por dois anos e nesta ocasião já acompanhava as atividades dos Médicos Residentes nesta área. Professores que marcaram durante o curso: Prof. Brasilio Vicente de Castro (Anatomia), Oscar Aisengart (Biofísica), Afonso Coelho e Marco Aurélio Cravo (Anatomia Patológica), Alberto A. Veiga e Arnaldo Moura(Semiologia), Flavio Suplicy de Lacerda Filho, Paulo Franco de Oliveira e Sanito Rocha (Cardiologia), Acir Rachid e Albano Manoel A. Chaves Luiz (Reumatologia), Leo Choma (Pneumologia) e Iseu Affonso da Costa (Cirurgia Torácica e Cardiovascular). Bons colegas de turma, além dos “irmãos” do Colégio Medianeira: Alceu F. Pacheco Jr., Edson Ribas Cassou, Antonio Carlos Bagatin, Waldir Marcos Baroni, Saulo Carvalho Filho, Luiz Antonio Deczka, Karam Abou Saab,Luiz Renato Faoro, Jorge Luiz Zattar, Sergio Serafini, Julio Pereira Lopes, NaoyeShiokawa, Celso A. Kleis, Zenia M. P. Scarpari, Irene Sommer, Jorge Abi Saab Neto, entre outros (éramos uma turma de 170 alunos!).
Na sequência, fiz a Residência em Clínica Médica (1975 e 76) e pude cursar também o Mestrado em Cardiologia da UFPR que iniciava sua primeira turma. Cabe salientar que, nesta época, estava sendo mudado o ensino superior no Brasil, estimulando-se a criação dos Cursos de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado), que passariam a ser obrigatórios para as carreiras universitárias. Estes cursos associados me permitiram uma boa formação na área cardiológica, e também ofereceram conhecimentos de Didática, Estatística, Metodologia Científica. Tivemos bons professores locais e vários professores convidados de outros Estados, que prelecionavam cursos compactos por alguns dias. Um deles foi fundamental na minha posterior formação especializada: o Professor Edson A. Saad, Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiroe que estava criando o Doutorado naquela instituição. Assim, após o Mestrado, já programava o Doutorado em Cardiologia na UFRJ, com área de concentração em Ecocardiografia, método que estava começando a ser conhecido e que tinha dois professores da UFRJ recém treinados nos Estados Unidos
Após defesa da dissertação do Mestrado no início de 1977, iniciei neste mesmo ano o Doutorado em Cardiologia da UFRJ, também na sua primeira turma, com bolsa da CAPES, e sendo colega de três docentes da instituição: Aristarco G. Siqueira Filho, Nelson Souza e Silva e Waldemar Decache. Durante 1977, morei no Rio de Janeiro e consegui vários créditos do Doutorado, incluindo Fisiologia Cardiovascular, Matemática, Eletricidade e Física do Ultra-som. Comecei o aprendizado da Ecocardiografia Unidimensional (modo-M) na UFRJ e também na 6ª Enfermaria da Santa Casa do Rio de Janeiro. Neste ano, fiz concurso para Professor Assistente da UFPR, fui aprovado, mas contratado apenas em 1978. Dentro de um programa de “Doutorado Sanduiche”, fui aprovado para realizar pesquisas nos Estados Unidos da América, lá realizando a minha tese de Doutorado, defendida no retorno na UFRJ, em 1980.
Estive, então por dois anos (1978-79), na MayoClinic, Rochester – Minnesota, como “Research Fellow”, onde além da tese de doutorado, pude fazer várias outras pesquisas e, principalmente, aprender a nova técnica de Ecocardiografia Bidimensional que se difundia e tinha naquela instituição um dos seus principais pilares de investigação. Muitos frutos do aprendizado com os Drs. Emilio Giuliani, James Seward e A. Jamil Tajik na área da Ecocardiografia e Dr. Valentin Fuster na área clínica. O Dr. Giuliani veio ao Rio de Janeiro em 1980, para participar de nossa banca de defesa da Tese de Doutorado na UFRJ.
Nesta ocasião, após 5 anos de Pós-Graduação com dedicação exclusiva, se encerrava o nosso período de formação acadêmica. Iniciamos como Professor Assistente de Cardiologia, no Departamento de Clínica Médica da UFPR em 1978; estávamos na ocasião ainda na MayoClinic, e pudemos aliviar um pouco nossas restrições orçamentárias familiares, visto que recebia apenas a bolsa da CAPES para o casal e dois filhos. Em 1980, após a defesa do Doutorado, passei a Professor Adjunto. Nesta época, instalei o Serviço de Ecocardiografia no Hospital de Clínicas, e poucos anos depois passei a contar com o apoio e colaboração do Dr. Admar Moraes de Souza, com quem dividia as tarefas do serviço. Em 1989, o Professor Titular de Clínica Médica e chefe da Cardiologia, Gastão Pereira da Cunha se aposentou. As funções da chefia do Serviço passaram a ser exercidas pelo Prof. Adjunto Paulo Franco de Oliveira.Foi aberto novo concurso para Professor Titular, que transcorreu em 1993 e tive a felicidade de vencer. Passei, então, a Professor Titular de Cardiologia e Chefe do Serviço aos 42 anos, assumindo várias responsabilidades administrativas, técnicas e didáticas.
Entre as funções administrativas universitárias que exerci, temos:
Chefe do Serviço de Ecocardiografia do Hospital de Clínicas da UFPR (1980-1993)
Chefe do Serviço de Métodos Diagnósticos em Cardiologia, HC/UFPR (1993- 2015)
Chefe do Serviço de Cardiologia, Hospital de Clínicas/UFPR (1993-2015)
Membro efetivo do Conselho de Curadores da UFPR (1995-1996)
Chefe da Especialidade de Cardiologia do Dep.de Clínica Médica/UFPR (1993-2015)
Coordenador Curso de Pós-Graduação, Mestrado em Cardiologia da UFPR (1994-99)
Coordenador do Curso de Especialização em Cardiologia da UFPR (1986-2002, 2006-2015)
Professor Orientador do Curso de Pós-Graduação em Cardiologia (1980-1992)
Professor Orientador do Curso de Pós-Graduação em Medicina Interna (1986- 2017)
Chefe do Departamento de Clínica Médica da UFPR (1999-2003)
No período em que dirigi a Cardiologia pude expandir a assistência médica especializada. Foram aumentados os ambulatórios especializados, criadas novas vagas para internação (de 3 para 18 vagas), criada a UTI Cardiológica, implantados novos métodos diagnósticos (MAPA, Holter, Eletrofisiologia) , modernizadas e ampliadas técnicas já conhecidas como a Ecocardiografia e Hemodinâmica.
As atividades didáticas se mantiveram em ótimo patamar, sendo a Disciplina de Cardiologia uma das melhores avaliadas pelos estudantes. A equipe docente contava com o Prof. Murilo Guérios Bittencourt, Paulo Roberto Marquetti, Miguel I. Hanna Sobrinho, Ronaldo da Rocha Loures Bueno e Admar Moraes de Souza; nos últimos anos o Prof. Emilton Lima Jr. substituiu o Prof. Murilo. Estes colegas sempre se superaram em suas tarefas, atendendo suas funções didáticas e também exercendo importantes ações assistenciais.
O Serviço de Cardiologia do Hospital de Clínicas abrangia também um grande número demédicos, distribuídos em várias seções, e que muito contribuíram para o crescimento da Unidade, além dos professores citados. Entre vários, destacam-se o Prof. Hélio Germiniani, Drs. Arnaldo L. Stier Jr., Luiz Antonio FruetBettini, NirajMehta, Maria Zildany P. Távora, Darley R. Wollmann Jr., Mauricio Andrade, Marcia Miyazaki, Carlos Roberto Facin, Glaucia Taborda M. Francisco, Enio E. Guérios e Paulo Galvão. Importante foi a estreita relação que sempre existiu entre as chefias da Cardiologia Clínica e da Cirurgia Cardíaca, inicialmente com Prof. Iseu A. da Costa e posteriormente com Danton R. da Rocha Loures. Muito contribuíram também os cirurgiões Roberto Gomes de Carvalho e Leonardo Mulinari.
Aposentei-me da Universidade Federal do Paraná em 25/11/2015, com 37 anos de serviço e a sensação do dever cumprido.
Em relação às atividades científicas pude também desempenhar um papel significativo. Sou revisor dos periódicos Arquivos Brasileiros de Cardiologia e InternationalJournalof Cardiovascular Sciences, sendo também membro do Corpo Editorial deste último. Em 2019, recebi o Prêmio de Revisor mais Atuante dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Escrevi 3 teses: Mestrado (1977), Doutorado (1980) e no concurso para Professor Titular (1993). Autor ou co-autor de 80 artigos completos publicados em periódicos nacionais e internacionais. Foram 369 participações como palestrante em mesas redondas, conferências e simpósios em congressos regionais, nacionais e internacionais. Trinta e nove orientações de dissertações para Mestrado e teses para Doutorado, concluídas, além de 74participações em Bancas: 12 em concursos docentes, 23 para Doutorado e 39 para Mestrado.
Desde 1980, após completar minha formação acadêmica no Exterior, fui palestrante em todos os Congressos Brasileiros de Cardiologia e Congressos Paranaenses de Cardiologia. Sócio Fundador do Departamento de Ecocardiografia da Sociedade Brasileira de Cardiologia, hoje Departamento de Imagem Cardiovascular, fui palestrante nos 30 Congressos Brasileiros de Ecocardiografia / Imagem Cardiovascular da SBC.
As atividades associativas se iniciaram em 1984, quando o Dr. Paulo Roberto S. Brofman me convidou para ser o Secretário Geral na sua diretoria da Sociedade Paranaense de Cardiologia (1984-86). Posteriormente fui Vice-Presidente de Pedro A.Kreling (1986-1988), e assumi a Presidência desta Sociedade no período 1988-90. Fui membro do Conselho Deliberativo (1992-96) e Vice-Presidente (1996-1998 e 2008-2009) do Departamento de Ecocardiografia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Na Associação Médica do Paraná fuiPresidente da Assembléia de Delegados (1991-95), Vice-Presidente na gestão de Jurandir Marcondes Ribas Filho (1999-2002) e Presidente no período 2002-2005. Acadêmico Titular da Academia Paranaense deMedicina, empossado em 11 de junho de 2010, na cadeira nº 35, sendo Patrono Manoel Pereira da Cunha e inicialmente ocupada pelo Acadêmico Titular Fundador Gastão Pereira da Cunha.
Ainda na esfera associativa, mas no âmbito extra-médico, sou membro do Conselho Deliberativo do CoritibaFoot Ball Club. Desde muito cedo, assistia os jogos do “Coxa”, acompanhando o avô Bernardo Leinig, que havia sido Presidente do Clube e era ferrenho torcedor. Na adolescência ia de ônibus, atravessando a cidade, até o Estádio Belfort Duarte acompanhar os treinamentos duas vezes na semana. Em 1984, por ocasião de acirrada eleição, fui indicado pelo colega cardiologista Pedro Vicente Michelotto para compor a chapa de Evangelino da Costa Neves como candidato a membro do Conselho Deliberativo; fomos vencedores, e até hoje participo deste Conselho, sendo Conselheiro Vitalício há mais de 20 anos.
No âmbito particular, criei a empresa Ecolab Laboratório de Ecocardiografia, com o colegaAdmar Moraes de Souza, em 1987. Trabalhamos juntos até 2010, quando a sociedade foi desfeita. Então, foi criada a Ecolab Clínica Cardiológica em sociedade com os ex-alunos Ricardo Soares Pereira, Giovana da Fonseca Sovierzoski e Julio Cesar Matte, o que se mantém até hoje.
Casei-me cedo com Maria da Graça Marins de Souza, quando tinha 22 anos, eu ainda estudante de Medicina, mas já com um futuro planejado de ter um longo período de pós-graduação. Tivemos 3 filhos: Cristiana, formada em Publicidade e trabalhando com design, confecção e comércio de jóias, casada com Pedro Henrique Isfer e mãe dos queridos Arthur e Ana Julia; Ricardo, médico cardiologista, representante da quarta geração Pereira da Cunha na Medicina, trabalhamos parcialmente juntos, casado com MajuryArpini Sampaio e pai dos amados Luiza e Lucas, e, distante, o Eduardo, engenheiro mecânico, que mora em Vancouver – Canadá, onde tem exercido muito bem a sua profissão e é casado com CátiaKlagenberg Alves, sem filhos. Após 17 anos de casamento nos separamos. Alguns anos depois, eu e NadiraSarot iniciamos um relacionamento que durou 6 anos, e tivemos o Gustavo, aluno brilhante no 7° período do Curso de Medicina da UFPR, quinto colocado no vestibular, e muito disposto a seguir as tradições familiares na Cardiologia; também o mais assíduo da família nos jogos do Coritiba. Há 20 anos,me casei com Luciana de Cerjat Bernardes, companheira e suporte neste período, também médica cardiologista, com quem tive mais 3 filhos: Georgia, 15 anos, estudante do 2º ano do Segundo Grau, e os gêmeos Bernardo e Camila, com 10 anos, no 6° ano do Ensino Fundamental. Todos estudam no Colégio Internacional Everest, são bons alunos e nos dão muitas alegrias.
Assim, são 7 filhos e 4 netos, que, com a benção divina têm crescido e se desenvolvido, criando suas próprias asas, com saúde e responsabilidade. Nem tudo são flores; em 2017 tive um câncer na amígdala direita com metástase para linfonodo cervical, submetido a penoso tratamento de radioterapia e quimioterapia, felizmente com excelente resultado até aqui. Nestas ocasiões a vida e o modo de pensar mudam. Eu, que tivera anos de estudos em colégio católico, estava com a religião meio esquecida, mas na hora da necessidade a espiritualidade aflora, buscamos apoio em esferas superiores e reencontramos a Deus.
Resumo minha trajetória num percurso em que recebi muitas oportunidades, tive o apoio da família, particularmente do meu pai – que era uma pessoa boníssima, mas soube aproveitar estas circunstâncias, com dedicação, bastante trabalho, seriedade e responsabilidade, procurando cumprir minhas obrigações, criar meu espaço independente, sem acomodação, agradecendo a Deus pela saúde minha e de todos os familiares, esperando ter a oportunidade de passar o bastão, em boas condições, aos meus sucessores.

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